Nem bilionários escapam: queda de ações no ano cortou US$ 75 bi de Zuckerberg e Bezos

Recente queda das bolsas deu prejuízo às maiores fortunas do mundo, pressionadas por tensões geopolíticas e dúvidas sobre a IA

Preston Fore Fortune

Até Mark Zuckerberg (à esquerda) e Jeff Bezos (à direita) perderam bilhões neste ano com oscilações de mercado (Foto: Kenny Holston/The New York Times/AFP/Getty Images/Fortune)
Até Mark Zuckerberg (à esquerda) e Jeff Bezos (à direita) perderam bilhões neste ano com oscilações de mercado (Foto: Kenny Holston/The New York Times/AFP/Getty Images/Fortune)

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Se a turbulência do mercado na semana passada deixou você preocupado com seus investimentos, saiba que está em boa companhia — até os ultrarricos estão sentindo o impacto. Seis dos 10 indivíduos mais ricos do mundo tiveram reduções de patrimônio entre US$ 30 bilhões e US$ 60 bilhões neste ano-calendário, somando mais de US$ 255 bilhões.

O patrimônio líquido de Jeff Bezos caiu US$ 30,7 bilhões desde janeiro, enquanto Mark Zuckerberg enfrentou uma redução de US$ 46,3 bilhões, segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg. A maior queda foi de Larry Ellison (Oracle), cuja fortuna recuou US$ 59,6 bilhões, para US$ 188 bilhões — bem abaixo do pico de US$ 400 bilhões registrado em setembro passado, quando ele superou Elon Musk como a pessoa mais rica do mundo.

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Para os bilionários, as perdas estão diretamente ligadas ao mercado. As ações da Amazon caíram quase 11% neste ano, a Meta recuou cerca de 18% e a Oracle despencou quase 30%. Todos os integrantes do grupo conhecido como “Sete Magníficas” — incluindo Alphabet, Apple, Tesla, Microsoft e Nvidia — agora acumulam quedas de dois dígitos em relação às máximas das últimas 52 semanas.

Uma combinação de fatores está impulsionando a queda, desde tensões geopolíticas (incluindo conflitos com o Irã) até o crescente ceticismo sobre se a valorização das ações impulsionada pela inteligência artificial conseguirá atender às expectativas elevadas. Somente a liquidação da semana passada derrubou o S&P 500 em 3% e levou o Dow para território de correção, agravando um ano que já vinha sendo instável para as ações.

Ainda assim, nem todos os bilionários estão no vermelho. Elon Musk, Michael Dell e membros da família Walton vêm aumentando suas fortunas neste ano, destacando como o impacto do mercado pode ser desigual — mesmo no topo da pirâmide.

A riqueza dos bilionários ainda está em nível recorde

Mesmo com a turbulência recente, a riqueza global dos bilionários continua em níveis recordes. O total atingiu US$ 18,3 trilhões em 2025 — com um crescimento de 16% no ano, três vezes mais rápido que a média dos cinco anos anteriores, segundo a Oxfam. Desde 2020, a riqueza dos bilionários aumentou 81%.

Grande parte desse crescimento ficou concentrada no topo. Os 10 americanos mais ricos — em sua maioria fundadores de empresas de tecnologia como Musk, Bezos e Zuckerberg — acrescentaram US$ 698 bilhões aos seus patrimônios líquidos entre novembro de 2024 e o mesmo mês de 2025.

Essa dinâmica reflete o quanto os ultrarricos estão profundamente ligados aos mercados financeiros. O 0,1% mais rico das famílias dos Estados Unidos detém cerca de um quarto de todas as ações, segundo o Federal Reserve. Em contraste, os 50% mais pobres dos americanos possuem apenas 1,1% das ações.

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A ampliação dessa desigualdade vem moldando cada vez mais a opinião pública. Em 1998, apenas 45% dos americanos apoiavam a redistribuição de riqueza por meio de impostos mais altos sobre os mais ricos; em 2022, esse número subiu para 52%, segundo o Gallup.

Ainda assim, nem todos concordam com essa reação negativa. No início deste mês, o rapper Jay-Z, cujo patrimônio é estimado em US$ 2,8 bilhões, rebateu as críticas generalizadas aos bilionários.

“É quase como uma saída fácil”, disse ele à GQ. “Você consegue demonizar esse grupo de pessoas sem corrigir o sistema que de fato existe, que está em funcionamento.”

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E, embora muitos bilionários tenham aderido ao Giving Pledge, um compromisso de doar pelo menos 50% de sua riqueza para a filantropia, seja em vida ou em testamento, críticos argumentam que as maiores fortunas permanecem em grande parte intactas — e difíceis de serem redirecionadas de forma significativa.

Liz Baker, CEO da Greater Good Charities, afirmou que a expectativa de que bilionários possam simplesmente doar sua riqueza para resolver problemas globais complexos ignora o quão desafiador esse processo realmente é.

“Eu gostaria de ter US$ 1 bilhão para doar, mas, como alguém responsável por distribuir recursos, sim, é difícil, porque há uma responsabilidade muito grande envolvida nisso”, disse Baker à Fortune no início deste mês.

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“Você não pode simplesmente enfrentar um problema e dizer para alguém: aqui está US$ 1 bilhão, resolva”, acrescentou Baker. “É complexo demais. Não funciona assim.”

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