Musk, Gates, Trump e mais: o que revelam os novos documentos de Epstein liberados

Departamento de Justiça libera milhões de páginas após ordem do Congresso; novo lote inclui documentos, vídeos e imagens e cita figuras poderosas

Ashley Ahn The New York Times

Elon Musk, Bill Gates e Donald Trump (Fotos: 
Gonzalo Fuentes, Jonathan Ernst
e Stephanie Lecocq/Reuters)
Elon Musk, Bill Gates e Donald Trump (Fotos: Gonzalo Fuentes, Jonathan Ernst e Stephanie Lecocq/Reuters)

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O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou na sexta-feira (30) o maior lote de arquivos de Jeffrey Epstein até hoje, um volume gigantesco que inclui mais 3 milhões de páginas de documentos e milhares de vídeos e imagens.

Os documentos lançam nova luz sobre as relações do financista desonrado com diversas figuras proeminentes, entre elas Elon Musk, Bill Gates e o secretário de Comércio, Howard Lutnick. Eles também contêm um número significativo de denúncias não corroboradas encaminhadas às autoridades.

O Congresso determinou a divulgação em novembro, e o presidente Donald Trump sancionou o projeto de lei, apesar de inicialmente se opor a ele, enquanto buscava pôr fim às acusações e especulações em torno do caso. O mais recente lote de documentos foi divulgado semanas após o prazo de 19 de dezembro imposto pelo Congresso.

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O vice-procurador-geral Todd Blanche afirmou que a Casa Branca “não teve nada a ver” com a triagem dos documentos divulgados. “Eles não tiveram nenhuma supervisão e não disseram a este departamento como conduzir nossa revisão, o que procurar e o que suprimir ou não”, disse.

Veja o que mais se sabe sobre a mais recente divulgação de arquivos de Epstein.

Tamanho gigantesco

O departamento liberou 3 milhões de páginas, 2.000 vídeos e cerca de 180 mil imagens por volta das 11h (horário da Costa Leste) de sexta-feira. As páginas incluem trocas de e-mails, mensagens de texto, reportagens jornalísticas, relatórios internos de investigação e outros materiais relacionados a Epstein, um criminoso sexual condenado.

Blanche afirmou que o departamento ocultou imagens de todas as mulheres citadas nos arquivos, com exceção de Ghislaine Maxwell, companheira e associada de longa data de Epstein, condenada por tráfico sexual.

Inicialmente, promotores federais identificaram 6 milhões de páginas como “potencialmente relevantes” para a lei que exige a divulgação dos arquivos do departamento sobre as investigações envolvendo Epstein e Maxwell, disse Blanche. Ele acrescentou, porém, que as autoridades erraram pelo excesso na coleta e depois decidiram divulgar apenas metade desse volume. Alguns parlamentares democratas acusaram o departamento, na sexta-feira, de violar a lei e exigiram a liberação de todas as 6 milhões de páginas.

Denúncias e alegações não verificadas sobre Trump

Os arquivos parecem conter ao menos 4.500 documentos que mencionam Trump. Um deles era um resumo elaborado por autoridades do FBI no verão passado com mais de uma dúzia de denúncias feitas por membros do público envolvendo Trump e Epstein.

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Não está claro por que os investigadores prepararam o resumo, que inclui acusações de abuso sexual por parte de Epstein e Trump. Os e-mails não apresentavam evidências corroborativas, e o The New York Times não está descrevendo os detalhes das alegações não verificadas.

Trump negou qualquer irregularidade relacionada a Epstein. Em resposta a um pedido de comentário, a Casa Branca apontou para um comunicado público do Departamento de Justiça, que afirmou que os documentos divulgados na sexta-feira “podem incluir imagens, documentos ou vídeos falsos ou apresentados de forma fraudulenta”. O texto também disse que alguns dos documentos continham alegações falsas contra Trump enviadas ao FBI antes da eleição de 2020.

Muitos dos outros documentos eram reportagens jornalísticas ou e-mails que faziam referência a Trump.

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Detalhes sobre as relações de Epstein com homens poderosos

De acordo com e-mails divulgados, Epstein redigiu anotações para e sobre Gates em 2013, sugerindo que ele teria se envolvido em relações extraconjugais. A Fundação Gates classificou as acusações como “absolutamente absurdas e completamente falsas”.

Em um e-mail, Epstein escreveu que havia ajudado Gates a obter drogas “para lidar com as consequências de sexo com garotas russas” e que teria facilitado encontros de Gates com mulheres casadas.

Não ficou claro se Epstein chegou a enviar os e-mails a Gates.

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Os arquivos também revelaram que Lutnick planejava visitar a ilha de Epstein em 2012, embora ele tenha afirmado anteriormente que rompeu relações com Epstein por volta de 2005.

Lutnick disse ao Times, na sexta-feira, que não poderia comentar sobre a visita à ilha porque ainda não havia visto os documentos mais recentes sobre Epstein.

Uma troca de e-mails de 2013 entre o bilionário britânico Richard Branson e Epstein sugeriu que os dois tinham uma relação próxima, construída ao menos em parte em torno do interesse por mulheres. Além disso, múltiplas mensagens entre Musk e Epstein mostraram os dois comparando agendas para encontrar um tempo para se reunir na Flórida ou no Caribe entre 2012 e 2014.

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Um documento detalhou um diagrama do círculo interno de Epstein, incluindo Maxwell, seu advogado Darren Indyke e seu contador Richard Kahn.

Provavelmente o último grande lote de arquivos

Blanche sinalizou que este conjunto de documentos deve ser a última grande divulgação de arquivos sobre Epstein. Segundo ele, mesmo esses materiais dificilmente atenderão à demanda pública por informações sobre o caso.

O departamento é obrigado a apresentar um relatório ao Congresso explicando por que determinadas informações foram suprimidas. Blanche afirmou que foram retidos documentos com dados pessoais identificáveis ou informações médicas das vítimas de Epstein. Também foram mantidos sob sigilo materiais que retratam abuso sexual infantil e conteúdos que mostram morte ou violência.

O relatório ainda não foi enviado, mas Blanche disse que as autoridades federais farão isso “no devido tempo”.

c.2026 The New York Times Company