Missão prolongada de porta-aviões dos EUA gera preocupações com tripulação

O USS Abraham Lincoln está mobilizado há quase nove meses. Integrantes do Congresso americano demonstram preocupação com o bem-estar da tripulação
John Ismay
Helene Cooper
Eric Schmitt
The New York Times

Publicidade

Senadores democratas dos Estados Unidos começaram a manifestar preocupação com a prolongada missão do porta-aviões USS Abraham Lincoln, diante de relatos sobre más condições de vida a bordo e da falta de períodos adequados de descanso para a tripulação após mais de oito meses e meio no mar.

O Lincoln, porta-aviões baseado em San Diego e com cerca de 5 mil marinheiros a bordo, está apoiando as operações americanas no Oriente Médio contra o Irã.

Em uma carta enviada ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, e a Hung Cao, secretário interino da Marinha, o senador Richard Blumenthal, democrata de Connecticut, descreveu uma série de problemas relatados na embarcação.

“Há relatos generalizados de escassez de suprimentos básicos, contaminação da água, problemas de encanamento, deterioração da saúde mental, preocupações com a segurança no convés e falhas no sistema de correio, que fizeram com que muitos pacotes enviados à embarcação se perdessem em trânsito por meses”, escreveu o senador. Muitos desses problemas já haviam sido noticiados anteriormente pelas publicações Navy Times e Stars and Stripes.

Segundo uma autoridade americana que falou sob condição de anonimato por não estar autorizada a comentar publicamente o cronograma das embarcações, a Marinha dos EUA está enviando o porta-aviões George Washington ao Oriente Médio para substituir o Lincoln.

“Nós garantimos que cada navio, cada tripulação e cada comandante tenham tudo o que podemos fornecer a todo momento”, disse Hegseth a jornalistas durante uma visita ao Panamá na quinta-feira, segundo a Reuters. “Algumas missões duram mais do que outras, e eu tenho mais respeito e gratidão por esses marinheiros do que qualquer outra pessoa. O que eles fazem em alto-mar, sob condições difíceis e com menos escalas em portos, é extraordinário.”

Continua depois da publicidade

Um segundo porta-aviões, o USS George H.W. Bush, foi mobilizado em 31 de março e já opera no Oriente Médio.

O próprio Lincoln precisou se defender de ataques iranianos durante a fase inicial da guerra.

Ainda não está claro quando a embarcação que fará a substituição chegará à região. No entanto, o George Washington passou recentemente pelo Estreito de Malaca, importante rota marítima no Oceano Pacífico, em águas da Indonésia, seguindo para oeste, segundo uma segunda autoridade americana que também falou sob condição de anonimato para discutir movimentações de navios de guerra.

Continua depois da publicidade

c.2026 The New York Times Company