Jeremy Grantham diz que futuro vai rir da SpaceX: “IPO mais maluco da história”

Cofundador da gestora GMO questiona metas da empresa de Elon Musk, mas inclusão em índices deve sustentar demanda pelas ações

Eleanor Pringle Fortune

Jeremy Grantham, cofundador e estrategista-chefe de investimentos da GMO LLC, durante entrevista para um episódio do programa Bloomberg Wealth with David Rubenstein, em Boston, Massachusetts, EUA, na quinta-feira, 17 de agosto de 2023.
Foto: Vanessa Leroy/Bloomberg/Getty Images
Jeremy Grantham, cofundador e estrategista-chefe de investimentos da GMO LLC, durante entrevista para um episódio do programa Bloomberg Wealth with David Rubenstein, em Boston, Massachusetts, EUA, na quinta-feira, 17 de agosto de 2023. Foto: Vanessa Leroy/Bloomberg/Getty Images

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Com a SpaceX, de Elon Musk, agora integrada ao Nasdaq 100, as perspectivas da empresa de foguetes passaram a entrar — direta ou indiretamente — nas carteiras de ações de milhões de pessoas ao redor do mundo.

Mas a entrada no índice da Nasdaq fez pouco para convencer os críticos, que seguem céticos em relação às ambições grandiosas da companhia. No prospecto da oferta, a SpaceX afirmou que seu objetivo é “construir os sistemas e tecnologias necessários para tornar a vida multiplanetária, compreender a verdadeira natureza do universo e estender a luz da consciência às estrelas”.

Esse tipo de declaração será motivo de riso para os investidores do futuro, diz Jeremy Grantham, cofundador da gestora GMO. O bilionário britânico, vale lembrar, é conhecido por seu ceticismo: ele se define como um “permabear” e já alertou que o impacto da inteligência artificial pode resultar em “sangue nas ruas”.

Não surpreende, portanto, que ele não tenha se impressionado com as ambições literalmente fora deste mundo da SpaceX. “Todo mundo está fazendo fila para dizer que você deve comprar o IPO mais maluco da história da humanidade”, afirmou Grantham ao podcast The Long View, da Morningstar, em episódio divulgado nesta manhã. “Daqui a 50 anos, estarão contando e escrevendo histórias sobre a SpaceX, citando trechos do prospecto, e você vai rir disso.”

Até os investidores mais otimistas talvez já estejam passando por um teste de realidade desde a estreia da SpaceX. No momento em que este texto foi escrito, a ação acumulava queda de 7% no último mês, em torno de US$ 150 por papel — apenas um pouco acima dos US$ 135 previstos no lançamento.

Wall Street está dividida sobre o quanto a SpaceX ainda pode subir, embora o consenso seja de que a ação deve avançar. O Morgan Stanley, por exemplo, teria fixado preço-alvo de US$ 300, enquanto Eric Sheridan e sua equipe, do Goldman Sachs, escreveram em relatório visto pela Fortune que enxergam a ação mais perto de US$ 205.

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O sentimento entre os analistas, em geral, é positivo. O J.P. Morgan afirmou que seu preço-alvo é de US$ 225 e acrescentou que considera possível a meta de Elon Musk de alcançar US$ 1 trilhão em receita até 2031, embora isso exija “forte execução dentro de um cronograma ambicioso”.

O relatório, assinado por Doug Anmuth, Seth Seifman, Sebastiano Petti e Richard Choe, destacou algumas preocupações — entre elas, o fato de haver “apenas um Elon”. Segundo os analistas, a “influência desproporcional e o controle de Musk (82% do poder de voto) são centrais para a cultura, a visão e a estratégia operacional da SpaceX, e acreditamos que sua liderança foi um fator decisivo para o sucesso da companhia. Ao mesmo tempo, essa concentração de controle levanta questões de governança e expõe a empresa ao risco de transição de liderança”.

Grantham afirmou estar perplexo com as recomendações de bancos de Wall Street para que seus clientes comprem ações da SpaceX. “No fim, a realidade vai aparecer, e isso vai acabar se tornando, claro, um daqueles marcos históricos que eu tanto valorizo ao olhar para a história”, disse. “Aliás, será impressionante se isso não entrar em colapso, porque será necessário um avanço tão grande da IA que nossas vidas inteiras terão de ser completamente diferentes.”

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Mesmo que a justificativa para um preço mais alto venha a se concretizar, o mundo será um lugar “estranho” e “teremos sorte se não formos comandados por nossos amigos autômatos”.

Essa perspectiva “bastante horrível”, acrescenta Grantham, é menos provável do que um tombo das ações, “embora, de qualquer forma, o episódio será historicamente marcante”.

Fortune procurou a SpaceX para comentar.

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“Muita gente vai ter de comprar porque a ação entrou em índices ligados à Nasdaq”

No mês passado, a Nasdaq anunciou novas regras aceleradas para incluir empresas mais antigas, refletindo as mudanças no mercado de IPOs. “Quando grandes companhias ficam privadas por uma década ou mais antes de abrir capital, índices que esperam meses para incluí-las acabam com um retrato incompleto do mercado que acompanham”, afirmou a administradora do índice.

A inclusão acelerada de grandes IPOs ajuda os índices a “representar melhor todas as companhias abertas relevantes para a economia e para o mercado de ações”, disse.

Para Grantham, isso já teve impacto direto no desempenho da SpaceX. “O que isso significa é que haverá muita gente obrigada a comprar a ação para qualquer índice com perfil Nasdaq. Então haverá muito mais demanda do que vendedores.”

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“E, sendo a relação entre oferta e demanda o que é, é difícil imaginar que o preço não vá subir — e talvez suba bastante.”

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