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Um dia antes de as tropas americanas capturarem o venezuelano Nicolás Maduro, o presidente Donald Trump ameaçou o governo iraniano, enquanto os protestos no país continuavam em meio ao agravamento das condições econômicas.
Dado o sucesso surpreendente da operação no fim de semana na América do Sul e o bombardeio dos EUA às instalações nucleares do Irã em junho, cresce a especulação de que Trump pode voltar sua atenção para o Oriente Médio.

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Na sexta-feira, ele alertou nas redes sociais que, se o Irã matar manifestantes pacíficos, “os Estados Unidos da América virão em seu socorro. Estamos prontos para agir.” Dias antes, Trump ameaçou “derrubar o Irã” caso o país tentasse reconstruir seu programa nuclear ou expandir seu programa de mísseis balísticos.
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No sábado, o secretário de Estado Marco Rubio sugeriu que a operação na Venezuela foi um aviso para outros adversários dos EUA que duvidam de Trump.
“Quando ele diz que vai fazer algo, quando diz que vai resolver um problema, ele quer dizer isso”, afirmou a repórteres.
Os protestos entre comerciantes em Teerã começaram no final do mês passado, após a moeda iraniana despencar ainda mais, elevando os custos para os comerciantes que vendem produtos importados. Outros se juntaram aos protestos, o que levou o regime a reprimir, com relatos de mortes.
Irã em crise
Os protestos ocorrem em meio a múltiplas crises que abalam a economia. A moeda perdeu 60% do seu valor desde junho, quando Irã e Israel travaram uma guerra de 12 dias, encerrada com o bombardeio americano.
Isso agravou a inflação, que atingiu 64% para produtos alimentícios em outubro, segundo o Banco Mundial.
Ao mesmo tempo, o Irã sofre com a escassez crônica de energia. Apesar das vastas reservas de petróleo e gás, combustível e eletricidade precisam ser racionados devido à falta de investimentos, infraestrutura obsoleta, subsídios, corrupção e sanções.
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Isso provoca apagões rotativos durante o verão, quando o uso de ar-condicionado aumenta a demanda por eletricidade. No inverno, o fornecimento de gás natural para aquecimento também sofre interrupções.
A crise energética levou o Irã a buscar energia solar, mas a moeda fraca torna a importação da tecnologia necessária ainda mais cara.
Enquanto isso, o país enfrenta a pior seca em pelo menos 40 anos. Há um mês, os principais reservatórios que abastecem Teerã estavam com apenas cerca de 11% da capacidade. A situação foi tão grave que o presidente iraniano Masoud Pezeshkian chegou a sugerir que a população poderia precisar evacuar a capital.
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Embora tenha chovido um pouco desde então, a situação geral pouco melhorou, e a precipitação está em apenas 5% do que é considerado um outono normal. O fornecimento de água foi interrompido em alguns bairros de Teerã.
A água também traz riscos políticos, já que escassezes anteriores provocaram protestos, e qualquer restrição ao uso agrícola pode agravar ainda mais a inflação dos alimentos.
Assim como a crise energética, a crise hídrica tem várias causas, incluindo décadas de má gestão e extração excessiva, vazamentos, corrupção e mudanças climáticas.
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Com múltiplas calamidades acontecendo simultaneamente no Irã, e o apetite de Trump por intervenções estrangeiras se expandindo além da Venezuela, observadores veem riscos crescentes para a República Islâmica. Maduro é também um aliado próximo do Irã, que condenou sua captura e prisão pelos EUA.
“Se Trump se apaixonar pela ideia de uma mudança de regime ‘cirúrgica’, ou der a [Benjamin] Netanyahu o aval dos EUA para ações similares, é difícil não ver como isso dá impulso aos muitos atores que pressionam por uma guerra renovada com o Irã”, disse Jamal Abdi, presidente do Conselho Nacional Iraniano-Americano, à Al Jazeera.
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