Irã e EUA discutem plano de uma página para encerrar hostilidades, dizem autoridades

O plano reabriria o Estreito de Ormuz e daria aos dois países 30 dias para acertar um acordo abrangente, segundo três autoridades iranianas

Farnaz Fassihi The New York Times

Navios de carga no Golfo, perto do Estreito de Ormuz, vistos do norte de Ras al-Khaimah, próximo à fronteira com a região administrativa de Musandam, em Omã, em meio ao conflito entre os EUA e Israel com o Irã, nos Emirados Árabes Unidos, 11 de março de 2026. REUTERS/Stringer/Foto de Arquivo/Foto de Arquivo
Navios de carga no Golfo, perto do Estreito de Ormuz, vistos do norte de Ras al-Khaimah, próximo à fronteira com a região administrativa de Musandam, em Omã, em meio ao conflito entre os EUA e Israel com o Irã, nos Emirados Árabes Unidos, 11 de março de 2026. REUTERS/Stringer/Foto de Arquivo/Foto de Arquivo

Publicidade

Autoridades iranianas afirmaram nesta quinta-feira que o país negocia com os Estados Unidos uma proposta de uma página para reabrir o Estreito de Ormuz e suspender as hostilidades por 30 dias, enquanto tentam construir um acordo de paz mais amplo.

Segundo três altos funcionários iranianos, o plano tem três pontos centrais: fim do bloqueio americano a navios e portos do Irã, retomada do tráfego comercial no estreito e cessação dos combates. Eles falaram sob condição de anonimato por se tratar de negociações sensíveis. O governo dos EUA não comentou.

O principal impasse para fechar esse acordo inicial é o futuro do programa de enriquecimento nuclear do Irã e do seu estoque de urânio altamente enriquecido, disseram os iranianos.

De acordo com essas fontes, os EUA querem que o Irã se comprometa, em princípio, a entregar todo o seu estoque e suspender o enriquecimento por 20 anos. Teerã, por outro lado, propõe diluir parte do urânio, enviar o restante para um terceiro país — possivelmente a Rússia — e interromper o programa por um prazo menor, entre 10 e 15 anos.

Enquanto a diplomacia avançava, o cessar-fogo já frágil voltou a ser testado na noite de quinta-feira, com a mídia estatal iraniana relatando explosões e a ativação das defesas aéreas em Teerã, a capital. A TV estatal também noticiou explosões no sul do país, perto do Estreito de Ormuz.

Empresários, consumidores, políticos, armadores e outros agentes ao redor do mundo acompanham de perto qualquer sinal de avanço. O conflito, que já entra no terceiro mês e levou Irã e Estados Unidos a impor bloqueios rivais no Estreito de Ormuz, estrangulou uma das principais rotas de escoamento de petróleo, desorganizou cadeias globais de suprimentos e pressionou os preços de energia.

Continua depois da publicidade

Os dois lados vêm mantendo um cessar-fogo instável no último mês, enquanto ambos reivindicam controle sobre o estreito.

Veja outros desdobramentos:

Explosões no Irã: A mídia estatal relatou várias explosões na ilha de Qeshm e na cidade de Bandar Abbas, dois importantes polos marítimos iranianos no Estreito de Ormuz. Dois funcionários iranianos disseram que os Emirados Árabes Unidos lançaram os ataques em retaliação a bombardeios com drones e mísseis do Irã nesta semana. Os Emirados não comentaram.

Ataque a navio: Diplomatas iranianos negaram, também nesta quinta-feira, que as forças armadas do país tenham participado de uma explosão que provocou um incêndio em um cargueiro sul-coreano na segunda-feira. Em nota, a embaixada do Irã na Coreia do Sul voltou a alertar contra embarcações que atravessem o Estreito de Ormuz sem autorização iraniana e sugeriu que a responsabilidade por “incidentes não intencionais” recai sobre “as partes que insistem em transitar” sem esse aval.

Este artigo foi publicado originalmente no The New York Times.