Influenciadores pró-Trump espalham versões falsas sobre morte em Minneapolis

Vídeos verificados e relatos contradizem publicações nas redes sociais, inundadas com conteúdo fabricado

The New York Times

Uma foto de Alex Pretti em um memorial improvisado no local em Minneapolis onde ele foi baleado e morto por agentes federais de imigração, no domingo, 25 de janeiro de 2026. (Victor J. Blue/The New York Times)
Uma foto de Alex Pretti em um memorial improvisado no local em Minneapolis onde ele foi baleado e morto por agentes federais de imigração, no domingo, 25 de janeiro de 2026. (Victor J. Blue/The New York Times)

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Em redes sociais, influenciadores pró-Trump e outros perfis embaralharam as evidências da morte de um enfermeiro em Minneapolis no sábado (24), com publicações que incluíam desinformação e conteúdo fabricado.

Enquanto vídeos verificados e relatos de testemunhas mostravam como agentes federais de imigração imobilizaram e atiraram em Alex Pretti, 37, as postagens tentaram distorcer os acontecimentos, inclusive de formas destinadas a sustentar a alegação do governo Trump de que Pretti teria sido responsável pela própria morte. Algumas publicações o difamaram ou o retrataram como um ativista radical.

Nick Sortor, influenciador pró-Trump com 1,4 milhão de seguidores na rede social X, identificou incorretamente Pretti, cidadão dos Estados Unidos, como imigrante em situação irregular. Jack Posobiec, aliado de Trump com 3,3 milhões de seguidores no X, descreveu falsamente Pretti como alguém que teria “avançado contra a polícia” e sacado uma arma — afirmações que outros usuários do X corrigiram em uma nota anexada. Fotos de homens diferentes — vestidos em drag ou sem camisa em um festival de rua — foram identificadas erroneamente como sendo de Pretti e amplamente compartilhadas.

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Posobiec, Sortor e a Casa Branca não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

Agentes federais confrontam manifestantes em Minneapolis, perto do cruzamento da Rua 26 com a Avenida Nicollet, onde agentes da lei federais atiraram em uma pessoa no início da manhã de sábado, 24 de janeiro de 2026. O tiroteio, ocorrido duas semanas após o assassinato de Renee Good por um agente do ICE, provocou uma escalada nos confrontos entre policiais e manifestantes. (David Guttenfelder/The New York Times)

A cena caótica foi registrada em vídeo por vários ângulos, mas as imagens tremidas também alimentaram o debate online, onde foram rapidamente interpretadas e examinadas.

Imagens autenticadas mostram que Pretti, que não tinha antecedentes criminais conhecidos e possuía porte legal para arma de fogo, colocou-se à frente de uma mulher que estava sendo atingida por spray de pimenta por um agente antes de também ser imobilizado. Um agente retirou a pistola de Pretti, que ele não havia sacado, e em seguida outro atirou repetidamente em suas costas. Testemunhas confirmaram os detalhes mostrados nos vídeos.

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A enxurrada de atividade online refletiu narrativas políticas mais amplas que surgiram após o tiroteio. Altos funcionários do governo Trump fizeram repetidas acusações infundadas de terrorismo doméstico contra Pretti, que estava imobilizado e desarmado quando os agentes abriram fogo.

Algumas contas conservadoras contestaram a versão do governo Trump. Em resposta à sugestão de que Pretti pretendia “massacrar” agentes da lei, Tim Pool, podcaster de direita, escreveu no X que Pretti “claramente não tinha a intenção de massacrar o ICE”.

Ainda assim, muitos usuários de redes sociais repetiram a narrativa do governo Trump sobre os fatos. Outros publicaram imagens da cena adulteradas de forma enganosa com o uso de inteligência artificial.

Uma das imagens, por exemplo, foi editada para retratar Pretti apontando uma arma para um agente, quando na verdade ele segurava um celular.

Outra foi alterada com o Gemini, ferramenta de IA do Google, supostamente para melhorar a nitidez e revelar detalhes-chave da cena. A imagem modificada continha erros evidentes, incluindo alterações no rosto de Pretti. Também removia uma arma da mão de um agente, alimentando ainda mais o debate nas redes sociais sobre o que de fato aconteceu.

c.2026 The New York Times Company