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Os pais do secretário de Estado Marco Rubio imigraram de Cuba para os Estados Unidos três anos antes de Fidel Castro tomar o poder por meio da revolução comunista de 1959.
Eles buscavam oportunidades econômicas. O pai de Rubio, Mario, acabou encontrando trabalho na Flórida como barman, e sua mãe, Oriales, como camareira de hotel, caixa e estoquista da Kmart.
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Ainda assim, Marco Rubio fala em desmontar o governo comunista com a mesma paixão que mobiliza muitos exilados políticos que deixaram a ilha após a revolução. A acusação contra Raúl Castro, de 94 anos, patriarca da família, está alinhada com a missão de longa data de Rubio e é apenas o episódio mais recente de uma série de esforços do governo dos Estados Unidos para enfraquecer Havana que ele apoiou ou ajudou a conduzir.
“O presidente Trump está oferecendo um novo caminho entre os Estados Unidos e uma nova Cuba”, disse Rubio em um breve pronunciamento em vídeo, direcionado ao povo cubano.
“O motivo pelo qual vocês são obrigados a sobreviver 22 horas por dia sem eletricidade não é um bloqueio de petróleo dos Estados Unidos”, disse Rubio em espanhol. “A verdadeira razão pela qual vocês não têm eletricidade, combustível ou comida é que aqueles que controlam o seu país desviaram bilhões de dólares, mas nada disso foi usado para ajudar o povo.”
Dentro do gabinete do presidente Donald Trump, o foco de Rubio em Cuba se destaca, mas é algo bastante comum no ambiente cubano-americano do sul da Flórida. Ali, a política anticomunista intensa é a regra, e conversas informais frequentemente giram em torno das formas pelas quais os Estados Unidos poderiam um dia retirar do poder os líderes em Havana.
“Rubio surge da política anticubana de Miami”, disse Benjamin J. Rhodes, ex-vice-conselheiro de segurança nacional do presidente Barack Obama, ao The New York Times em dezembro.
Rhodes coordenou a política de Obama de tentar restabelecer, em certa medida, os laços econômicos e diplomáticos dos Estados Unidos com Cuba. Na época, Rhodes discutiu essa política com Rubio, que era senador pelos Estados Unidos representando a Flórida.
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“Ele sempre esteve ligado a uma política de mudança de regime em Havana”, disse Rhodes. “Isso está no centro da identidade dele.”
Rubio foi um dos arquitetos da campanha militar do governo Trump contra a Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro pelas forças dos Estados Unidos e em seu envio para Nova York para responder a acusações de tráfico de drogas. Em 2020, o Departamento de Justiça obteve uma denúncia formal de um júri de acusação contra Maduro.
A ofensiva contra a Venezuela tinha, em parte, o objetivo de enfraquecer os pilares do governo comunista cubano. A Venezuela era a principal fornecedora de petróleo para Cuba, e o governo Trump pressionou a nova governante do país, Delcy Rodríguez, aliada de Maduro, a interromper os envios para a ilha. Como resultado, a economia cubana passou a enfrentar uma pressão maior do que em qualquer momento das últimas décadas.
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Em 2019, durante os esforços do primeiro governo Trump para retirar Maduro do poder incentivando uma insurreição, Rubio disse à NPR que uma Cuba enfraquecida seria um “efeito colateral” bem-vindo de uma mudança no governo venezuelano, mesmo que esse não fosse “o motivo principal” para remover Maduro. “Tudo o que for ruim para uma ditadura comunista é algo que eu apoio”, afirmou.
Há alguns meses, Rubio começou a falar diretamente com Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro, para tentar negociar uma abertura econômica em Cuba que incluiria algumas concessões políticas.
Autoridades dos Estados Unidos pressionavam no início de março para que a família Castro removesse o presidente Miguel Díaz-Canel, o que permitiria ao governo Trump argumentar que havia promovido com sucesso uma mudança política em Cuba, informou o Times.
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Naquele momento, autoridades americanas estavam dispostas a tolerar que os Castro permanecessem no poder nos bastidores, desde que concordassem em conduzir o país por mudanças econômicas impulsionadas pelo governo Trump. Mas autoridades dos Estados Unidos ficaram impacientes com o ritmo lento das negociações e com o que consideram ser resistência da família Castro.
c.2026 The New York Times Company