Festa dos Knicks dá a Nova York um raro momento de alegria coletiva

Desfile dos Knicks atraiu uma multidão de torcedores para celebrar o primeiro título da equipe da NBA em 53 anos

Jonah E. Bromwich Dana Rubinstein Santul Nerkar The New York Times

Torcedores do New York Knicks comemoram enquanto os jogadores desfilam pela Broadway, em Nova York, em imagem feita a partir do Woolworth Building. REUTERS/Mike Segar
Torcedores do New York Knicks comemoram enquanto os jogadores desfilam pela Broadway, em Nova York, em imagem feita a partir do Woolworth Building. REUTERS/Mike Segar

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NOVA YORK — Uma onda de torcedores em festa tomou o sul de Manhattan na manhã desta quinta-feira (18) durante o desfile do título do New York Knicks na NBA, encerrando de forma simbólica uma campanha de playoffs que uniu a cidade como poucos eventos conseguiram nos últimos anos.

A comemoração veio seis anos depois da chegada da Covid-19 a Nova York, quando a população passou meses isolada em casa e grandes aglomerações desapareceram da rotina da cidade. Naquele momento, o esporte pouco serviu de refúgio: os playoffs da NBA foram disputados em uma bolha, longe do público — e os Knicks sequer estavam nela.

Desde então, muitos nova-iorquinos pareciam relutantes em voltar a se reunir em espaços cheios. Mas, à medida que os Knicks engataram 15 vitórias em 16 jogos até o título sobre o San Antonio Spurs, compartilhar cada partida passou a ser quase uma necessidade — uma lembrança de como a cidade ainda poderia se sentir.

Quando o desfile começou oficialmente às 10h, uma maré azul e laranja já havia tomado Manhattan, lotando calçadas, ruas laterais, estações de metrô e sacadas com vista para a Broadway. Houve quem passasse a madrugada no trajeto para garantir lugar na primeira fila assim que a polícia abriu as áreas reservadas ao público, às 6h.

Embora a participação fosse gratuita, o evento gerou um mercado paralelo, com pessoas oferecendo centenas de dólares a desconhecidos para reservar espaço ao longo do percurso. Quem chegou tarde ficou sem acesso e precisou acompanhar a festa pela televisão, em lanchonetes e delis da região.

O chamado Corredor dos Heróis, percurso cercado por arranha-céus e tradicional palco dos grandes desfiles de homenagem da cidade, recebeu pela primeira vez uma celebração desse porte para os Knicks. O último título da franquia, conquistado há mais de 50 anos, foi marcado apenas por uma cerimônia bem mais modesta na prefeitura.

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Os torcedores que conseguiram manter suas posições ao longo do trajeto foram recompensados com a proximidade dos astros do time, como Karl-Anthony Towns, OG Anunoby e Jalen Brunson, MVP das finais. Brunson, autor de 45 pontos no jogo que selou o título, apareceu ao lado do troféu Larry O’Brien e também caminhou entre a multidão.

A campanha dos Knicks, entre abril e o começo de junho, ajudou a encobrir divisões que marcam a cidade: entre ricos e pobres, nativos e recém-chegados, torcedores de longa data e os chamados oportunistas. Se a pandemia expôs parte dessas fissuras, o carisma do time e a sequência de vitórias pareceram reduzir, ao menos temporariamente, essas distâncias.

“Esta é uma das poucas coisas que vi unir nova-iorquinos de diferentes gêneros e raças”, disse o reverendo Al Sharpton antes do Jogo 3. “Você anda pela rua e todo mundo está com alguma coisa dos Knicks. Isso é saudável.”

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Ainda assim, parte dos conflitos reapareceu durante as finais. Eles ficaram visíveis nos preços elevados dos ingressos no Madison Square Garden, nas disputas entre o dono da franquia, James Dolan, e o prefeito Zohran Mamdani, além das restrições de segurança impostas pela polícia nos arredores da arena.

Mamdani nunca foi visto como torcedor fanático dos Knicks, mas se aproximou da equipe durante a reta final da campanha. Conseguiu ingresso para o Jogo 3, assinou uma “ordem executiva” simbólica suspendendo a hora de dormir de jovens torcedores e permaneceu acordado até as 3h da manhã na noite do título.

Ao mesmo tempo, coube a ele administrar a atuação do maior departamento de polícia dos Estados Unidos, criticado por barrar festas públicas nos arredores do Madison Square Garden e impor forte controle nas ruas. Isso provocou atritos públicos com Dolan, que acusou o prefeito e sua equipe de falta de experiência e chegou a questionar se eram torcedores reais do time.

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Mesmo assim, a conquista serviu como trégua. Segundo a prefeitura, Mamdani e Dolan voltaram a conversar depois da crise da semana passada e trabalharam juntos na organização do desfile.

As finais também levaram a elite da cidade ao centro de Manhattan. Os ingressos custaram milhares — e, em alguns casos, dezenas de milhares — de dólares. O público do Garden vaiou tanto o presidente Donald Trump quanto Victor Wembanyama, estrela do San Antonio Spurs, e atraiu celebridades como Timothée Chalamet, Ben Stiller e Spike Lee, todos presentes no desfile.

O evento desta quinta também teve forte esquema de segurança. A polícia direcionou os espectadores para áreas delimitadas e barrou a entrada de quem carregava bolsas. Muitos torcedores foram impedidos de entrar.

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Se a sensação de unidade criada pelo título tende a perder força nas próximas semanas, o desfile pode acabar sendo lembrado como um raro momento de coesão em uma cidade atravessada por tensões sociais, políticas e econômicas.

Richard Emery, advogado de direitos civis de 80 anos e torcedor dos Knicks “desde sempre”, resumiu o sentimento ao dizer que a união em torno do time foi “real, tangível, palpável e diferente de tudo o que já tivemos nesta cidade, talvez em toda a minha vida”.

“O que isso representa, em um nível fundamental, é reconhecimento de caráter”, afirmou, ao elogiar o time e, em especial, Brunson. “É muito raro quando o caráter é o que as pessoas admiram e transformam em heroísmo.”

“Não há ressentimento nisso”, disse. “É pura admiração. É puro coração e alma.”

c.2026 The New York Times Company