Europa sofre com calor extremo; entenda o que está acontecendo

As condições mais severas estão sendo registradas no Reino Unido, na França e na Espanha, todos sob alertas elevados de calor

Nazaneen Ghaffar The New York Times

Homem lava o rosto para se refrescar durante onda de calor em Madri, na Espanha, em 23 de junho de 2026. REUTERS/Mohammed Salem
Homem lava o rosto para se refrescar durante onda de calor em Madri, na Espanha, em 23 de junho de 2026. REUTERS/Mohammed Salem

Publicidade

Uma onda de calor forte e prolongada tomou conta de boa parte da Europa Ocidental e Central, levando meteorologistas a emitir alertas máximos enquanto as temperaturas ameaçam quebrar recordes para junho.

Veja o que está acontecendo.

Até onde vai o calor?

Andorra, Áustria, Bélgica, Reino Unido, França, Alemanha, Luxemburgo, Eslovênia, Espanha e Suíça estão sob alertas máximos de calor. As condições mais severas são esperadas em partes do Reino Unido, da França e da Espanha, onde os termômetros podem chegar a 40°C ou até passar disso.

Na França, mais da metade do país está sob alerta vermelho, o nível mais alto, por causa da onda de calor. Meteorologistas dizem que Paris pode alcançar 40°C nesta semana, algo inédito para o mês de junho. Nesta terça-feira (23), a agência meteorológica francesa, Météo-France, informou que o país registrou a noite mais quente desde o início da série histórica, em 1947. Segundo o órgão, “temperaturas excepcionalmente altas, tanto de dia quanto à noite”, devem continuar pelo menos até quinta-feira, com partes do centro e do oeste do país podendo chegar a 43°C.

Na Espanha, o serviço meteorológico AEMET disse que as temperaturas devem seguir “extremamente altas” até quarta-feira (24), com máximas de 40°C ou mais em grandes áreas. O órgão informou que ao menos seis localidades passaram desse patamar na segunda-feira (22), com pico de 45,1°C em Andújar, no sul do país. A previsão é de uma leve melhora a partir de quarta, com queda mais acentuada na quinta (25).

No Reino Unido, um alerta âmbar de calor — o segundo mais alto — já está em vigor em boa parte da Inglaterra e do País de Gales. Nesta terça-feira, o Met Office disse que as temperaturas podem chegar a 36°C, perto do recorde de junho no país, de 35,6°C, registrado em 1976. Um raro alerta vermelho para calor extremo entra em vigor na quarta-feira em partes do País de Gales e do centro e sul da Inglaterra, incluindo Londres, com máximas previstas entre 38°C e 40°C. Se os 40°C forem atingidos, será o dia mais quente já registrado tão cedo no ano. Desde o início das medições, em 1884, o Reino Unido só chegou a esse nível uma vez: em julho de 2022, quando foram registrados 40,3°C em Lincolnshire, no leste da Inglaterra.

Continua depois da publicidade

Segundo os meteorologistas, o calor é provocado por um sistema de alta pressão, conhecido como cúpula de calor, estacionado sobre a Europa continental e permitindo a entrada de ar quente vindo do norte da África. Com vários dias de sol forte e o ar quente preso sob esse sistema, as temperaturas ficaram cerca de 10°C acima da média para esta época do ano.

Esse episódio de calor extremo começou no meio da semana passada e vem logo depois de outra onda de calor, em maio, que também bateu recordes para o período. A Météo-France observou que esse tipo de evento está ficando cada vez mais frequente por causa das mudanças climáticas.

A Europa está esquentando mais rápido

Relacionar uma única onda de calor às mudanças climáticas exige análise detalhada. Ainda assim, os cientistas não têm dúvida de que as ondas de calor no mundo estão ficando mais intensas, mais frequentes e mais duradouras — e de que a Europa é o continente que aquece mais rapidamente.

Continua depois da publicidade

Em 2025, praticamente todo o continente registrou temperaturas acima do normal. Pesquisadores estimam que, nos últimos anos, a Europa tenha registrado dezenas de milhares de mortes por ano ligadas ao calor.

Muitas casas, escolas e empresas na Europa foram construídas para um clima mais frio. No Reino Unido, várias foram projetadas justamente para reter calor, o que torna ainda mais difícil enfrentar ondas de calor. E o ar-condicionado não resolve tudo. Na França, a instalação desses aparelhos virou tema de debate político; no Reino Unido, o custo elevado da energia também pesa.

Mesmo em cidades mediterrâneas mais quentes, onde pátios antigos, persianas pesadas e fachadas de pedra clara ajudam a manter os ambientes mais frescos, muitos prédios novos foram construídos de um jeito que segura ainda mais o calor.

Continua depois da publicidade

Como se refrescar

Manter o corpo fresco e beber bastante água é o mais importante para evitar mal-estar em períodos de calor extremo. Outras medidas também ajudam:

c.2026 The New York Times Company