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A Rússia e a China estão intensificando suas atividades de espionagem contra os países ocidentais, e existe uma “janela cada vez mais estreita para que o Reino Unido e seus aliados permaneçam à frente”, segundo a principal autoridade de inteligência britânica.
Em um raro discurso realizado em Bletchley Park, uma propriedade em Buckinghamshire, na Inglaterra, que foi o centro dos esforços aliados de decifração de códigos durante a Segunda Guerra Mundial, Anne Keast-Butler, diretora da GCHQ, a agência de inteligência e cibersegurança do Reino Unido, alertou para uma ameaça renovada ao Ocidente por parte de adversários que ganharam novo impulso.
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Parte dessa ameaça está relacionada à inteligência artificial e à forma como ela está transformando a guerra.
“A guerra está sendo reconfigurada; tornando-se cada vez mais orientada por dados, impulsionada por IA e automatizada em conflitos que vão da Ucrânia ao Irã”, afirmou ela, acrescentando que “a China agora é uma superpotência científica e tecnológica, com capacidades sofisticadas em suas agências de inteligência, cibernéticas e militares”.
Ao mesmo tempo, a Rússia está ampliando sua agressividade no exterior, acrescentou.
“A Rússia está expandindo suas atividades híbridas diárias contra o Reino Unido e a Europa, do fundo do mar ao ciberespaço, atacando sem trégua infraestruturas críticas, processos democráticos, cadeias de suprimentos e a confiança pública”, disse ela.
O discurso de Keast-Butler, proferido no 80º aniversário da criação do acordo de inteligência de sinais Reino Unido–Estados Unidos de 1946 — precursor da aliança de compartilhamento de informações Five Eyes entre Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia e Canadá — ocorre em um momento em que tanto a China quanto a Rússia se tornaram mais ousadas em seus esforços de vigilância e espionagem.
No Reino Unido, no início deste mês, um agente de fronteira e um ex-funcionário comercial de Hong Kong foram considerados culpados de espionar dissidentes para a China no primeiro caso desse tipo no país.
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Nos Estados Unidos, dois cidadãos chineses foram acusados no verão passado de supostamente trabalhar para o Ministério da Segurança do Estado da China, a agência de inteligência do país, e de tentar recrutar espiões dentro das Forças Armadas americanas.
Enquanto isso, avaliações da inteligência dos EUA alertam que tanto a China quanto a Rússia aumentaram a quantidade de equipamentos de vigilância em Cuba que podem ser usados para espionar os Estados Unidos.
Os dois países também praticamente triplicaram seu efetivo na ilha desde 2023, informou o Wall Street Journal. Recentemente, o governo Trump aumentou a pressão sobre Cuba, em parte ao denunciar formalmente o líder revolucionário de 94 anos Raúl Castro por conspiração para matar cidadãos americanos, entre outras acusações, na semana passada.
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Diante desse aumento das atividades de espionagem por parte dos adversários do Ocidente, tanto empresas quanto indivíduos precisam tratar a cibersegurança com uma urgência “10 vezes maior”, afirmou Keast-Butler. Para o governo britânico, isso significa fortalecer os laços com aliados e estabelecer novas parcerias.
Para os cidadãos, “isso significa tomar medidas importantes agora para substituir senhas por chaves de acesso”, disse ela.
Ainda assim, Keast-Butler evitou defender a proibição de infraestruturas de tecnologia da informação estrangeiras. Ela observou que outros países adotaram essa abordagem, mas, em sua avaliação, ela não funciona.
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Em vez disso, o Reino Unido deveria apoiar suas empresas de tecnologia nacionais, incentivar uma criptografia robusta e proteger suas cadeias de suprimentos, argumentou.
“A soberania não precisa significar ‘feito no Reino Unido’, desde que administremos cuidadosamente nossas cadeias de suprimentos, dependências de fornecedores e dados”, afirmou.
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