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Anthony Scotto III já sabe o que pretende fazer quando sua rede de restaurantes, em rápida expansão, finalmente lhe der um momento para respirar: viajar para a pequena ilha italiana de Ísquia, levando um endereço de família escrito à mão, bater à porta e torcer para que quem atenda não o mande embora.
Mas, antes disso, Scotto ainda tem muitos restaurantes para inaugurar.
Aos 30 anos, ele abandonou um emprego cobiçado na BlackRock para ajudar sua família a construir a Pelato, um restaurante italiano inspirado na culinária do Brooklyn que cresceu de uma única unidade em Nashville para uma operação presente em três cidades e com 300 funcionários. A empresa espera atender cerca de 450 mil clientes neste ano e já planeja abrir mais dois restaurantes em 2027.
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Hoje, Scotto é seu próprio chefe, mas o sonho tem um preço. Ele trabalha sete dias por semana, raramente tira férias e é responsável por centenas de empregados.
“Eu nunca trabalhei tão duro na minha vida”, disse à Fortune. “E nunca estive tão estressado no dia a dia.”
BlackRock sempre esteve no radar
Os dois lados da família de Scotto emigraram da Itália em 1905. Primeiro se estabeleceram no bairro de Little Italy, em Manhattan, antes de seguirem para o Brooklyn. Restaurantes sempre fizeram parte de sua vida.
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Seu pai abriu o Fresco by Scotto, em Midtown Manhattan, em 1993, e o local marcou sua infância. Durante férias escolares e verões, ele trabalhava no restaurante.
E o fato de ser filho do dono não facilitava as coisas. Passou anos lavando louça antes de ganhar a confiança necessária para cortar cebolas ou descascar batatas. Preferia o ritmo intenso da cozinha, enquanto alguns primos optavam pelo atendimento ao público.
Mesmo assim, inicialmente ele não imaginava assumir o negócio da família. Tinha ambições próprias.
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Crescendo em Manhattan, viu colegas e suas famílias acumularem riqueza geracional por meio dos mercados financeiro e imobiliário. Aos 12 anos, decidiu que queria fazer parte daquele universo.
O sonho estava literalmente à vista. O restaurante da família ficava logo abaixo do antigo prédio-sede da BlackRock, na East 52nd Street. Funcionários da gestora frequentavam o local, e Scotto via o nome da empresa quase todos os dias.
“Não havia motivo para não querer trabalhar naquela empresa”, disse.
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Na adolescência, fez estágios não remunerados em corretoras de imóveis comerciais, prospectou clientes por telefone e obteve sua licença imobiliária aos 18 anos. Escolheu a Northeastern University em parte pelo programa que alterna períodos de estudo com experiência profissional.
Como a universidade não tinha uma relação estabelecida com a área imobiliária da BlackRock, Scotto passou um ano criando essa oportunidade por conta própria.
O esforço valeu a pena. Estagiou duas vezes na empresa e conseguiu uma vaga efetiva após a graduação. Ingressou na equipe de private equity imobiliário, participando da originação, análise, compra e venda de imóveis. Mais tarde foi promovido a associado e tornou-se gestor assistente de um dos maiores fundos do grupo.
Para Scotto, conseguir aquela vaga significava mais do que começar uma carreira. Ele foi o primeiro integrante da família a concluir a faculdade e ingressar no mundo corporativo americano.
“Minha família me via como uma joia”, afirmou.
Então veio a pandemia
Durante a pandemia, o Fresco permaneceu fechado por um longo período, cortando a principal fonte de renda da família.
Isso levou os Scottos a Nashville, onde a irmã de Anthony estudava e onde eles enxergaram uma cidade em rápido crescimento, cheia de oportunidades.
Inicialmente, Scotto continuou trabalhando remotamente para a BlackRock enquanto ajudava os pais a abrir o Luogo, restaurante inspirado no Fresco. Ele negociou o aluguel, elaborou projeções financeiras e cuidou de questões jurídicas e contábeis antes de entregar a operação diária ao pai.
Então a BlackRock convocou os funcionários de volta para Nova York.
Scotto precisou decidir entre retornar à carreira que havia levado anos para construir ou permanecer em Nashville ajudando a família.
A decisão acabou sendo influenciada por um imóvel que ele encontrou no bairro de Germantown.
“Assim que vi o espaço, pensei: ‘eu quero isso. Esse lugar é meu'”, relembrou.
Muitos acharam a ideia uma loucura. O prédio havia sido uma fábrica de vassouras e rodos e já tinha abrigado cinco restaurantes em dez anos. Scotto, porém, enxergou uma excelente localização.
Em apenas três semanas, nasceu a Pelato.
“Eu sabia que estava em uma carreira que muitas pessoas dariam tudo para conseguir”, disse sobre seu trabalho na BlackRock. “Lutei muito para chegar exatamente àquela posição.”
O que tornou a mudança possível foi sua convicção de que, caso o restaurante fracassasse, ele sempre poderia voltar ao setor financeiro.
Quatro anos depois, não consegue mais imaginar esse retorno.
Embora o setor de restaurantes seja estressante, as recompensas são mais imediatas e pessoais. Ele vê clientes desfrutando receitas da própria família, incluindo os famosos croquetes de batata de sua avó, enquanto o negócio continua crescendo.
“Se fracassarmos, a culpa é nossa. E, se tivermos sucesso, também é por nossa causa”, disse.
Como a Pelato encontrou seu caminho
Enquanto seu pai cuidava do Luogo, Scotto abriu a Pelato ao lado da mãe, Theresa, em setembro de 2023.
Ao contrário do primeiro restaurante, a Pelato não era uma réplica de um modelo já consolidado. Era um conceito totalmente novo.
Nem Anthony nem sua mãe haviam administrado um restaurante anteriormente. Theresa trabalhava como corretora de seguros. Além disso, estavam tentando popularizar pratos tipicamente ítalo-americanos do Brooklyn em uma cidade com pouca tradição italiana.
Os primeiros meses foram difíceis.
O restaurante abriu usando pedidos via QR Code em vez do serviço tradicional de mesa, uma herança do período da pandemia que logo se mostrou inadequada.
Muita gente opinava sobre o que o negócio deveria se tornar, mas mãe e filho preferiram ajustar a operação sem perder a identidade familiar.
Mudaram o atendimento, a recepção dos clientes e o cardápio, promovendo centenas de pequenas melhorias.
Segundo dados fornecidos pela empresa à Fortune, a Pelato atingiu o ponto de equilíbrio já no terceiro mês.
Então, em meados de janeiro, período que muitos haviam apontado como potencialmente fatal para o negócio, a demanda disparou.
“Se fosse possível engarrafar a sensação daqueles meses, não existiria nada melhor no mundo”, disse Scotto.
A Pelato acabou se tornando um dos restaurantes mais disputados de Nashville e passou a receber celebridades como Morgan Wallen, Lainey Wilson, Sabrina Carpenter, Gwen Stefani, Blake Shelton e Billy Joel.
A receita da unidade original cresceu 76% entre o primeiro e o segundo ano completos de operação e mais 34% no ano seguinte. A previsão é de nova alta de 10% neste ano.
As unidades inauguradas em Franklin, nos arredores de Nashville, e em Charleston, na Carolina do Sul, também atingiram o equilíbrio financeiro logo nos primeiros meses.
Hoje, Scotto aplica os conhecimentos que adquiriu na BlackRock em negociações imobiliárias, contratos de locação e modelagem financeira, embora passe cerca de 95% do tempo dentro dos restaurantes.
Ele atribui parte do sucesso a uma função específica: os recepcionistas.
“Eles me fazem ganhar mais dinheiro do que qualquer gerente ou garçom poderia”, afirmou.
Seu objetivo é maximizar a ocupação do salão. Mesmo em noites lotadas de sexta-feira, ele diz que a ideia não é dispensar clientes por causa de uma fila de três horas, mas encontrar formas de acomodá-los.
Agora, a família espera abrir dois restaurantes por ano nos próximos três anos.
E talvez, entre uma inauguração e outra, Scotto finalmente consiga viajar para Ísquia. Até lá, o endereço manuscrito de seus antepassados terá de esperar mais um pouco.
“Talvez encontremos um mês livre entre tudo isso”, brincou. “Vou virar um velho fazendeiro italiano por um mês. Vamos ver.”