Dois flashes iluminaram a lua assustadoramente na semana passada; o que os causou?

Um astrônomo japonês capturou, nos últimos dias, dois objetos colidindo com a superfície lunar

Robin George Andrews The New York Times

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Na semana passada, alguns telescópios atentos capturaram algo colidindo com a lua. Depois, no fim de semana, um segundo objeto perfurou sua superfície prateada.

Os dois incidentes foram um lembrete de que a lua não é exatamente o orbe sereno que vemos claramente no céu noturno algumas noites por mês, mas sim um campo de batalha barulhento, constantemente ganhando novas crateras.

Em uma imagem fornecida por Daichi Fujii, uma imagem estática de um dos dois vídeos feitos por um astrônomo japonês em 30 de outubro e 1º de novembro de 2025, mostrando prováveis impactos de asteroides na superfície lunar (Daichi Fujii via The New York Times)

Os dois impactos lunares foram detectados por Daichi Fujii, curador do Museu da Cidade de Hiratsuka, no Japão, que mantém seus telescópios focados na superfície lunar. Na quinta-feira, às 20h33, horário local, ele avistou uma breve explosão luminosa na escuridão. Depois, no sábado, às 20h49, “peguei outro brilho forte”, disse ele.

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Esses flashes podem ter ocorrido em torno do Halloween, mas não há nada assustador acontecendo aqui. Ambos foram resultado de asteroides colidindo com a superfície lunar.

Sem uma atmosfera para desacelerá-los, essas duas rochas espaciais atingiram o solo vulcânico da lua a velocidades de até 96.500 km/h, aproximadamente 30 vezes mais rápido que um caça. O tamanho dos objetos é desconhecido, mas mesmo um asteroide de apenas alguns metros de comprimento viajando nessa velocidade liberaria uma explosão poderosa, equivalente a um estoque modesto de dinamite — uma tempestade de fogo fugaz que pode ser vista a centenas de milhares de quilômetros daqui da Terra.

Esses eventos de impacto lunar são importantes para os astrônomos, que os usam para descobrir com que frequência a lua é bombardeada por asteroides menores. Assim, eles podem refinar suas estimativas sobre quantos asteroides maiores existem — aqueles que podem atravessar a atmosfera do nosso planeta com potencial efeito devastador.

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Fujii, entusiasta da astronomia, é fascinado pela natureza sempre mutável do céu noturno. “Quero que o público aproveite a ciência”, disse ele. E uma forma de fazer isso é mostrar com que frequência a lua é atingida por mísseis rochosos.

Fujii usa vários telescópios em dois locais — Fuji e Hiratsuka — para vigiar a companheira alva da Terra. Um software detecta automaticamente movimentos e explosões na superfície lunar.

Essa configuração tem funcionado muito bem: ele documentou cerca de 60 impactos lunares desde 2011. Ver dois impactos consecutivos, porém, é menos comum.

O primeiro flash, na quinta-feira, surgiu a leste da cratera Gassendi, que tem 113 km de largura. O segundo apareceu a oeste do Oceanus Procellarum, ou “Oceano das Tempestades” — uma planície colossal de 2.575 km de extensão, cheia de magma cristalizado.

Às vezes, flashes na lua são ilusões: raios cósmicos que aparecem como faíscas estranhas nos telescópios. Esses dois flashes foram reais?

Quando questionada, a agência espacial americana não pôde comentar. “A NASA está atualmente fechada devido à falta de financiamento governamental”, respondeu um porta-voz por e-mail. (Os observatórios de defesa planetária financiados pela NASA continuam operando durante o shutdown.)

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Os telescópios da Agência Espacial Europeia não viram os flashes, pois a lua estava muito brilhante vista da Europa no momento em que ocorreram. Mas como vários telescópios no Japão captaram os mesmos brilhos de ângulos diferentes, é fácil classificá-los como impactos de asteroides.

“Esses flashes de impacto parecem reais”, disse Juan Luis Cano, engenheiro aeroespacial do Centro de Coordenação de Objetos Próximos à Terra da ESA. “O que chamou minha atenção é que ambos parecem estar um pouco acima da média em termos de tamanho do flash” — sugerindo que podem ter sido impactos mais energéticos do que o usual.

A origem desses asteroides não é certa. Mas Fujii suspeita que possam ter vindo da chuva de meteoros Taurídeos, que se desprende do cometa Encke. Os Taurídeos, que atingem o pico neste mês, são conhecidos por apresentar meteoros maiores que a média e que se movem em velocidades particularmente altas. Não seria surpreendente, então, se alguns tivessem colidido com a lua em vez de se desintegrarem na atmosfera terrestre.

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Fujii espera que sua vigilância ajude a melhorar a segurança lunar. Agências espaciais e empresas privadas buscam tornar a lua um lugar habitado — algo que não está isento de riscos, incluindo possíveis impactos de rochas espaciais.

“Entender a frequência e a energia dos flashes de impacto pode ser usado para informar o design e a operação de bases lunares”, disse ele.

c.2025 The New York Times Company

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