“Com todo o meu coração, Natalie”: a assessora mais fiel de Trump ganha os holofotes

A assessora da Casa Branca Natalie Harp está sempre ao lado de Trump. Mas, afinal, o que ela faz?
Shawn McCreesh
Maggie Haberman
The New York Times

Natalie Harp ao lado do presidente Donald Trump durante reunião no mês passado em Ancara, na Turquia. Crédito: Doug Mills/The New York Times
Natalie Harp ao lado do presidente Donald Trump durante reunião no mês passado em Ancara, na Turquia. Crédito: Doug Mills/The New York Times

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WASHINGTON — Ela nunca tira um dia de folga, nem mesmo aos domingos. Trabalha a partir do Salão Oval e tem assento cativo no helicóptero Marine One. Troca mensagens com líderes mundiais em nome do presidente. Fica acordada até tarde com ele redigindo publicações para as redes sociais.

Raramente fala diante das câmeras, mas está sempre presente, com um sorriso aberto e os olhos fixos no presidente.

Ela é Natalie Harp, assessora de 35 anos da Ala Oeste da Casa Branca e a principal guardiã do acesso ao presidente Donald Trump. Atua como um canal individual de informações, funcionando completamente fora da cadeia de comando tradicional. O interesse público por Harp explodiu após a revelação, na semana passada, de que ela estava entre os poucos escolhidos para acompanhar o presidente dentro de um contêiner de catering adaptado como abrigo para deixar a Turquia sob ameaça de ataque do Irã.

Nesta semana, ela se tornou alvo de um ataque político do senador democrata Jon Ossoff, da Geórgia, que afirmou sobre Trump:

“Ele não quer fazer o trabalho. Quer construir seu salão de festas e viajar com Natalie em seu aparentemente indefeso palácio voador presenteado pelo emir do Catar.”

A menção a Harp provocou uma reação particularmente intensa entre aliados de Trump. Assessores da Casa Branca, congressistas republicanos, influenciadores conservadores e até um integrante do gabinete presidencial recorreram à rede social X para defender sua honra. Houve acusações de sexismo por parte da direita e críticas ao que chamaram de vitimismo por parte da esquerda.

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Trump evitou comentar diretamente quando questionado por uma repórter da CNN sobre as declarações de Ossoff. Ainda assim, uma conta ligada ao governo atacou a jornalista em termos incomumente pessoais, chegando a mencionar seus filhos.

A polêmica ampliou o foco sobre essa mulher discreta e de aparência frágil, que há anos desperta fascínio e frustração entre pessoas do círculo presidencial. Esta reportagem é baseada em entrevistas com meia dúzia de pessoas familiarizadas com seu papel. Harp não respondeu aos pedidos de comentário.

O poder singular que Trump lhe concede revela muito sobre a forma como ele exerce a Presidência.

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Enquanto Harp estiver por perto, Trump tem acesso a um fluxo de informações sem qualquer filtro prévio. Parte desse conteúdo é visto por outros assessores como tóxico ou contraproducente. Ela lhe fornece materiais encontrados nas profundezas das redes sociais, como o vídeo que ele publicou retratando os Obama como macacos, além de oferecer uma visão do mundo fora de Washington oficial, da qual Trump sempre desconfiou.

Seu apelido é “a impressora humana”, porque ela acompanha o presidente carregando uma impressora portátil para lhe entregar informações em papel sempre que necessário.

Harp é uma loira platinada extremamente otimista, pronta para encorajá-lo nos momentos difíceis. Ela acredita, ou pelo menos afirma acreditar com veemência, que Trump venceu a eleição de 2020. No livro “Regime Change”, dos jornalistas Maggie Haberman e Jonathan Swan, do New York Times, Trump é descrito dizendo a pessoas próximas que Harp é a única que o ama tanto quanto sua esposa e seus filhos.

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Segundo Trump, todos os demais membros de sua equipe acabarão saindo para ganhar dinheiro em outro lugar. Harp, porém, jamais o abandonaria.

“Natalie Harp é uma das assessoras mais leais e trabalhadoras da equipe do presidente Trump”, afirmou Karoline Leavitt, secretária de imprensa da Casa Branca, ao responder perguntas do Times sobre a natureza do cargo de Harp e os motivos que levaram à sua escolha para acompanhar o presidente na operação secreta de retirada da Turquia.

De certa forma, Harp desempenha uma função que Trump sempre considerou necessária, desde seus tempos como incorporador imobiliário em Manhattan. Naquela época, havia secretárias permanentemente posicionadas do lado de fora de seu escritório no 26º andar da Trump Tower, prontas para atendê-lo a qualquer momento. Ele se referia a essas mulheres como “as garotas”.

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Harp recebe salário anual de US$ 150 mil pagos pelos contribuintes. Seu cargo é descrito como assistente especial do presidente e assistente executiva do presidente.

Ela costuma agir de forma relativamente isolada. Mesmo em uma Ala Oeste onde a lealdade a Trump parece não conhecer limites, as demonstrações de devoção de Harp já deixaram colegas desconfortáveis.

Vídeos enviados ao Times mostram Harp correndo grandes distâncias para acompanhar o carrinho de golfe de Trump durante partidas em seu campo na Escócia.

“Também peço desculpas caso eu tenha sido um constrangimento caminhando pelo campo na Escócia”, escreveu ela em uma carta ao presidente vista pelo jornal.

A carta continua:

“Quero que as coisas estejam sempre bem entre nós. Também sei que estive distraída durante toda a semana (esquecendo de comer ao longo dos dias, esquecendo até de dormir e descansando apenas algumas horas de cada vez).”

O texto termina com a frase:

“Com todo o meu coração, Natalie.”

Harp cresceu na Califórnia. Na quarta-feira (19), seu irmão, com quem aparentemente não mantém contato, concedeu entrevista à CNN.

“Eu diria que, desde os 16 anos, ela tem uma obsessão. Como posso explicar isso? Ela escrevia cartas para outros presidentes”, afirmou ele, referindo-se a George W. Bush.

A ligação de Harp com Trump é profunda. Ela atribui a ele o fato de estar viva.

Harp afirmou ter enfrentado um câncer ósseo e disse que uma legislação assinada por Trump em 2018 lhe deu acesso a tratamentos experimentais. Ela nunca detalhou publicamente quais foram esses tratamentos.

Ela contava essa história em uma entrevista à Fox News, em 2019, quando chamou a atenção de Trump. O então presidente a convidou para discursar na Convenção Nacional Republicana de 2020. Nos dois anos seguintes, Harp repetiu as alegações falsas de fraude eleitoral de Trump enquanto trabalhava como apresentadora da emissora conservadora One America News Network. Em 2022, ela finalmente passou a integrar sua equipe.

O documentário de bastidores da campanha presidencial de 2024, “Art of the Surge”, oferece alguns vislumbres de Harp trabalhando.

“Política nunca foi algo de que eu gostasse”, afirma ela em uma cena gravada em Mar-a-Lago. “Mas quando fiquei doente, comecei a assistir aos debates republicanos. Ele foi meu primeiro contato com a política, e eu adorei. Pensei: esse cara entende tudo.”

O filme então mostra Trump apresentando Harp em um evento da Faith & Freedom Coalition, em 2019.

“Estavam preparando-a para morrer”, diz ele. “O nome dela é Natalie Harp, e graças ao ‘Right to Try’ ela está viva hoje e, acredito, indo muito bem. Disseram que ela está aqui. Você está aí, Natalie? Pode subir aqui, por favor?”

A mulher que atravessa o palco para abraçá-lo ainda não era a assessora inseparável que logo se tornaria.

“Eu tinha câncer e ele salvou minha vida ao assinar aquela lei”, afirma Harp no documentário. “Desde que descobriu minha história, manteve contato comigo e sempre se certificou de que eu estava bem.”

c.2026 The New York Times Company