Chefe da CIA leva avaliação sombria da guerra da Rússia em visita secreta a Moscou

Analistas da CIA questionam há anos se o presidente Vladimir Putin tem recebido de seus assessores avaliações honestas sobre o andamento e os custos da guerra
Adam Entous
Julian E. Barnes
The New York Times

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WASHINGTON — John Ratcliffe, diretor da CIA, fez uma visita discreta a Moscou nesta semana para compartilhar, em caráter reservado, sua avaliação pessimista sobre o estado da guerra da Rússia contra a Ucrânia e para incentivar os russos a fecharem um acordo antes que sua situação militar e econômica se deteriore ainda mais, segundo autoridades atuais e ex-autoridades.

Ratcliffe transmitiu a mensagem a Aleksandr Bortnikov, chefe do Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB), e não fez ameaças sobre possíveis consequências caso o presidente Vladimir Putin ignorasse a avaliação do diretor da CIA e decidisse continuar o conflito.

Analistas da CIA há muito questionam se os assessores de Putin têm fornecido ao presidente avaliações honestas sobre a trajetória da guerra e seus custos.

A CIA mantém há anos canais de comunicação com o FSB e com o serviço de inteligência estrangeira da Rússia, conhecido como SVR. Esses canais funcionam paralelamente a outros contatos com autoridades russas liderados pelo enviado do presidente Donald Trump, Steve Witkoff, e por Jared Kushner, genro do presidente.

Algumas autoridades disseram esperar que Putin, ele próprio um ex-oficial de inteligência, veja uma mensagem vinda diretamente do diretor da CIA como mais urgente e confiável do que comunicações feitas pelos canais diplomáticos tradicionais.

No ano passado, Trump e alguns de seus principais assessores aparentavam acreditar que uma vitória militar russa sobre a Ucrânia era inevitável. Desde então, porém, as forças russas sofreram perdas expressivas, e seus avanços no campo de batalha perderam força.

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Não está claro se a mensagem de Ratcliffe sinaliza alguma mudança na política dos Estados Unidos em relação à Rússia ou à Ucrânia.

A visita foi a mais recente tentativa do governo Trump de dar novo impulso às negociações paralisadas. Tem se tornado cada vez mais evidente que a Ucrânia não pretende abandonar sua luta no leste do país, mesmo com a redução do apoio militar americano.

Diante do que descreveu como uma realidade militar e econômica sombria para a Rússia, Ratcliffe disse a Bortnikov que acredita ser hora de Moscou se engajar em negociações sérias para encerrar a guerra.

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