Bloqueio naval pode abalar economia no Irã e encerrar guerra mais cedo, diz analista

Ação dos EUA pode desencadear colapso econômico acelerado, com queda das exportações de petróleo, falta de divisas e desvalorização cambial

Jason Ma Fortune

Helicóptero decola de navio militar americano (Forot: Divulgação/Marinha dos EUA)
Helicóptero decola de navio militar americano (Forot: Divulgação/Marinha dos EUA)

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O bloqueio dos EUA a navios que entram ou saem de portos iranianos entrou em vigor na segunda-feira (13), enquanto o presidente Donald Trump busca pressionar o Irã cortando sua receita de petróleo.

A economia iraniana já estava em frangalhos antes de os EUA e Israel lançarem sua guerra contra a república islâmica há mais de seis semanas, e relatos indicam que os bombardeios incessantes levaram o regime ao limite.

Apesar das pesadas perdas sofridas pelas forças armadas iranianas, o país ainda tem mísseis e drones suficientes para fechar efetivamente o Estreito de Ormuz, ao mesmo tempo em que permite a passagem de seus próprios petroleiros. O controle de Teerã sobre essa estreita via marítima é sua arma mais poderosa enquanto os mercados globais de energia sofrem com a escassez, mas um bloqueio dos EUA poderia inverter o jogo.

“Ao pressionar essa máquina de dinheiro, a economia entra em queda livre, dando aos aiatolás a tão necessária motivação para negociar de fato”, escreveu Robin Brooks, pesquisador sênior da Brookings Institution, em uma publicação no Substack na segunda-feira.

Isso ocorre após as conversas entre EUA e Irã no Paquistão terem fracassado no fim de semana, colocando em dúvida um frágil cessar-fogo de duas semanas, já que ambos os lados parecem não estar dispostos a ceder.

Brooks reconheceu que o regime pode não se importar com as dificuldades econômicas enfrentadas pelo povo iraniano devido ao bloqueio, acrescentando que não está claro por quantas semanas ele precisaria permanecer em vigor para levar Teerã a negociar.

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“Mas o que eu sei é o seguinte: à medida que as exportações de petróleo do Irã colapsarem, não haverá dinheiro para importações, então a atividade econômica desmorona, a moeda entra em uma espiral de desvalorização e a hiperinflação se instala”, previu.

De fato, a hiperinflação pode estar próxima. Moradores de Teerã e de outras cidades disseram à Reuters que alguns preços subiram cerca de 40% desde o início da guerra, enquanto o rial caiu 8% frente ao dólar no mercado paralelo.

As consequências econômicas de um bloqueio são tão graves que Brooks declarou: “Não tenho a menor dúvida” de que o regime voltará à mesa de negociações.

É claro que interromper o fluxo de petróleo iraniano pode causar mais turbulência nos mercados de energia. Mas ele destacou que o Irã é um fornecedor relativamente pequeno de petróleo, e que cortar sua produção não deve elevar o Brent muito acima de US$ 120 por barril. Na segunda-feira, o preço de referência subiu 6%, para US$ 100,88, após ter avançado 8% mais cedo.

De modo geral, o bloqueio tem mais vantagens do que desvantagens, e seu efeito sobre o petróleo é um risco administrável, acrescentou: “O objetivo é encerrar esta guerra mais rapidamente, levando os aiatolás à mesa de negociações de boa-fé”.

Brooks vem defendendo um bloqueio naval desde que o Irã fechou o Estreito de Ormuz. Outros também têm apontado essa medida como a opção preferível em relação ao envio de tropas terrestres dos EUA para assumir o controle do estreito.

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O bloqueio também fica muito aquém das ameaças apocalípticas anteriores de Trump de bombardear o Irã “de volta à Idade da Pedra” e de eliminar sua civilização.

Miad Maleki, conselheiro sênior da Foundation for Defense of Democracies e ex-funcionário do Departamento do Tesouro, calculou que o bloqueio naval dos EUA causará ao Irã cerca de US$ 435 milhões por dia em prejuízos econômicos, ou US$ 13 bilhões por mês.

“O rial entra em colapso terminal. As alternativas do Irã fora do Estreito conseguem substituir menos de 10% do fluxo do Golfo. O bloqueio torna a continuidade da resistência economicamente impossível”, escreveu ele no X.

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