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Enquanto as gigantes de tecnologia disputam a liderança na corrida da inteligência artificial, as principais universidades dos Estados Unidos também estão em busca dos melhores recursos para estudar e pesquisar a tecnologia. E a University of Southern California (USC) acaba de receber uma enorme aposta de um dos mais proeminentes investidores de venture capital do país para colocá-la firmemente nessa disputa.
A USC anunciou que Mark Stevens, bilionário do venture capital, membro do conselho da Nvidia e signatário do Giving Pledge, e sua esposa, Mary Stevens, estão doando impressionantes US$ 200 milhões (R$ 979 milhões) para lançar uma iniciativa de IA em toda a universidade.
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A doação está entre as maiores dos 146 anos de história da instituição. Em reconhecimento, a School of Advanced Computing, vinculada à Viterbi School of Engineering (uma das principais escolas de engenharia do país), passará a se chamar USC Mark and Mary Stevens School of Computing and Artificial Intelligence.
“Como um dos principais destinos para talentos em IA, a USC pode acelerar nossa missão de formar futuros líderes, enfrentar problemas do mundo real e ampliar os valores humanos e a autonomia das pessoas”, afirmou o presidente da USC, Beong-Soo Kim, em comunicado.
A doação de US$ 200 milhões financiará a contratação de pesquisadores de IA e apoiará trabalhos nas áreas de ciências da saúde, segurança, negócios e artes.
“Sabemos que as grandes universidades do futuro serão aquelas que investirem em computação”, disse Stevens, que também é ex-aluno da USC, em comunicado. “Este é um momento decisivo.”
Quem é Mark Stevens?
Stevens, de 66 anos, obteve bacharelado em engenharia elétrica e economia pela USC em 1981 e mestrado em engenharia da computação pela universidade em 1984. Depois, concluiu um MBA na Harvard Business School em 1989.
Ele entrou para a Sequoia Capital no mesmo ano e se tornou sócio em 1993, quando liderou o investimento da Sequoia na então desconhecida fabricante de chips Nvidia. Liderada por Jensen Huang, a Nvidia hoje é considerada a empresa mais valiosa do mundo e possui valor de mercado de US$ 5 trilhões. Stevens continua no conselho da Nvidia e administra sua própria empresa de gestão patrimonial familiar, a S-Cubed Capital, em Menlo Park.
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Durante sua trajetória na Sequoia, Stevens integrou a equipe responsável por apostas iniciais em Google, Yahoo, YouTube e Nvidia. Ele deixou a Sequoia para criar a S-Cubed Capital em 2012.
O retorno financeiro foi enorme: segundo o Bloomberg Billionaires Index, Stevens possui patrimônio líquido de US$ 12,5 bilhões e também detém participação no time da NBA Golden State Warriors.
Signatário do Giving Pledge reforça apoio à universidade onde estudou
Em 2013, Mark Stevens e Mary Stevens assinaram o Giving Pledge, compromisso criado por Warren Buffett, Bill Gates e Melinda French Gates para incentivar bilionários a doar a maior parte de suas fortunas.
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“Mary e eu percebemos que tínhamos muito mais riqueza do que jamais precisaríamos e começamos a pensar no que fazer com isso”, escreveu Mark Stevens em sua carta ao Giving Pledge.
“Havia quatro opções: 1) dar aos filhos (temos três), 2) deixar o governo tirar isso de você e redistribuir, 3) gastar sem qualquer limite ou 4) doar praticamente tudo para causas e organizações que acreditamos poderem fazer diferença no mundo.”
“Estamos entusiasmados em dedicar uma parcela significativa do nosso tempo e energia futuros à quarta opção”, continuou.
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A USC tem sido uma beneficiária constante. Stevens integra o conselho diretor da universidade desde 2001, e as doações anteriores do casal incluem US$ 50 milhões (R$ 245 milhões), em 2015, para criar o USC Mark and Mary Stevens Neuroimaging and Informatics Institute, que usa tecnologias de imagem para estudar Alzheimer, esquizofrenia e lesões cerebrais traumáticas, além de outras doações que deram nome ao USC Stevens Center for Innovation e ao Stevens Academic Center para estudantes-atletas.
A nova promessa de doação de US$ 200 milhões ampliará o trabalho em neuroimagem e direcionará recursos ao USC Institute for Creative Technologies, centro de pesquisa afiliado ao United States Army que usa IA em simulações de treinamento militar, além do novo bacharelado em inteligência artificial da USC e de seu programa AI for Business.
Universidades correm para acompanhar
Stevens afirmou ao jornal Los Angeles Times que as universidades correm o risco de ficar para trás se não avançarem rapidamente em IA, especialmente porque grande parte das pesquisas mais avançadas migrou para empresas privadas.
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“Acho que muitas universidades americanas correm o risco de ficar para trás se não investirem e arrecadarem recursos para impulsionar a revolução da IA”, disse Stevens. Ele também reconheceu os riscos da tecnologia, acrescentando que “a IA nas mãos erradas… pode ser muito destrutiva”.
“Acho que uma das funções das universidades americanas é compreender, ter uma abordagem equilibrada e entender os limites e mecanismos de proteção que precisam ser seguidos à medida que a IA se dissemina”, continuou.
Diversos outros bilionários também fizeram doações a universidades americanas para ajudá-las a acompanhar a corrida da IA.
No mês passado, Michael Dell e Susan Dell doaram US$ 750 milhões (R$ 3,7 bilhões) à University of Texas at Austin para financiar um centro médico desenvolvido desde o início em torno da IA, elevando as doações totais da família Dell à universidade para mais de US$ 1 bilhão (R$ 4,9 bilhões).
Em janeiro, o bilionário da tecnologia e cofundador da Workday, David Duffield, doou um valor recorde de US$ 371,5 milhões (R$ 1,8 bilhão) à escola de engenharia da Cornell University, com parte dos recursos destinada a pesquisas em IA e engenharia quântica, segundo o Ithaca Voice.
Já o CEO da Blackstone, Stephen Schwarzman, destinou US$ 350 milhões (R$ 1,7 bilhão) ao Massachusetts Institute of Technology em 2018 para criar o Schwarzman College of Computing, um centro interdisciplinar voltado à IA.
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