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Lila Ibrahim, do Google DeepMind, não tinha formação formal em IA ou pesquisa quando se tornou a primeira diretora de operações (COO) da empresa em 2018. Seu currículo, no entanto, incluía colher milho no estado americano do Indiana aos 14 anos por “uns US$ 1 e pouco” por hora — um trabalho de verão exaustivo que a deixava suada, cortada e certa de que queria um futuro diferente.
“Tive origens muito humildes”, Ibrahim disse exclusivamente à Fortune, acrescentando que seus pais eram imigrantes, equilibrando carreiras em um novo país com a criação de três filhos, incluindo um com paralisia cerebral. “Foi feliz, mas desafiador em muitos aspectos financeiros.”
“Então trabalhei nos campos de milho de Indiana, literalmente arrancando pendões, voltando para casa com cortes, feridas e suando. Era um trabalho muito pesado”, lembrou, acrescentando que rapidamente descartou uma carreira na agricultura. “Mas eu tinha uma ética de trabalho muito forte.”
Essa ética de trabalho a levou dos campos de milho de Indiana para um laboratório da Purdue, onde trabalhou com DNA de moscas-das-frutas como assistente de pesquisa ainda no ensino médio. Depois, a carregou por duas décadas de ascensão na Intel, com passagens por Santa Clara, Tóquio, Hong Kong e Xangai. Antes de deixar a Intel em 2010, era chefe de gabinete responsável por 85 mil pessoas e acabara de ter gêmeos.
Hoje, ela é uma das executivas mais seniores que restaram no Google DeepMind, em meio a uma das maiores reestruturações da história da empresa. O cofundador e CEO, Demis Hassabis, acaba de deixar o cargo para uma função mais consultiva em meio a modelos atrasados, uma onda de saídas de alto perfil e relatos de baixo moral. Em meio a tudo isso, Ibrahim permaneceu, encarregada de ajudar o mundo a se preparar para a IA.
Ser a “forasteira” na infância a fez se sentir confortável em ser a forasteira no trabalho
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Em 2017, Lila Ibrahim passou mais de 50 horas entrevistando-se para o cargo de primeira COO do Google DeepMind. No início deste ano, foi promovida a outro cargo inédito na empresa: diretora de prontidão para IA (chief AI readiness officer).
Mas para Ibrahim, ser “a primeira” não era novidade. “Tive que me sentir muito confortável muito cedo na vida com o fato de que eu era uma forasteira”, explicou Ibrahim.
Seu pai libanês perdeu ambos os pais quando criança antes de se mudar para os EUA. Já sua mãe palestina, segundo ela, era “ambiciosa demais” para ficar em seu país de origem — era também uma das poucas mães que Ibrahim conhecia que trabalhava e fazia viagens de negócios regularmente. Enquanto isso, seu pai trabalhava como engenheiro nos primeiros marcapassos cardíacos e em tecnologia de segurança automotiva.
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“Quando olho para trás agora, vejo que eles moldaram grande parte de quem sou hoje”, acrescentou Ibrahim.
Não apenas eles eram incomuns por terem rompido tanto com seu ponto de partida — imigrando sozinhos, construindo carreiras e criando uma família em um país onde nenhum dos dois havia crescido —, mas Ibrahim também não conseguia deixar de se destacar em todos os ambientes em que esteve quando crescia. Como árabe-americana de primeira geração e, mais tarde, uma das únicas mulheres em suas turmas de engenharia elétrica, ela aprendeu cedo a se sentir confortável sendo diferente.
“Apesar de ter cabelo escuro, inglês como segunda língua e ter crescido no meio-oeste dos Estados Unidos, aprendi que a oportunidade está em toda parte, e você não é definida por nada além da sua própria curiosidade”, disse Ibrahim. “E foi assim que minha carreira começou.”
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Essa disposição para apostar na oportunidade menos óbvia definiu a carreira de Ibrahim. Fez com que ela deixasse uma longa trajetória na Intel para seguir para capital de risco e depois edtech — e, em 2018, mudasse sua família do Vale do Silício para Londres para se tornar a primeira COO de um laboratório de pesquisa em IA, apesar de não ter formação formal em IA.
“Sempre senti que via oportunidades onde outros não viam, e via soluções em lugares onde outros não viam”, acrescentou. “Naturalmente, por ser uma forasteira, não tradicional, uma não conformista em certo sentido, quando surgiam brechas e oportunidades, eu era a primeira a levantar a mão.”
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