Análise: Visa e Mastercard querem sacudir mercado de stablecoins, mas não será fácil

Stablecoins são criptomoedas cujo valor é menos variável, e a criação de uma nova plataforma poderia remodelar esse mercado

Jeff John Roberts Fortune

Foto: Anna Barclay/Getty Images/Fortune
Foto: Anna Barclay/Getty Images/Fortune

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O mercado de stablecoins, que há uma década é dominado pela Tether e pela Circle, pode estar muito diferente daqui a um ano. Os principais nomes tradicionais do setor de pagamentos, Visa e Mastercard, vêm rondando esse segmento há algum tempo e, segundo informações, estão elaborando um plano com outros grandes participantes para dar sua própria versão às stablecoins.

De acordo com uma reportagem da CoinDesk, as gigantes dos cartões de crédito estão em negociações com a Stripe e a Coinbase para lançar uma plataforma de stablecoins. A reportagem, baseada em fontes anônimas, trouxe poucos detalhes sobre cronograma ou funcionamento do projeto.

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Investiguei o assunto e descobri que realmente existem conversas sobre um novo consórcio e que outras empresas também podem estar envolvidas nas negociações.

Se algo de fato surgir dessas conversas, as implicações serão enormes para um mercado de stablecoins cujo valor já supera US$ 300 bilhões.

Para começar, a nova parceria aceleraria a adoção das stablecoins em todo o sistema de pagamentos do varejo, onde Visa, Mastercard e Stripe já processam uma parcela gigantesca das transações do dia a dia.

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Também existe a questão do que isso significaria para a Circle, cujo principal token, o USDC, responde pela maior parte da atividade com stablecoins reguladas na América do Norte e na Europa.

As conversas sobre o possível consórcio falam de uma “plataforma” de stablecoins, mas é bastante provável que Mastercard, Visa e Coinbase usem esse arranjo para incentivar seus milhões de clientes comerciais a adotar algum tipo de token próprio. Isso abriria novas oportunidades de receita com os juros das reservas e outras fontes de ganhos.

Quanto à Coinbase, é mais difícil enxergar o que ela ganharia ao abrir uma plataforma de stablecoins com a Stripe e as gigantes dos cartões.

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Atualmente, a empresa desfruta de um acordo muito vantajoso graças a um contrato firmado em 2023 com a Circle, que lhe permite ficar com a maior parte dos juros gerados pelas reservas do USDC, enquanto a Circle assume a maior parte das responsabilidades operacionais e regulatórias.

Esse arranjo, porém, não é permanente, e certamente a Circle será menos generosa quando chegar a hora de renegociar os termos. Tudo isso sugere que a Coinbase pode enxergar melhores oportunidades ao apostar em uma nova parceria para stablecoins.

[Atualização: Após a publicação desta matéria, um porta-voz enviou o seguinte comentário da última teleconferência de resultados da empresa: “Os contratos que temos com a Circle estão estabelecidos e… são renovados automaticamente. Portanto, esperamos continuar nossa relação com a Circle sob esses mesmos termos.”]

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A maior questão, porém, é saber se algo disso realmente acontecerá. Com base nas minhas conversas, ainda não existe um acordo formal e talvez nem mesmo memorandos de entendimento. Por enquanto, a notícia sobre “negociações” parece ser exatamente isso — negociações.

E conversas desse tipo acontecem o tempo todo no mundo dos negócios. Embora um grande acordo envolvendo stablecoins possa avançar, a história mostra que consórcios são mais difíceis de concretizar do que parecem.

Basta lembrar dos ambiciosos planos de parceria da Libra, do Facebook, em 2019, ou da iniciativa da R3 para criar uma coalizão blockchain de bancos, uma década atrás.

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Para que essa possível parceria de stablecoins saia do papel, as empresas terão de alcançar um nível de confiança que costuma ser difícil entre concorrentes e também encontrar uma forma de acertar os detalhes em meio às burocracias de várias grandes corporações.

Além disso, mesmo na era mais liberal de Donald Trump, parece provável que os órgãos de defesa da concorrência examinem com atenção qualquer plano que envolva as maiores empresas de pagamentos do mundo fazendo negócios em conjunto.

Por enquanto, porém, ainda é muito cedo, e provavelmente levará meses até que surjam novas informações sobre o assunto — se é que ele avançará.

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