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Mesmo americanos que ganham seis dígitos estão se sentindo pressionados, à medida que o custo de vida crescente força aqueles nos mais altos níveis de renda a reduzir despesas e procurar maneiras de esticar seu dinheiro, de acordo com uma pesquisa da Harris Poll.
Os resultados revelam um surpreendente senso de ansiedade econômica, com 64% dos que ganham seis dígitos dizendo que sua renda não é um marco de sucesso, mas apenas o mínimo necessário para se manterem.
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“Nossos dados mostram que até mesmo pessoas com alta renda estão financeiramente ansiosas — elas vivem a ilusão de prosperidade enquanto secretamente lidam com cartões de crédito, dívidas e estratégias de sobrevivência”, disse Libby Rodney, diretora de estratégia e futurista da Harris Poll, em comunicado.
Na verdade, aqueles que ganham US$ 200 mil (R$ 1,06 milhão) ou mais por ano recorreram a táticas financeiras frequentemente associadas a consumidores menos favorecidos.
Por exemplo, 64% disseram ter usado pontos de recompensa para pagar itens essenciais, 50% usaram planos de “compre agora, pague depois” para compras abaixo de US$ 100, e 46% dependem de cartões de crédito para conseguir cobrir as despesas.
O relatório da Harris Poll também revelou como esses grandes ganhadores evitam gastos: 49% deixaram de ir a um evento social para não dividir a conta, 48% fingiram que um aplicativo como Venmo ou Zelle (app de divisão de contas nos EUA) não estava funcionando para evitar um pagamento, e 45% adiaram consultas médicas devido ao custo.
E, como a maioria dos americanos, aqueles com renda de seis dígitos também relatam que mantimentos e outros itens essenciais, além de custos com moradia e saúde, são as principais despesas que drenam sua renda.
Em outro sinal de como esses trabalhadores de alta renda estão no limite, eles também estão procurando maneiras adicionais de ganhar dinheiro extra ou economizar, segundo a Harris Poll.
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Para se manter financeiramente, eles estão atualmente envolvidos ou considerando bicos paralelos (61%), vender itens pessoais (53%), pular refeições (41%), alugar total ou parcialmente sua casa (41%) e recorrer à renegociação de dívidas ou falência (38%).
“A ilusão de riqueza é exaustiva: muitos que ganham grandes salários dizem que as pessoas presumem que eles podem pagar por tudo, mas por trás da imagem de sucesso existem sacrifícios silenciosos: compras evitadas, planos adiados e um senso frágil de segurança”, disse o relatório.
As pressões financeiras detalhadas na pesquisa ajudam a explicar por que varejistas de desconto como o Walmart têm reportado um aumento no número de clientes de renda mais alta comprando em suas lojas.
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Enquanto isso, os eleitores nas eleições deste mês enviaram uma mensagem forte aos legisladores de que a acessibilidade permanece uma preocupação central, mesmo com a inflação tendo se reduzido substancialmente desde o pico de 2022.
E, se americanos mais ricos estão sentindo tanta ansiedade, isso pode sinalizar que a economia como um todo está em terreno mais instável, já que os 20% mais ricos têm impulsionado o crescimento nos últimos anos.
“Os dados também mostram que a economia dos EUA está sendo amplamente sustentada pelos mais favorecidos”, disse Mark Zandi, economista-chefe da Moody’s, em setembro. “Enquanto eles continuarem gastando, a economia deve evitar uma recessão, mas se eles ficarem mais cautelosos, por qualquer motivo, a economia terá um grande problema.”
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