Conteúdo editorial apoiado por

Farm: a gigante de moda que começou com R$ 1.200

A Farm, gigante de moda, faturou R$ 2 bilhões no ano passado, mas sua história começa com uma "quase falência" dos fundadores

Mariana Amaro

O episódio completo está disponível no Youtube; a lista com os outros episódios está aqui no InfoMoney

Publicidade

Algumas das grandes histórias de sucesso começam com um fracasso – e a trajetória da gigante da moda Farm, hoje parte do Grupo Soma (SOMA3) não foi diferente. A primeira empreitada dos amigos e sócios Marcello Bastos e Kátia Barros deu muito errado. A primeira razão para isso, segundo o próprio Marcello, em entrevista ao podcast Do Zero ao Topo, era a falta de experiência na área.

Antes, ele trabalhava como representante comercial de jornais argentinos e ela, formada em ciências contábeis, estava empregada em uma das grandes consultorias de negócios.

“A gente escolheu a marca errada, para o público errado, no shopping errado. Em um ano de operação, perdemos dois apartamentos em Ipanema e três carros 0km. Assim começa a minha aventura com a Kátia”, diz.

Continua depois da publicidade

Domine a estratégia perfeita para quem busca mais resultado em menos tempo na bolsa, operando menos de 30 minutos por dia

A virada de chave

Depois de assumir a derrota e decidir fechar a loja, Kátia conheceu a Babilônia Feira Hype, uma grande feira de moda que acontecia embaixo de uma gigantesca lona de circo com estandes de 4 metros quadrados. Convencida de que esse era o ponto de partida ideal para uma nova empreitada no setor de moda, Kátia conversou com Marcello para que testassem a venda de bodys. “Eu não sabia nem o que era isso. Ela disse que era tipo um ‘collant’ que fecha embaixo e que era isso que eu precisava saber, por enquanto”, resume.

Foto aérea da Babilônia Feira Hype, no Rio de Janeiro: foi lá que a Farm deu seus primeiros passos (Foto: Arquivo pessoal)

Em um pedaço de papel, ela desenhou seis modelos e disse “isso é o que vai bombar”. A dupla, sem saber muito bem por onde começar, foi para um polo têxtil no Rio de Janeiro e entrou em uma loja de tecidos. “Fomos atendidos por uma moça que acabou virando uma das maiores consultoras de moda do Brasil, a Renata Abranchs. Chegamos na loja às 10h, saímos umas 16h com tudo comprado para fazer a quantidade de roupa que a gente queria”, relembra Marcello.

Continua depois da publicidade

Leia também: Brisanet (BRIT3): a história do homem que conectou o sertão

A dupla saiu de lá direto para uma facção para aprovar os pilotos e a coleção. “Resultado: saímos às 2h da manhã dessa facção com a coleção da Farm pronta. Eram 190 peças em seis modelos porque era o que a gente tinha dinheiro para comprar”, afirma. E completa: “Começamos a Farm com R$ 1.200 que era o dinheiro do aluguel do estande e das roupas e no ano passado fechamos quase R$ 2 bilhões na Farm e Farm Global em 2023”, afirma.

Estande da Farm no Babilônia Feira Hype, entre o final da década de 1990 e começo dos anos 2000: a empresa começou com um investimento de R$ 1.200 (Foto: Farm/Divulgação)

No quinto evento — era um por mês — aquele pequeno espaço de 4 metros quadrados já era o que mais vendia entre os 250. Com o sucesso, os dois foram aprender: Kátia entrou em uma faculdade de moda e Marcello foi estudar varejo. “A gestão do negócio de varejo é muito difícil, porque precisamos de caixa o tempo inteiro. Eu olhava o caixa e a gente tinha R$ 2.000. Um tempo depois, ia olhar de novo e, mais uma vez, tinha R$ 2.000”, afirma.

Continua depois da publicidade

Crescendo aos poucos, a Farm só foi ter sua primeira loja física dois anos depois da estreia na feira. Mas, sem dinheiro para pagar uma luva de shopping (e ainda um pouco traumatizados com a experiência anterior), os sócios fizeram uma escolha um tanto incomum: abriram um espaço em um edifício comercial. “Era um prédio com contador, dentista. E abrimos uma loja com arquitetura de shopping no sétimo andar. Você não tem ideia do que aconteceu com o prédio. Na hora do almoço, fazia fila de 30 metros para entrar nos elevadores”, relembra.

A quase falência da Farm

Marcello Bastos, cofundador da Farm, em entrevista ao podcast Do Zero ao Topo (Foto: Reprodução/Youtube)

Em dois momentos, a Farm quase quebrou. Logo no começo, quando já tinha três lojas, a empresa montou um planejamento que acabou se desregulando. Em 15 de dezembro de 2001, Marcello olhou para o estoque e definiu que para as vendas de fim de ano, precisaria ter 15.000 peças no estoque.

“Olhei em volta e achei que tinha um pouco mais, então resolvi fazer um inventário – que nunca tinha feito. Quando contei as primeiras 5.000 e comparei com o resto, percebi que tinha muito mais. Minha pressão subiu e tive que ir para o hospital. Estava com 45.000 peças: naquele momento, estávamos tecnicamente quebrados”, diz.

Continua depois da publicidade

Desesperados com o estoque gigante, pensaram onde conseguiriam vender tantas peças. A solução foi ir para Búzios, um dos destinos mais procurados do Brasil no fim do ano. “Encontramos a única loja disponível na Rua das Pedras e alugamos. Montamos com uma instalação. Conseguimos sair do buraco e o mercado todo ficou pensando: ‘nossa, esses meninos da Farm estão bombando’. Mal sabiam eles que era desespero absoluto”, afirma.

O segundo momento em que a Farm quase quebrou acabou resultando na fusão com a Animale. Para saber mais detalhes sobre este episódio e conhecer outros capítulos da história da empresa, sua estratégia para o crescimento internacional e seus planos para o futuro, veja o episódio completo publicado na última sexta-feira (05) no Do Zero ao Topo. O programa está disponível em vídeo no YouTube e em sua versão de podcast nas principais plataformas de streaming como ApplePodcastsSpotify, DeezerSpreakerGoogle PodcastCastbox e Amazon Music.

Sobre o Do Zero ao Topo

O podcast Do Zero ao Topo é uma produção do InfoMoney e traz, a cada sexta-feira, a história de mulheres e homens de destaque no mercado brasileiro para contar a sua história, compartilhando os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias usadas na construção do negócio.

O programa já recebeu nomes como José Roberto Nogueira, fundador da Brisanet; Fernando Simões, do Grupo Simpar;  Guilherme Benchimol, fundador da XP Investimentos; Rodrigo Galindo, chairman da Cogna; Mariane Morelli, cofundadora do Grupo Supley; Luiz Dumoncel, CEO e fundador da 3tentos; Antonio Carlos Nasraui, CEO do Rei do Mate; Stelleo Tolda, um dos fundadores do Mercado Livre; o empresário Abílio DinizPaulo Nassar, fundador e CEO da Cobasi;  José Galló, executivo responsável pela ascensão da Renner; e contou dezenas de histórias de sucesso. Confira a lista completa de episódios do podcast neste link.

Mariana Amaro

Editora de Negócios do InfoMoney e apresentadora do podcast Do Zero ao Topo. Cobre negócios e inovação.