EUA dão US$ 1 bi à IBM e ampliam aposta em chips de computação quântica

Pacote do governo Trump inclui participação acionária em várias empresas e mira TAM trilionário em aplicações de segurança, fármacos e finanças

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A administração Trump concordou em conceder US$ 1 bilhão à IBM para construir uma fundição dedicada à produção de chips de computação quântica, como parte de uma estratégia mais ampla para reforçar a liderança dos Estados Unidos em um setor emergente.

A IBM também vai investir US$ 1 bilhão em uma nova empresa, chamada Anderon, que será responsável pela fabricação desses processadores, informou a companhia em comunicado nesta quinta‑feira.

As ações da IBM subiram 4,1% no pré‑mercado em Nova York. Outros papéis de companhias contempladas pelos recursos também avançaram. A GlobalFoundries, fabricante de semicondutores que desenvolve chips especializados para computação quântica, chegou a subir 11%. A D‑Wave ganhou 20%, a Rigetti avançou 20% e a Infleqtion disparou 36%.

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Governos vêm alinhando financiamentos para computação quântica, uma tecnologia ainda incipiente que, segundo pesquisadores, pode viabilizar novas capacidades em áreas que vão da descoberta de medicamentos à quebra de padrões atuais de criptografia. Embora, por enquanto, as máquinas sejam usadas principalmente para pesquisa, o potencial de processamento é visto como um risco de segurança nacional, já que poderia romper sistemas que protegem dados de bancos e governos.

Além da IBM, o governo americano destinou recursos a mais de meia dúzia de empresas. A GlobalFoundries está recebendo US$ 375 milhões, segundo comunicado da própria empresa. D‑Wave, Rigetti, Infleqtion e PsiQuantum informaram, em notas separadas, que assinaram cartas de intenções com o Departamento de Comércio dos EUA para aportes de até US$ 100 milhões cada. Também foram contempladas com US$ 100 milhões a Atom e a Quantinuum, enquanto a startup Diraq ficará com US$ 38 milhões.

Os acordos, que ainda não foram finalizados, fazem parte de um pacote mais amplo de US$ 2 bilhões do Departamento de Comércio para apoiar a computação quântica, com recursos da Lei de Chips e Ciência de 2022 (Chips and Science Act). Segundo comunicado do próprio Departamento, o governo americano deverá receber participações acionárias minoritárias e sem direito a controle nessas empresas em troca dos aportes.

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Especificamente, os recursos sairão de um escritório de pesquisa e desenvolvimento que recebeu US$ 11 bilhões no âmbito da lei de chips — um programa maior, de US$ 52 bilhões, sancionado à época pelo então presidente Joe Biden para impulsionar a indústria de semicondutores dos EUA.

No ano passado, o secretário de Comércio, Howard Lutnick, cancelou US$ 7,4 bilhões dos US$ 11 bilhões que haviam sido destinados a uma organização sem fins lucrativos para pesquisa, redirecionando parte desse dinheiro para investimentos com potencial de retorno financeiro para o governo. A decisão de passar a apoiar empresas quânticas também faz parte da estratégia de redesenho da Chips and Science Act de 2022.

Um conjunto de startups e grandes empresas, incluindo Microsoft e Google, da Alphabet, tenta aplicar princípios da física quântica para tornar os computadores exponencialmente mais potentes do que as máquinas atuais.

Essas companhias apostam que o campo, ainda em estágios iniciais e baseado nas regras que regem partículas subatômicas para manipular e transmitir informação, está se aproximando de aplicações concretas em áreas como desenvolvimento de fármacos e finanças.

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