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Estimativas para a colheita de soja em MT e no Brasil continuam a recuar

Calor e falta de chuvas prejudicaram as lavouras do Estado nesta safra 2023/24

Fernando Lopes

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O calor e as chuvas irregulares que afetaram as lavouras de soja de Mato Grosso do início da semeadura até o fim do ano passado levaram o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea/Famato) a revisar para baixo sua estimativa para a colheita do grão no Estado nesta safra 2023/24. Segundo o órgão, o volume deverá chegar a 39 milhões de toneladas, 3,1 milhões a menos que o projetado em dezembro e marca 13,9% inferior à alcançada no ciclo 2022/23.

De acordo com o Imea, a área plantada chegou a 12,2 milhões de hectares, estável em relação à temporada passada, mas a produtividade média cairá para 53,59 sacas de 60 quilos por hectare. Nas regiões médio-norte e sudeste de Mato Grosso, menos prejudicadas pela combinação entre El Niño e aquecimento das águas do Atlântico Tropical, as médias tendem a superar 54 sacas, mas os produtores do oeste, do centro-sul e do nordeste do Estado colherão menos que 53 sacas.

Até sexta-feira, a colheita foi concluída em 6,5% da área semeada em Mato Grosso. Trata-se do ritmo mais acelerado da série histórica do Imea, mas por causa do encurtamento do ciclo da soja em algumas áreas, em decorrência das intempéries. Boa parte dessas áreas receberá algodão na segunda safra, e com isso o plantio vem se desenvolvendo com rapidez

A segunda safra representa 83% da produção de algodão em Mato Grosso. Nas contas do Imea, a semeadura já foi feita em 36,7% da área estimada até sexta-feira, 22 pontos percentuais a mais que no mesmo período do ano passado. A área plantada deverá alcançar 1,35 milhão de hectares em 2023/24, um novo recorde, e a produção de algodão em caroço tende a ficar em torno de 5,8 milhões de toneladas.

No caso da safrinha de milho, o plantio foi concluído em 1,2% da área prevista – 7 milhões de hectares, em queda de 6,3%, em razão dos preços pouco atraentes – até o fim da semana passada, percentual levemente superior ao observado um ano atrás. A produção mato-grossense de milho não deverá superar 44 milhões de toneladas, em queda de quase 1’7%, de acordo com o Imea.

SOJA NO BRASIL

Em virtude dos problemas em Mato Grosso, que lidera a produção brasileira de grãos, órgãos públicos e privados continuam a cortar suas estimativas para a colheita de soja no Brasil, maior player do mundo nessa frente. Na semana passada, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reduziu seu cálculo em quase 5 milhões de toneladas e passou a dimensionar a safra 2023/24 da oleaginosa em 155,3 milhões de toneladas, ainda 0,4% acima de 2022/23 e um novo recorde

Também na semana passada, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), por sua vez, baixou sua expectativa de 161 milhões para 157 milhões de toneladas. Nesta semana, a consultoria AgRural cortou sua projeção em 9 milhões de toneladas, para 150,1 milhões. Já a Pátria AgroNegócios passou a trabalhar com 143,2 milhões de toneladas, enquanto a Aprosoja Brasil, entidade que representa produtores de soja e milho, reduziu sua previsão para apenas 135 milhões de toneladas.    

No início da semeadura o potencial produtivo se aproximava de 165 milhões de toneladas, daí porque a quebra será uma das maiores da história, apesar da recuperação da produção na região Sul, que no ciclo 2022/23 sofreu com a seca gerada pelo fenômeno La Niña.

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