“Espero que retirem o cavalinho”, diz ex-presidente da Ferrari sobre novo carro

O Luce marca entrada da Ferrari no segmento de veículos 100% elétricos, um marco importante para uma fabricante associada a motores de combustão de alto desempenho e seu som característico

Reuters

Ferrari Luce (Foto: Divulgação)
Ferrari Luce (Foto: Divulgação)

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As ações da Ferrari despencaram nesta terça-feira, ⁠com investidores e críticos reagindo friamente ao novo carro elétrico Luce da fabricante ‌italiana de carros esportivos de luxo, questionando se ele se mantinha fiel à identidade da marca.

O carro familiar de quatro portas e cinco lugares, que custa € 550 mil, representa uma ‌mudança radical para a marca do cavalinho rampante. Ele foi desenvolvido com a ajuda do ex-diretor de design da Apple Jony Ive e de seu coletivo LoveFrom.

Fabio Caldato, gestor de carteiras da AcomeA SGR, que detém ações ⁠da ‌Ferrari, disse à Reuters que a reação das ações refletia preocupações mais amplas do ⁠mercado. ‘A Ferrari está sendo penalizada por uma decepção estética, que se soma às significativas preocupações com a expansão de sua linha para incluir modelos elétricos’, afirmou.

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Muitos dos comentários nas redes sociais também foram negativos, com a aparência do veículo sendo alvo de críticas.

‘Não parece nada com uma (Ferrari). É isso que se considera ‘inovação’? Quem sabe ​o que (o fundador da empresa) Enzo Ferrari diria’, escreveu o vice-primeiro-ministro e ministro dos Transportes italiano, Matteo Salvini, no X.

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Primeiro carro totalmente elétrico

Apresentado na noite de segunda-feira, ​o Luce marca a entrada da Ferrari no segmento de veículos totalmente elétricos, um marco importante para uma fabricante de carros de luxo tradicionalmente associada a motores de combustão de alto desempenho e seu som característico.

Luca Cordero di Montezemolo, que ocupou vários cargos de liderança na Ferrari por mais de 20 anos antes de uma saída ‌conturbada em 2014, disse que o novo modelo era uma ​traição à história da Ferrari.

‘Espero que retirem o cavalinho rampante (logotipo) daquele carro’, disse ele à margem de uma conferência de negócios em Roma.

Foco na China

O Luce, cujo nome deriva da palavra italiana para ‘luz’, deverá começar ⁠a ser entregue no quarto ​trimestre. Ele é voltado ​para novos mercados, incluindo a China, onde os veículos elétricos representam uma parcela crescente das vendas de carros premium.

A ⁠Ferrari também está mirando uma nova geração ​de compradores ricos, incluindo empreendedores do setor de tecnologia em polos como o Vale do Silício, buscando ampliar seu apelo para além de sua base de clientes tradicional.

‘Mantemos uma postura racional e partimos ​do princípio de que este novo produto poderá atrair um nicho de mercado de clientes’, disse Caldato, da AcomeA.

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Os compradores da Ferrari normalmente possuem ​mais de um veículo da ⁠marca, o que reflete sua base de clientes rica e voltada para colecionadores.

A reação fria do mercado destaca os ⁠riscos que a Ferrari enfrenta ao tentar preservar sua exclusividade e poder de precificação, enquanto navega por uma mudança mais ampla da indústria em direção à eletrificação.

As montadoras de luxo continuam enfrentando incertezas quanto à demanda por veículos elétricos de alta gama. A Ferrari adiou no ano passado os planos para um segundo modelo elétrico para pelo menos 2028, segundo a ​Reuters.

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