Eneva pode acionar Justiça contra “exagero” sobre acesso a terminais de GNL, diz CEO

Eneva pode acionar Justiça contra "exagero" sobre acesso a terminais de GNL, diz CEO

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SÃO PAULO, 20 ⁠Ago (Reuters) – A Eneva pode acionar a Justiça ⁠contra uma proposta da agência reguladora ANP sobre acesso ‌de terceiros a terminais de gás natural liquefeito (GNL), que a companhia considera um ‘exagero ou preciosidade regulatória’, disse nesta quinta-feira o ‌CEO, Lino Cançado.

‘Voltar atrás ou não na regulamentação, acho que a ANP pode estar no direito dela, agora nós vamos buscar o nosso direito também… se a gente achar que isso não está de acordo com a lei, vai caber à ⁠companhia ‌questionar essa decisão da Justiça’, disse o executivo, em evento ⁠do MegaWhat.

Cançado acrescentou que não há ainda decisão tomada sobre judicializar o tema, e que também não foi apresentado recurso à ANP para reverter a regulamentação.

A diretoria da ANP aprovou no fim de junho uma regulamentação que ​prevê acesso ‘não discriminatório e negociado’ de terceiros a infraestruturas de gás, incluindo terminais de GNL, gasodutos e outras instalações.

Pelas ​novas regras, os donos de terminais de GNL, como a Eneva, teriam que aceitar uma mediação e arbitragem da ANP em negociações privadas com interessados em acessar esses terminais. ‘Se você quer acessar meu terminal, nós vamos negociar, se nós ‌não chegarmos a um acordo, resumidamente, ela (ANP) ​entraria como árbitro desse acordo, e ela arbitraria o acordo baseado em parâmetros dela’, explicou.

Na visão do executivo, isso representa a regulação de um ‘não ⁠problema’, uma vez que ​o mercado de ​gás se ‘autorregula’, com os proprietários desses terminais já ofertando a terceiros a capacidade ⁠disponível de suas instalações.

‘Acho que você ​tem que regular quando tem como monopólio natural… São pelo menos 9 a 10 terminais (no Brasil), de pelo menos cinco agentes diferentes. ​E todos eles ofertam exatamente a capacidade do terminal nas condições do preço que acham que têm ​que ofertar. Se ⁠alguém ofertar por menos, ele perde o negócio e fica para outro.’

Além da Eneva, ⁠também são donas de terminais de GNL a Petrobras, a Edge (da Compass, do grupo Cosan), a New Fortress Energy e GNA. A Âmbar, do grupo J&F, também atua no segmento, tendo arrendado um terminal.