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Empresas estão mais preocupadas com saúde mental, mas agir ainda é desafio

Estudo identifica distância entre declaração das companhias em seus relatórios e a experiência real vivida pelos trabalhadores

Élida Oliveira

(Foto: Vitaly Gariev/Unsplash)
(Foto: Vitaly Gariev/Unsplash)

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O índice geral de preocupação com o bem-estar dos trabalhadores no Brasil aumentou de 5,06 em 2024 para 8,19 em 2025, aponta o Anuário Saúde Mental nas Empresas 2025, do Instituto Philos Org, divulgado nesta sexta-feira (10).

O aumento de 62% reverte a queda registrada no ano anterior, mas ainda está distante da pontuação máxima, de 16. Em 2023, o índice geral havia sido de 5,40.

O estudo, que chega à terceira edição, usa como base as iniciativas declaradas pelas empresas em seus Relatos Integrados e Relatórios de Sustentabilidade.

No entanto, a análise do Anuário aponta que, embora o índice geral tenha crescido, “ainda existe uma distância significativa entre o que as empresas declaram em seus relatórios e a experiência real vivida pelos trabalhadores”. O estudo não apresenta dados individualizados de afastamento por empresa, mas destaca quais setores estão no centro dessa incoerência, com base em seus altos índices de investimento e, ao mesmo tempo, nos dados de afastamentos públicos.

Para Carlos Assis, editor do Anuário e fundador do Instituto Philos Org, as lideranças devem ser “corajosas” e encarar a saúde mental como “investimento”. 

“A escuta verdadeira dos colaboradores das empresas exige coragem das lideranças, que precisam lidar com a subjetividade em um mundo guiado pela objetividade. Nesse sentido, não basta apenas coletar informações: é necessário agir a partir delas e compreender que saúde mental não é custo, e sim investimento”, avalia.

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Avanço

O avanço no indicador não aconteceu de forma espontânea, segundo o anuário, mas sim devido às pressões regulatórias recentes. O documento cita que as empresas foram pressionadas a adotar posturas mais consistentes devido a políticas públicas que estabeleceram regras claras para a promoção da saúde mental, além da divulgação pelo Ministério da Previdência de dados de afastamentos por transtornos psíquicos.

“Dessa forma, o crescimento do índice não deve ser visto apenas como resultado de maior conscientização, mas também como resposta a um ambiente em que os riscos de omissão se tornaram cada vez mais altos e visíveis”, diz o documento.

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Ranking geral

Itaú, Lojas Renner, Banco do Brasil, RD Saúde e Dasa lideram o top 5 no ranking geral entre as empresas que mais demonstraram preocupação com o bem-estar dos trabalhadores.

Top 10 no ranking geral
PosiçãoEmpresaÍndice
1Itaú15,29
2Lojas Renner15,14
3Banco do Brasil14,29
4RD Saúde13,9
5Bradesco13,33
6Grupo Dasa13,24
7Ambev13
8Gerdau12,9
9Grupo Enel12,76
10Volkswagen12,24

Destaques por setores

Na análise setorial, o financeiro manteve a liderança; comércio subiu uma posição; e serviços, transportes e logística saiu do 6º lugar para o 3º. O setor mais mal avaliado foi o de agronegócio. 

Confira abaixo os destaques em cada setor:

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Avanço dos setores nos últimos três anos
Setores202320242025Variação
Financeiro11,0911,3411,03-3%
Comércio6,026,088,5140%
Serviços, Transportes e Logística2,182,968170%
Energia e Recursos Naturais4,173,447,97132%
Indústria4,834,987,4349%
TI, Telecom, Tecnologia e Comunicação6,197,817,12-9%
Alimentos e Bebidas3,442,795,88111%
Agronegócio2,591,914,02111%
Total5,45,068,1962%
Fonte: Anuário de Saúde Mental nas Empresas 2025