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Empreendedorismo feminino cresce, mas falta de crédito freia expansão dos negócios

No Brasil, mais de 10 milhões de mulheres lideram empresas. Ainda assim, o acesso desigual a financiamento segue sendo um obstáculo principalmente para mães e mulheres negras

Carolina Paes

Camila Brito Xavier, que abriu uma empresa de limpeza, em São Paulo e já teve financiamento negado (Foto: Divulgação)
Camila Brito Xavier, que abriu uma empresa de limpeza, em São Paulo e já teve financiamento negado (Foto: Divulgação)

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No Brasil, mais de 10 milhões de mulheres lideram pequenos negócios, segundo a Rede Mulher Empreendedora. Mas o sonho de empreender esbarra ainda no sistema financeiro. Mesmo sendo responsáveis por sustentar famílias, gerar empregos e movimentar comunidades, essas empreendedoras não conseguem ter acesso a crédito e financiamento.

“Elas são boas pagadoras e ainda enfrentam mais negativas do que os homens. O sistema financeiro não está preparado para entender os negócios delas e, quando falamos em mulheres negras, essa dificuldade mais do que duplica”, afirma Ana Fontes, fundadora e presidente da Rede Mulher Empreendedora.

Camila Brito Guimarães Xavier, de 37 anos, é mãe, negra e empreendedora na capital paulista. Em 2022, ela fundou a “Camila Brito Limpeza Residencial e Organização”, depois de se apaixonar pelo setor de limpeza e organização.

Nesses três anos, a empresa já atendeu mais de 300 clientes. São cerca de 40 serviços por mês. Mas, para crescer, esbarrou na falta de crédito: “Já tentei empréstimo para expandir e não consegui. Nunca explicaram o motivo”, relata.

Camila sonha em estruturar a empresa para gerar emprego e abrir oportunidades para outras mães. “A maternidade e o empreendedorismo são jornadas de desafios e conquistas. Quero expandir e levar saúde, bem-estar e organização às residências, mas também criar vagas para mulheres que, como eu, buscam equilibrar cuidado e carreira.”

Pesquisas da Rede Mulher Empreendedora mostram que, quando conseguem prosperar, quase 50% das mulheres sustentam suas famílias com a renda do negócio. Além disso, investem em educação dos filhos, melhoram as condições do lar e impulsionam a comunidade em que vivem.

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“O crédito justo e acessível não só fortalece as empreendedoras, mas também movimenta a economia e cria um círculo de prosperidade. Quando uma mulher cresce, ela leva outras com ela”, conclui Ana Fontes.

Caminho a percorrer

Uma conferência, realizada em agosto, em Brasília, reuniu 105 participantes de diferentes regiões e setores, incluindo lideranças do Instituto Rede Mulher Empreendedora, Instituto Reafro, Grupo Mulheres do Brasil e representantes do Governo Federal.

As discussões devem servir de base para a 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, que será realizada de 29 de setembro a 1º de outubro de 2025, com o objetivo de influenciar políticas públicas que impactem diretamente a trajetória de milhares de empreendedoras brasileiras.

De acordo com Ministério do Empreendedorismo os principais pontos debatidos no encontro foram:

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Tatiane Brito abriu em agosto uma loja de cerâmoca online Créditos: Divulgação

Tatiane Brito, formada em propaganda e marketing e com mais de 10 anos de experiência em agências de publicidade, decidiu mudar de rota após crises de ansiedade e a busca por mais equilíbrio. Grávida de cinco meses, ela abriu em agosto deste ano uma loja online de peças de cerâmica para casa.

“O digital sempre esteve na minha trajetória. Queria algo que tivesse propósito, que fosse meu e que me desse liberdade. Empreender é um eterno “ganha e perde”. Requer coragem e resiliência. Acredito que esse seja um ponto importante do empreendedorismo no Brasil: o acesso a crédito precisa ser mais acessível e justo, principalmente para que mais mulheres possam transformar suas ideias em negócios viáveis”, afirma.