Conteúdo editorial apoiado por

Em leilão sem azarões, State Grid leva maior lote e terá que investir R$ 18,1 bilhões; Eletrobras fica de fora

Subsidiária de estatal chinesa ofereceu receita anual de R$ 1,94 bi pelo projeto, um deságio de 40%

Rikardy Tooge

Publicidade

No maior leilão de transmissão de energia já promovido na história do Brasil, a subsidiária da estatal chinesa State Grid no país saiu como principal vencedora. Por outro lado, a Eletrobras frustrou a expectativa de ser uma competidora pelo lote principal, além de ter perdido nos outros dois lotes restantes — no último, a empresa foi derrotada na disputa por viva-voz para a Celeos.

O entusiasmo da State Grid com o leilão já era visível em sua comitiva de mais de 70 profissionais, sendo boa parte da delegação vinda da China, na sede da B3, em São Paulo. Na abertura dos envelopes do lote 1, o maior dos três que foram leiloados, o consórcio Olympus XVI — formado por Alupar e Perfin — chegou a oferecer alguma competição, mas, na soma do deságios, a State Grid Brazil ganhou com uma oferta de Receita Anual Permitida (RAP) de R$ 1,94 bilhões, o que representa um deságio de 39,9% frente ao valor inicial de R$ 3,22 bilhões.

O conhecimento dos chineses com a tecnologia utilizada (HVDC, em inglês) e pelo fato de o país asiático ser o principal fornecedor dela já eram vistos como diferenciais na disputa.

A vitória de uma empresa já provada no segmento elétrico trouxe certo alívio ao governo. No certame passado, realizado no fim de junho, um consórcio chamado Gênesis, desconhecido do mercado, havia levado dois lotes do certame, um deles o segundo maior. Porém, no decorrer do processo, a companhia mostrou-se incapaz de fazer frente aos compromissos de mais de R$ 3,4 bilhões e foi inabilitada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), ficando com a ISA Cteep e Rialma a responsabilidade de construir as linhas de transmissão.

“É um grande lote e a State Grid Brazil apresentou uma proposta responsável e exequível”, diz Ramon Haddad, vice-presidente da empresa. “Não somos aventureiros, trabalhamos com o deságio possível e que nos permitir garantir a implementação”, acrescenta. Em discussões para a possível venda de uma participação da State Grid Brazil por parte do governo chinês, Haddad reforça que a obra será tocada 100% pela subsidiária local, deixando qualquer discussão societária a cargo de seu controlador. A expectativa é que as obras do lote 1, que passa pelos estados do Maranhão, de Tocantins e Goiás, seja finalizadas em até seis anos, com um investimento total de R$ 18,1 bilhões.

Comitiva da State Grid Brazil no leilão de transmissão promovido pela Aneel (Cauê Diniz/B3)

O diretor geral da Aneel, Sandoval Feitosa, reforçou que os leilões seguem critérios rigorosos e que a punição ao Gênesis demonstrou isso, mas afirma que a agência segue aperfeiçoando seus modelos de leilão para evitar problemas parecidos. A ideia, acrescenta, é criar mecanismos que não restrinjam demais os participantes, mas também não abra a chance para outsiders sem capacidade financeira possam fazer parte do remate.

No lote 2, em uma linha de transmissão que vai compreende os estados de Goiás, São Paulo e Minas Gerais, o vencedor foi o consórcio Olympus XVI, que tem a Alupar com investidor mais conhecido. O grupo ofereceu uma RAP de R$ 239,5 milhões, representando um desconto de 47%. A proposta foi superior ao do fundo Warehouse e da Eletronorte, subsidiária da Eletrobras. Ao todo, o consórcio terá que investir R$ 2,6 bilhões em uma construção que deve levar cinco anos e meio.

Por fim, o lote 3 foi o mais disputado, com o certame chegando a uma disputa em viva-voz entre Eletronorte e Celeos, sendo a última a vencedora. A empresa espanhola ofereceu receita anual de R$ 101,2 milhões, um deságio de 42,4% e o compromisso de aportar R$ 1,03 bilhão em uma obra nos estados de São Paulo e Minas Gerais que deverá ser finalizada em cinco anos.

IM Business

Newsletter

Quer ficar por dentro das principais notícias que movimentam o mundo dos negócios? Inscreva-se e receba os alertas do novo InfoMoney Business por e-mail.

Preencha o campo corretamente!
E-mail inválido!
Preencha o campo corretamente!
Preencha o campo corretamente!

Ao informar os dados, você concorda com a nossa Política de Privacidade.

Rikardy Tooge

Repórter de Negócios do InfoMoney, já passou por g1, Valor Econômico e Exame. Jornalista com pós-graduação em Ciência Política (FESPSP) e extensão em Economia (FAAP). Para sugestões e dicas: rikardy.tooge@infomoney.com.br