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Efeito de rede: as lições do iFood e Frete.com para escalar startups no Brasil

Executivos debateram como startups brasileiras escalaram com base em redes locais, mesmo diante de burocracia, concorrência internacional e desafios

Janize Colaço

Gustavo Brigatto media bate-papo entre Federico Vega, CEO da Frete.com, e Diego Barreto, CEO do iFood - 30/04/2025 (Foto: Reprodução/YouTube)
Gustavo Brigatto media bate-papo entre Federico Vega, CEO da Frete.com, e Diego Barreto, CEO do iFood - 30/04/2025 (Foto: Reprodução/YouTube)

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Construir uma startup com efeito de rede em um país continental e complexo como o Brasil é um desafio, mas não é impossível. A exemplo disso, Diego Barreto, CEO do iFood, e Federico Vega, fundador e CEO da Frete.com, revelaram suas estratégias e aprendizados durante o Web Summit Rio 2025

Ao longo da conversa, os executivos ainda destacaram suas visões sobre crescimento, regulação, fintechs e o futuro do ecossistema digital em um mundo fragmentado. Sob esse prisma, Barreto apontou três pilares para uma estratégia bem-sucedida: clareza sobre o ecossistema do negócio; não se enganar com narrativas vazias; e testar antes de acelerar. 

“O algoritmo do iFood avalia o desempenho operacional dos restaurantes e orienta a concessão de crédito”, disse. O diferencial, segundo ele, é conseguir prever o churn [taxa de cancelamento] com base nos dados da própria plataforma. “Isso permite prazos de até 18 meses em empréstimos para pequenos restaurantes — algo raro no sistema bancário tradicional.”

No caso da Frete.com, foram necessários investimentos superiores a US$ 200 milhões para digitalizar o mercado de transporte rodoviário e conquistar 80% da frota de caminhões pesados do Brasil. “Queremos dominar o mercado agora e lucrar depois”, resumiu Vega.

Startups em aceleração

Ao serem questionados sobre como evitar a autossabotagem e identificar de fato quando o efeito de rede está consolidado, Vega respondeu que o ponto de inflexão fica claro quando a startup passa a crescer rapidamente com menos investimento. 

“No último trimestre, crescemos 44% gastando menos com marketing e vendas”, disse o CEO da Frete.com. Isso, segundo ele, é o sinal de que a rede está funcionando sozinha.

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Barreto, por sua vez, reforçou a importância da estatística como ferramenta para validação em larga escala. “No Brasil, não temos a cultura de trabalhar com estatística, mas é ela que mostra se você está fazendo a comparação certa.”

Fragmentação global

No atual cenário de tarifas e guerras comerciais, os executivos também refletiram sobre o impacto da fragmentação global. Barreto avaliou que o conhecimento local passa a ser ainda mais valioso. “Mesmo operando online, temos que conhecer o solo, o bairro, o operador”, disse o CEO do iFood. 

Além disso, Barreto ainda revelou que o iFood levou cinco anos testando soluções até encontrar uma forma eficaz de gerar tráfego para o comércio físico usando a “inteligência digital”. “Testamos 100 vezes, falhamos em 99, mas uma funcionou. É preciso ter visão e mobilizar pessoas em torno de um objetivo. Pode levar um ano ou cem, mas você chega lá.”

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Já Vega contou como sua experiência pessoal em paradas de caminhoneiros inspirou o modelo de negócio. “Comecei ajudando empresas a encontrar caminhões, e percebi que precisava de um aplicativo para expandir isso para o país inteiro”, destacou. Segundo ele, foi assim que nasceu a “Uber dos caminhões”, que hoje conecta mais de 900 mil transportadores e oferece serviços como crédito e sistema antifraude.