Divórcio do Azzas 2154: Birman e Jatahy separam marcas e Farm Rio vira ‘filho único’

Alexandre Birman ficará com as marcas Arezzo e Hering. Reserva e Foxton ficarão sob o chapéu de Roberto Jatahy. Empresas terão listagem separada na Bolsa

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Após mais de um  ano de disputa no alto comando do Azzas 2154 (AZZA3), foi selado o divórcio entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy. A companhia será dividida em três operações, como adiantou O GLOBO.  Birman leva Arezzo&Co, Carol Bassi e o ZZMall, além da Hering, que originalmente integrava o portfólio do Soma. Já Jatahy terá sob seu chapéu vestuário feminino e masculino premium — ficando com a Reserva, que era da Arezzo.

No entanto, Jatahy abrirá mão da Farm Rio — o mais forte motor de vendas e resultado do grupo —, que será colocada em uma sociedade específica na qual as duas empresas terão participação. A Arezzo&Co vai deter 57,4% desse novo negócio, enquanto o Soma terá 42,6%. 

A perspectiva é que, após a aprovação por órgãos reguladores e do cumprimento de outras exigências legais, a operação esteja concluída no primeiro trimestre de 2027. Até lá, a operação da Azzas segue regularmente.

Arezzo&Co e Soma serão companhias separadas e com ações listadas em Bolsa, segundo acordo vinculante. As duas anunciaram sua fusão em fevereiro de 2024, dando origem a uma gigante de moda com 34 marcas e, quando a operação foi concluída em agosto daquele ano, a empresa era avaliada em R$ 10 bilhões.

Na manhã desta quarta-feira, as ações do grupo Azzas 2154 tiveram negociação suspensa porque entraram em leilão — prática comum no mercado quando há anúncios relevantes ao negócio. Depois, saltaram 13,8%, a R$ 17,15. No ano, porém, a queda acumulada é de 32,45%. A companhia vale R$ 3,54 bilhões na Bolsa, menos de um terço do momento em que a fusão foi selada.

“Após um período de diferentes visões sobre a estrutura societária, a governança e os caminhos estratégicos da Companhia, os acionistas de referência chegaram a uma solução que preserva o valor construído, encerra as controvérsias existentes e cria condições para que cada conjunto de negócios desenvolva plenamente seu potencial”, diz a companhia, em comunicado.

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O foco principal está em garantir autonomia decisória a essas novas empresas, cada qual levando um dos conjuntos de marcas, para acelerar crescimento operacional, de resultados e geração de caixa.

Que marca fica com quem

A Arezzo&Co reunirá as marcas de bolsas e calçados, o ZZ Mall e a Hering:

CEO do Azzas 2154, Alexandre Birman, sublinha que a construção da companhia reuniu marcas, empresas, talentos e histórias extraordinárias, mas reconhece as dificuldades:

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“Tivemos, ao longo desse processo, diferentes visões sobre a melhor estrutura para o próximo ciclo. Conseguimos transformar essas diferenças em uma solução empresarial que preserva o valor construído e cria condições para que cada negócio siga seu caminho com maior foco, autonomia e responsabilidade”, afirmou.

A SOMA reunirá as marcas de vestuário feminino e masculino premium, com exceção da Farm Rio:

CEO da unidade de negócios de Moda e Lifestyle do Azzas, Roberto Jatahy já vinha no comando desse conjunto de marcas e que, na configuração atual, inclui a Farm Rio.

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“Chegamos a uma solução que respeita o trabalho construído até aqui, reconhece as características próprias dos diferentes negócios e cria uma base clara para o futuro”, diz o executivo em nota. “Permanecemos também sócios na FARM Rio, uma marca que ajudamos a desenvolver no Brasil e internacionalmente e que ainda possui uma importante avenida de crescimento”, conclui.

Leia também: Farm prepara novo capítulo de expansão após ganhar tração no exterior

Do casamento ao divórcio

Após a fusão em 2024, a Arezzo ficou com 54% do novo negócio; o Soma, com 46%. Na prática, a promessa de um casamento farto em ganhos com sinergia e vendas não se cumpriu. E a principal explicação para isso, avaliaram fontes próximas ao grupo, reside em diferenças irreconciliáveis entre Birman e Jatahy.

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A gota d’água veio em abril deste ano. Ruy Kameyama, CEO de Moda e Lifestyle, pediu para deixar o cargo. Ele funcionava como um mediador entre Birman e Jatahy. Após a saída de Kameyama, Jatahy foi à Justiça contra Birman por avaliar que o sócio estaria interferindo em áreas sob a sua gestão.

As rusgas no comando derrubaram as ações da companhia. E as discussões chegaram à arbitragem.

“A reorganização parte de uma convicção comum: a próxima etapa de desenvolvimento dos negócios exige maior foco, autonomia de gestão, clareza de responsabilidades e disciplina na alocação de capital”, explica a Azzas 2154, em nota.

A reorganização estabelece também uma solução definitiva para as controvérsias societárias entre os acionistas de referência.

O acordo de agora põe fim às controvérsias legais entre Birman e Jatahy, que se comprometeram em extinguir procedimento arbitral e medida cautelar hoje em curso, além de deixarem de litigar em relação a fatos ocorridos antes dessa decisão de redividir a companhia.

Como será a divisão

Essa redivisão do Azzas será feita em duas etapas. Primeiro, haverá a separação das marcas entre Arezzo&Co e Soma. Depois, haverá uma troca de ações entre os acionistas dessas duas empresas. Quando esse processo estiver concluído, o Soma terá 25,95% das ações nas mãos de Jatahy e sócios e outros 6,18% com o bloco da família Birman. Na Arezzo&Co, a família fundadora terá 32,13%, com desembarque de Jatahy.

Os 67,87% restantes de cada empresa será detido pelos demais sócios e investidores. Cada acionista do Azzas terá ações emitidas pelas duas novas companhias em cotas proporcionais à participação que detém hoje no grupo consolidado. A operação ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da B3.

No caso da Farm Rio — cuja separação teria sido pedida diretamente por seus fundadores, Katia e Marcello Bastos, de acordo com uma pessoa a par das negociaçõe0 —, 57,4% das ações serão da Arezzo&Co e 42,6% do Soma.

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