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Por Danielle Kaye e Alessandro Parodi
NOVA YORK, 8 Jul (Reuters) – Com um patrimônio de cerca de US$3,5 milhões em ações da SpaceX, Chip, um ex-cientista de dados da gigante aeroespacial de Elon Musk, comprou recentemente meteoritos no valor de US$10.000 e um caminhão de bombeiros de US$5.000.
O entusiasta espacial de 50 anos ainda não sabe ao certo como usará o caminhão — talvez como atração para a festa de aniversário de seu filho de 3 anos. Mas sua nova riqueza, proveniente da oferta pública inicial da SpaceX em junho, lhe deu a liberdade para comprar coisas “bobas”, disse ele à Reuters.
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Chip, que pediu para usar apenas seu primeiro nome ao falar sobre finanças pessoais, está de olho no relógio TAG Heuer Carrera Calibre 1887 SpaceX Chronograph, na faixa de US$8.000, inspirado na missão de 1962 do astronauta da Nasa John Glenn na órbita da Terra.
Apesar do entusiasmo, ainda não se sabe se os cerca de 440 mil milionários norte-americanos que surgiram graças aos ganhos no mercado de ações no ano passado e, mais recentemente, às aberturas de capital de empresas de IA, vão se traduzir em uma nova era de ouro para o setor global de bens de luxo.
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“Este setor está competindo cada vez mais com outros setores e com outras categorias de possíveis gastos e compras”, disse Federica Levato, sócia da consultoria Bain & Company.
Marcas de moda em dificuldades buscam no boom dos milionários da tecnologia uma tábua de salvação, enquanto enfrentam uma fraqueza persistente na China e o mal-estar dos consumidores em todo o mundo.
O mercado de bens de luxo pessoais, avaliado em 358 bilhões de euros (US$406 bilhões) em 2025, sofreu contração nos últimos dois anos, segundo estudo divulgado pela Bain no mês passado.
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No entanto, a América do Norte esteve entre as regiões de crescimento mais rápido para os grupos de luxo LVMH, Richemont, Hermès e para a Gucci, da Kering, no trimestre encerrado em 31 de março.
O presidente-executivo da Richemont, Nicolas Bos, disse aos analistas em maio que um “alto nível de confiança do consumidor nos Estados Unidos” se traduziu em vendas sólidas.

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Ao tentarem vender para novos milionários da tecnologia, as marcas precisam levar em conta seu gosto único e interesses concorrentes que desviam a atenção dos itens de luxo tradicionais.
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“Joguei vôlei no ensino médio e na faculdade”, disse o estrategista de IA Zack Kass, que liderou a unidade de entrada no mercado da OpenAI — criadora do ChatGPT — até 2023 e possui uma participação não divulgada na SpaceX.
“Literalmente, peguei meus ganhos na OpenAI e comprei um time esportivo profissional”, disse ele, referindo-se a uma equipe de vôlei.
Como parte de um foco mais amplo em experiências e bem-estar, os funcionários do setor de tecnologia estão interessados em relógios inteligentes que monitoram os passos diários e as calorias, disse Harrison Colcord, fundador da Harrison Lifestyle Concierge.
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O ex-engenheiro da SpaceX Robert, cujas ações valem cerca de US$4 milhões e que também pediu para usar apenas o primeiro nome, disse que ele e a esposa compraram recentemente novos Apple Watches, já que estão se dedicando ainda mais à boa forma, enquanto planejam reinvestir a maior parte de sua nova riqueza depois de embarcarem em um cruzeiro pelo Alasca.
Mas ainda há espaço para os relógios tradicionais de vários milhares de dólares de marcas de ponta, como a Rolex e a Cartier, da Richemont, graças ao seu apelo para investimento, já que o preço de revenda costuma ser mais alto que o de varejo.
“Você não usa seu smartwatch com seu smoking ou seu terno”, disse Colcord.
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Os EUA foram o principal mercado de destino para relógios suíços em 2025, representando 17% das exportações globais, apesar das perturbações significativas causadas pelas tarifas de importação, informou em janeiro a Federação da Indústria Relojoeira.
A Rolex se recusou a comentar. A Richemont não respondeu a um pedido de comentário.
As marcas de vestuário, no entanto, terão que competir com outros setores, além do de luxo tradicional, pela sua fatia dos gastos.
Os novos ricos gastam cerca de um terço a menos em roupas elegantes e artigos de couro em comparação com aqueles que possuem riqueza herdada de gerações, disse Filippo Bianchi, que lidera a equipe global de luxo do Boston Consulting Group.
Em vez disso, sua principal prioridade de gastos são bens duráveis, como imóveis, iates e carros, disse.
Ainda assim, marcas como Chanel e Hermès exibem logotipos que clientes abastados costumam estar dispostos a usar, disse Mary Gonsalves Kinney, uma estilista da Califórnia que trabalha com executivos do setor de tecnologia.
Chip, o ex-funcionário da SpaceX, disse que não planeja comprar roupas de luxo, a menos que faça uma possível renovação em sua coleção de roupas para atividades ao ar livre. A última jaqueta que ele comprou foi na loja de artigos usados Goodwill.
“Há anos ando de camiseta e bermuda”, disse ele. “É com isso que me sinto confortável — não vejo isso mudando.”
(Reportagem de Danielle Kaye, em Nova York, e Alessandro Parodi, em Gdansk; reportagem adicional de Elisa Anzolin, em Milão)