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O mercado brasileiro de luxo vem incorporando uma lógica comum em empreendimentos globais: a de que comprar uma casa não significa apenas adquirir um patrimônio, mas ingressar em um ecossistema de serviços, experiências e relacionamentos. É nessa aposta que a Elemental Construtora está construindo a estratégia da Península Três Marias, projeto de alto padrão às margens da represa de Três Marias, em Minas Gerais, que prevê investimento de R$ 400 milhões e Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em R$ 2 bilhões.
Para atendê-lo, a incorporadora lançou a Casa Élan, círculo privado que conecta automaticamente os proprietários do empreendimento a uma rede com mais de 2.100 clubes internacionais, além de serviços de concierge, eventos exclusivos e benefícios em mobilidade aérea – seguindo a tese de que, para a alta renda, a exclusividade passou a ser medida também pela qualidade das experiências e da rede de relacionamentos acessíveis ao comprador.
“O que estamos construindo vai muito além de um empreendimento imobiliário. Queremos criar uma comunidade conectada por interesses e experiências em comum”, afirmou ao InfoMoney Thiago Castilho, fundador da Elemental.
O empresário explica que os compradores da Península Três Marias terão acesso a uma rede que inclui city clubs, clubes de golfe, country clubs, yacht clubs e estruturas voltadas a esportes e bem-estar.
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Entre os parceiros citados estão o Tokyo American Club, no Japão; o The University Club, nos Estados Unidos; o Terminal City Club, no Canadá; o DLF Golf & Country Club, na Índia; o Inanda Club, na África do Sul; e o Sarasota Yacht Club, nos Estados Unidos.
A adesão aos benefícios ocorre imediatamente após a formalização do investimento no empreendimento. “Conseguimos criar não apenas um destino físico, mas um pertencimento global. Pegamos um ponto do noroeste de Minas Gerais e criamos uma conexão internacional para quem faz parte desse projeto”, diz.
Polo de segunda residência para alta renda
Por trás da Casa Elan existe uma aposta imobiliária ainda maior: transformar Três Marias em um destino de segunda residência para famílias de alta renda.
O empreendimento ocupa uma área de aproximadamente 7 milhões de metros quadrados e reúne cerca de 15 quilômetros de frente para a represa. O projeto contará com casas suspensas integradas à paisagem, marina, hotel, áreas de lazer, gastronomia e operações náuticas, além de uma estrutura de wellness com áreas de recuperação física, espaços de contemplação, estruturas voltadas à saúde preventiva e serviços de apoio médico.
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Castilho afirma que o interesse do mercado tem superado as expectativas iniciais. Segundo ele, a empresa já estruturou uma carteira de aproximadamente R$ 90 milhões durante a fase inicial de captação feita por meio de Sociedade em Conta de Participação (SCP) – estrutura na qual investidores aportam capital para financiar o projeto em troca de participação nos resultados ou possibilidade de conversão em unidades imobiliárias.
“Sem pressa nas vendas. Estamos formando uma comunidade. Queremos atrair pessoas que compartilhem a mesma visão de vida e de convivência”, contou.
O movimento chama atenção porque Três Marias ainda está distante do nível de consolidação alcançado por destinos como Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, ou a Fazenda Boa Vista, em Porto Feliz, no interior paulista.
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Justamente por isso, a valorização potencial do ativo é uma das teses por trás do empreendimento. “Os investidores que entraram nessa fase inicial acreditam no projeto e desejam estar lá. Muitos enxergam também a possibilidade de valorização do metro quadrado ao longo do desenvolvimento”, disse.
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Mobilidade se torna parte do produto imobiliário
Outro elemento que ajuda a explicar a estratégia do empreendimento é a tentativa de reduzir um dos principais obstáculos do mercado de segunda residência: o acesso.
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A Elemental firmou parceria com a Flapper, empresa de táxi aéreo, para criar uma operação dedicada aos moradores, composta por cinco aeronaves, incluindo um jato executivo, uma aeronave anfíbia e outros modelos destinados ao transporte dos proprietários.
Os voos partirão de aeroportos estratégicos como Campo de Marte, em São Paulo, Pampulha, em Belo Horizonte, além de Brasília e Goiânia.
Na visão da empresa, a mobilidade deixou de ser apenas uma infraestrutura complementar para se tornar uma extensão da experiência do empreendimento.
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A lógica é simples: quanto menor o tempo necessário para chegar ao destino, maior a frequência de uso da segunda residência.
Segundo Castilho, o trajeto entre São Paulo e Três Marias pode ser realizado em cerca de uma hora de voo.
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Quanto custa entrar no Península Três Marias?
Embora o empreendimento ainda não tenha iniciado a fase tradicional de venda de lotes e residências, a Elemental já captou recursos por meio da estrutura de SCP. No projeto, os investidores podem futuramente converter sua participação em lotes ou em casas suspensas.
A carteira de recebíveis formada nessa etapa inicial soma cerca de R$ 90 milhões. Segundo Castilho, o aporte mínimo realizado até agora foi de R$ 4 milhões, mas as próximas rodadas deverão aceitar investimentos a partir de R$ 1 milhão.
A primeira das cinco fases do empreendimento contará com 39 unidades, com áreas entre 200 m² e 800 m².
A empresa estima que o valor do metro quadrado parta de aproximadamente R$ 15 mil na fase inicial e possa alcançar R$ 34 mil nas etapas posteriores do desenvolvimento. Embora a incorporadora evite prometer retorno financeiro, a expectativa é que a valorização acompanhe a evolução da infraestrutura prevista.