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Como lojas de suplementos estão tirando proveito do “boom” do Ozempic

Varejistas especializados estão adotando novas estratégias para atrair pessoas que usam estes medicamentos

Jordyn Holman The New York Times

Em uma loja GNC em Manhattan, uma parede de suplementos projetada para atrair as pessoas que tomam medicamentos GLP-1 em 25 de abril de 2021. A GNC e a Vitamin Shoppe estão redesenhando os displays e tomando outras medidas para atrair as pessoas que estão tomando ou estão interessadas em drogas como Ozempic e Wegovy. (Maansi Srivastava/The New York Times)
Em uma loja GNC em Manhattan, uma parede de suplementos projetada para atrair as pessoas que tomam medicamentos GLP-1 em 25 de abril de 2021. A GNC e a Vitamin Shoppe estão redesenhando os displays e tomando outras medidas para atrair as pessoas que estão tomando ou estão interessadas em drogas como Ozempic e Wegovy. (Maansi Srivastava/The New York Times)

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Com o recente sucesso de medicamentos para diabetes e perda de peso, como Ozempic e Wegovy, muitas pessoas têm abandonado dietas e produtos nutricionais tradicionais.

Agora, dois varejistas especializados em suplementos nutricionais, a GNC e a Vitamin Shoppe, estão adotando novas estratégias para atrair pessoas que estão usando estes medicamentos ou que têm interesse neles.

A GNC está reservando uma seção inteira de suplementos em suas mais de 2,3 mil lojas para produtos que a empresa acredita que atrairão pessoas que estão usando Ozempic, que contém o composto semaglutida, e outros medicamentos conhecidos como agonistas do receptor GLP-1. A rede também está capacitando seus colaboradores para auxiliar os clientes a identificar quais suplementos podem ajudar a gerenciar os efeitos colaterais comuns desses medicamentos prescritos.

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Segundo Michael Costello, CEO da GNC, sua empresa identificou uma “grande oportunidade” para ajudar pessoas que fazem uso desses medicamentos para perder peso.

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“Ao analisarmos as tendências entre as pessoas, que rumo estão tomando, o Ozempic e, obviamente, o Wegovy e outros GLP-1s começaram a aparecer”, explicou Costello, em entrevista. “Percebemos que muitos desses medicamentos causavam efeitos colaterais significativos.”

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Não está claro quantos norte-americanos estão tomando Ozempic e medicamentos similares para emagrecer, mas Costello mencionou um estudo da Goldman Sachs que estima que até 70 milhões deles terão experimentado esses produtos até 2028.

A GNC acredita que pode expandir sua categoria de controle de peso por meio deste esforço. Atualmente, menos de 10% dos negócios da GNC derivam de seus produtos para controle de peso, mas recentemente, segundo a empresa, as vendas da categoria aumentaram mais de 20%.

Varejistas, empresas de alimentos e outras estão tentando descobrir como o Ozempic e medicamentos similares prejudicarão ou ajudarão seus negócios e o que devem fazer em resposta, se é que devem fazer algo.

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Caixas do remédio para diabetes Ozempic sobre balcão de farmácia em Los Angeles, EUA (Mario Tama/Getty Images)

Em outubro, a Walmart, que possui um negócio farmacêutico de grandes dimensões, observou que pessoas que estavam tomando medicamentos com GLP-1 compravam um pouco menos de alimentos do que outros clientes.

No mês anterior, um executivo da Nestlé, a maior empresa alimentícia do mundo, mostrou otimismo em relação aos consumidores que optam pelas refeições Lean Cuisine, as quais são “exatamente o que você acabaria comendo se estiver consumindo este tipo de medicamento”. E as redes de academias de ginástica Life Time Fitness e Equinox estão oferecendo programas de treinamento adaptados para pessoas que utilizam essas medicações.

Suplementos para todos os nichos

Os executivos da GNC afirmam ter elaborado mais de 20 produtos que poderiam ser utilizados para tratar efeitos colaterais comuns, como fadiga ocasional, deficiência de nutrientes, redução da densidade óssea e perda de massa muscular. A empresa já comercializava alguns desses produtos, mas outros são novidades para o varejista.

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Os suplementos incluem multivitamínicos para mulheres, cápsulas de raiz de gengibre e um shake de chocolate com baixo teor calórico, todos para consumo diário. Placas que listam os efeitos colaterais foram posicionadas ao lado das prateleiras dos suplementos que podem aliviá-los.

Nenhum dos suplementos que a GNC tem em sua loja reconfigurada foi produzido especificamente ou testado clinicamente em usuários dos novos medicamentos de emagrecimento. Especialistas médicos dizem que a maioria das pessoas pode obter todos os nutrientes necessários a partir de uma dieta bem balanceada. Além disso, especialistas dizem que alguns suplementos podem não ser eficazes e causar os seus próprios efeitos secundários.

“A maioria dos pacientes não precisará consumir suplementos”, disse a Dra. Maria Daniela Hurtado Andrade, professora assistente da Clínica Mayo em Jacksonville, Flórida, cuja pesquisa se concentra na redução da obesidade. Ela também trata pacientes que utilizam medicamentos GLP-1.

Os executivos das redes varejistas afirmaram ter selecionado os produtos oferecidos em suas lojas após consultas a médicos externos, toxicologistas, nutricionistas e outros profissionais.

“Todos os produtos recomendados pela GNC para apoiar o GLP-1 estão alinhados com fundamentos científicos e são resultado de consultas com médicos e análises de opiniões de profissionais credenciados sobre este assunto”, explicou Rachel Jones, diretora de inovação de produtos e ciência da GNC, em comunicado.

Alguns varejistas deram um passo além. A Vitamin Shoppe firmou uma parceria com a WellSync, uma empresa de telessaúde que atende receitas de medicamentos GLP-1. É a primeira vez que a Vitamin Shoppe, que foi fundada em 1977, trabalha com outra empresa para oferecer aos clientes uma opção farmacêutica – um sinal de quão seriamente os executivos do varejo estão levando o Ozempic e seus similares.

“Sem dúvida algumas pessoas disseram: ‘Ei, se você não oferece isso, vou procurar em outro lugar’”, disse Lee Wright, CEO da Vitamin Shoppe, em entrevista.

Uma pesquisa realizada pela Vitamin Shoppe com mais de 1,5 mil clientes revelou que 40% dos respondentes afirmaram que estariam “extremamente” ou “muito propensos” a utilizar um serviço de telessaúde oferecido pela cadeia varejista. Wright disse que saber que alguns colaboradores de suas lojas já tomavam medicamentos GLP-1 ajudou a convencê-lo a trabalhar com a WellSync.

A Vitamin Shoppe está mantendo distância do processo de avaliação e prescrição, que envolve um questionário on-line de históricos médicos e objetivos e, em alguns casos, uma entrevista por vídeo ao vivo com um fornecedor médico licenciado. (Uma das dúvidas é o índice de massa corporal.) A WellSync gerencia esse processo, trabalhando inclusive com médicos. As empresas criaram um serviço de assinatura chamado Whole Health Rx, que custa a partir de US$ 219.

Para trazer as pessoas de volta à rede, a Vitamin Shoppe oferece aos assinantes um voucher de US$ 25 para uso em suas lojas ou em seu site.

Assim como a GNC, a Vitamin Shoppe está enfatizando produtos como proteínas em pó em suas lojas visando atrair pessoas que estão tomando Ozempic ou medicamentos semelhantes. No início de maio, a Vitamin Shoppe e sua marca-irmã, a Super Supplements, terão vitrines em todas as suas 700 lojas anunciando sua parceria de telessaúde e fornecendo um código QR que direciona os consumidores ao portal de telessaúde.

O mercado de suplementos relacionados ao GLP-1 é bastante novo. Não houve nenhum ensaio significativo que testasse a eficácia de tais produtos no alívio dos desconfortos decorrentes do uso dos medicamentos. Alguns médicos afirmam que muitos dos efeitos colaterais comuns dos medicamentos para perda de peso podem ser facilmente controlados ou diminuir com o tempo, reduzindo a necessidade do uso de suplementos a longo prazo.

Por exemplo, segundo Hurtado Andrade, em vez de recomendar suplementos probióticos, que contêm microrganismos vivos como bactérias, ela incentiva seus pacientes a consumirem alimentos que contenham esses microrganismos, como iogurte ou quefir. Após uma avaliação detalhada, ela recomendou, em alguns casos, shakes de proteína, pós e suplementos para pacientes que não consomem proteína em quantidade suficiente, afirmou.

“Acho que contar com essa supervisão médica é extremamente importante porque podemos de fato mitigar ou diminuir a incidência de efeitos colaterais graves que acredito que podem ocorrer se os pacientes não forem acompanhados de perto”, analisou Hurtado Andrade.

Os executivos da GNC e da Vitamin Shoppe afirmam que seus colaboradores, que denominam de entusiastas ou “coaches” de saúde, não substituem profissionais médicos. Os executivos também disseram que as abordagens e estratégias das empresas foram elaboradas em consulta com os nutricionistas da equipe.

NYT: ©.2024 The New York Times Company