Conteúdo editorial apoiado por

Como a Termolar atravessou crises e dívidas para se reinventar com mais de 60 anos

Após anos focada em sobrevivência, a empresa de 67 anos entra em um novo ciclo estratégico sob a liderança de Natalie Ardrizzo

Carolina Paes

Publicidade

Durante boa parte da última década, a fabricante de garrafas térmicas gaúcha, Termolar, viveu no limite. Pandemia, crise de crédito, ataque hacker, enchentes no Sul do país e um endividamento que estrangulou o caixa colocaram a empresa em modo permanente de sobrevivência.

No comando desse processo esteve Natalie Ardrizzo, que assumiu a liderança executiva no momento mais turbulento da história recente da companhia. “Eu me considero uma CEO das crises”, afirma, sem rodeios.

Fundada em 1958, a Termolar, referência nacional em conservação térmica, nasceu a partir da visão empreendedora do pai de Natalia Ardrizzo, um uruguaio que chegou ao Brasil ainda jovem e enxergou oportunidade onde poucos viam: uma fábrica de vidro falida no interior do Rio Grande do Sul.

Ao lado de um sócio, também uruguaio, ele deu início ao negócio focado em garrafas térmicas, desenhando pessoalmente os primeiros produtos. “Meu pai era um resolvedor de problemas. Ele via uma dor como carregar o chimarrão no dia a dia e pensava em como facilitar a vida das pessoas”, afirma Natalie.

A virada societária aconteceu décadas depois, em 2012, quando o pai comprou a participação do outro sócio e a família Ardrizzo assumiu integralmente a operação. “Foi o grande marco da empresa. A partir dali, não era mais só um negócio. Era uma responsabilidade da nossa família”, diz.

Segundo ela, a sucessão não veio acompanhada de estrutura ou preparo. “A empresa não estava organizada para sucessão. Quando entramos, foi na base da coragem, aprendendo enquanto fazia”, lembra, Natalie Ardrizzo, que participou do programa Do Zero ao Topo e explicou a virada estratégica da empresa.

Continua depois da publicidade

Uma empresa que “caiu no colo”

Natalie entrou no negócio da família em 2015, inicialmente para assumir a área financeira. Dez meses depois, com o falecimento do pai, se tornou sócia e passou a dividir a responsabilidade por uma empresa com cerca de 700 funcionários.

“Em dez meses, a empresa era minha. Eu precisava lutar por mim, pelos meus irmãos e por centenas de famílias que dependiam daquilo”, diz.

O cenário não era favorável. A empresa enfrentava restrições severas de crédito e carregava uma dívida estrutural que limitava qualquer movimento estratégico. O ponto mais crítico veio em 2022, quando as linhas emergenciais criadas na pandemia foram cortadas.

Continua depois da publicidade

“Entrei num ciclo vicioso: quanto menos eu pagava, menos crédito eu tinha. E quanto menos crédito, mais caro ficava o dinheiro”, afirma.

Por anos, a prioridade foi manter a operação viva. Segundo a CEO, esse foco extremo no curto prazo teve um custo silencioso. “A gente vivia no hoje e no início do amanhã. Nunca conseguia passar disso”, diz.

A virada começou quando a empresa conseguiu estabilizar o resultado operacional e passou a discutir planejamento estratégico de longo prazo. Algo raro na história recente da companhia. “Sobreviver deixou de ser suficiente”, resume.

Continua depois da publicidade

A companhia, agora, exporta para mais de 30 países, possui mais de 700 funcionários e encerrou 2025 com um faturamento próximo a R$ 350 milhões. E esta história foi o tema de um episódio do Do Zero ao Topo, que conta as histórias e os desafios dos homens e mulheres por trás das grandes empresas do Brasil.

Leia mais: Do “não” ao Google à Magnopus: as escolhas que definiram Marcelo Lacerda e a internet

Para saber mais detalhes da trajetória da Termolar e as mudanças que ajudaram a manter vivo um negócio de anos, veja o episódio completo no Do Zero ao Topo. O programa está disponível em vídeo no YouTube e em sua versão de podcast nas principais plataformas de streaming como ApplePodcasts, Spotify, Deezer, Spreaker, Castbox e Amazon Music.

Continua depois da publicidade

Sobre o Do Zero ao Topo

O podcast Do Zero ao Topo é uma produção do InfoMoney e traz, a cada semana, a história de mulheres e homens de destaque no mercado brasileiro para contar a sua história, compartilhando os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias usadas na construção do negócio.