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Com juros altos, empresas americanas recorrem a dívidas conversíveis em ações

Com mais de US$ 1 trilhão para refinanciar nos próximos anos, companhias buscam formas para baratear seu custo de capital

Equipe InfoMoney

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Em uma fase rara de juros altos nos Estados Unidos, as companhias americanas apostaram mais na emissão de dívidas conversíveis em ações para obter um custo de capital mais competitivo.

A emissão de dívida neste perfil aumentou 77% no mercado dos EUA no ano passado, para US$ 48 bilhões, de acordo com dados da LSEG, tornando-a uma das únicas áreas dos mercados de capitais que retornou aos níveis pré-pandemia após uma recessão generalizada em 2022. Vale lembrar que a operação consiste na emissão de um tipo de título que pode ser trocado por ações se o preço das ações de uma empresa atingir um nível pré-definido, o que evita a diluição imediata dos acionistas.

Especialistas ouvidos pela reportagem do Financial Times sinalizam que a procura por emissão de dívida conversível em ações deverá continuar este ano, à medida que as empresas vão precisar rolar parte de sua dívida no decorrer do ano, ante uma expectativa de corte de juros nos Estados Unidos apenas no segundo semestre.

Os títulos conversíveis em ações têm sido mais procurados por startups de tecnologia. No entanto, empresas maiores, com grau de investimento, também acessaram a operação pelo custo de dívida ser menor.

“Historicamente, os títulos conversíveis eram uma operação que os grandes nomes evitavam”, lembrou Bryan Goldstein, da Matthews South. “Agora que alguns grandes emissores chegaram ao mercado, essa narrativa mudou – é visto como um produto atraente.”

Esse movimento representa um forte contraste com os mercados de ofertas públicas iniciais (IPOs), vendas subsequentes de ações (follow-ons), dívida de alto rendimento e empréstimos alavancados, onde os volumes ainda estão muito abaixo dos níveis pré-pandemia.

O rendimento médio dos títulos convencionais com grau de investimento aumentou de 2,5% no início de 2022 para 5,2% hoje, de acordo com dados do Ice BofA. Os rendimentos médios dos títulos de alto risco aumentaram de 4,9% para cerca de 7,8% nesse período. Em contraste, a Uber emitiu um título conversível de US$ 1,5 bilhão em novembro a uma taxa de juros inferior a 1%.

Michael Youngworth, estrategista de títulos conversíveis do Bank of America, disse que esse tipo de operação corta entre 2,5 e 3 pontos percentuais da taxa de juros da dívida – o que se traduz em dezenas de milhões de dólares em economias anuais para um negócio como o da Uber.

Outras empresas que exploraram o mercado de obrigações convertíveis nas últimas semanas incluem a gigante dos serviços públicos PG&E – cuja classificação de crédito a coloca no extremo superior da categoria “lixo” – e o grupo Evergy, outro mutuário com grau de investimento.

Para ambas as empresas, parte da lógica para a emissão de títulos convertíveis – no valor de US$ 1,9 bilhão e 1,2 bilhão, respectivamente – consistia em pagar empréstimos anteriores.

As empresas norte-americanas com classificação de investimento têm uma dívida recorde de US$ 1,26 trilhão para refinanciar nos próximos cinco anos, de acordo com um relatório de outubro da agência de classificação Moody’s, um aumento de 12% em relação ao período da meia década anterior. As empresas com classificação de risco possuem US$ 1,87 trilhão em títulos e empréstimos.

“Os títulos conversíveis continuarão populares porque temos uma quantidade expressiva de dívidas a vencer nos próximos anos”, disse Ken Wallach, codiretor de mercados de capitais globais do escritório de advocacia Simpson Thacher. “Em 2020 e 2021, as empresas emitiram todos esses títulos de cinco anos em um ambiente de taxas muito mais baixas durante o auge da pandemia.”

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