Cofundadora da Kalshi atribui sucesso da empresa ao otimismo brasileiro e à IA

Cofundadora Luana Lopes Lara detalha como a cultura nacional e a tecnologia de ponta moldam o futuro dos mercados de previsão, em painel no Web Summit Rio

Mariana Amaro

Luana Lopes Lara, cofundadora da Kalshi, em painel durante Web Summit no Rio de Janeiro, em junho de 2026 (Foto: Divulgação)
Luana Lopes Lara, cofundadora da Kalshi, em painel durante Web Summit no Rio de Janeiro, em junho de 2026 (Foto: Divulgação)

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Na noite de abertura do Web Summit 2026, realizado no Rio de Janeiro até quinta-feira (11), a cofundadora da Kalshi, Luana Lopes Lara, falou sobre a trajetória acelerada da empresa, hoje avaliada em US$ 22 bilhões. Em um dos painéis de abertura, a empreendedora destacou a influência de suas raízes brasileiras e o uso intensivo de inteligência artificial como pilares do sucesso da plataforma de mercados de previsão. Antes da abertura do evento, contudo, Luana concedeu uma entrevista exclusiva à reportagem do InfoMoney. O conteúdo será publicado no nosso canal do Youtube nos próximos dias.

Nascida e criada no Brasil, Luana atribui parte importante da resiliência da Kalshi ao espírito otimista do brasileiro. “Uma das qualidades mais negligenciadas dos brasileiros e da cultura brasileira é o puro otimismo e a crença de que as coisas vão dar certo no final”, afirmou. Segundo ela, essa mentalidade foi crucial nos primeiros anos da empresa, que passou “três a quatro anos sem ter um único produto ativo”, enquanto negociava com reguladores dos EUA para lançar um mercado de previsão legal.

A empresa levantou recentemente US$ 1 bilhão em uma rodada de investimentos, dobrando sua avaliação em poucos meses. Segundo Luana, o Bank of America classifica a Kalshi como a empresa de crescimento mais rápido dos Estados Unidos fora do setor de inteligência artificial. Para sustentar esse avanço, a companhia planeja expandir sua atuação tanto no varejo americano quanto no segmento institucional, com foco em bancos e fundos de hedge.

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Um dos fatores por trás da agilidade da Kalshi, mesmo com uma equipe relativamente enxuta de 170 funcionários, é a integração profunda da inteligência artificial às operações. “Fomos muito sortudos por crescer a empresa agora no mundo da IA. Cada engenheiro tem cerca de vinte agentes em nuvem fazendo muito trabalho, e somos capazes de ser muito mais eficientes!, disse. Segundo ela, esse modelo ajuda a manter uma estrutura organizacional mais horizontal e acelera a tomada de decisões, dando à empresa vantagem na execução.

Desafios

Apesar do sucesso nos Estados Unidos, a Kalshi enfrenta desafios regulatórios em outros mercados, como o Brasil, onde uma decisão recente do Ministério da Fazenda limitou a atuação dos mercados de previsão. Luana afirmou ver esse cenário como uma oportunidade de esclarecimento. “O que precisamos fazer é dar um passo atrás e pensar em como educar esses muitos países para explicar o que fazemos”, disse, ressaltando a importância de diferenciar os mercados de previsão de apostas e cassinos.

Com uma visão ambiciosa, a executiva reiterou sua crença de que os mercados de previsão podem superar o mercado de ações em tamanho. “É apenas uma questão de tempo. Estamos apenas nos EUA ainda, mas o céu é o limite para esta classe de ativos”, afirmou, projetando um horizonte de cinco a dez anos para essa transformação.

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Mariana Amaro

Jornalista com experiência na cobertura de negócios e empreendedorismo. Apresenta o podcast Do Zero ao Topo