Clover escolhe Betim, MG, para 1ª fábrica fora da Ásia e dobra aposta no Brasil

Primeira unidade da líder no processamento de pagamentos fora da Ásia faz parte de ciclo de R$ 490 milhões em investimentos no País

Iuri Santos

Montagem de um terminal da Clover. (Foto: Divulgação/Fiserv)
Montagem de um terminal da Clover. (Foto: Divulgação/Fiserv)

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A Clover, uma marca da líder global de pagamentos Fiserv, inaugurou nesta quarta-feira (6) uma fábrica em Betim (MG), a primeira unidade de produção fora da Ásia. Sob a projeção de um investimento de cerca de R$ 490 milhões no ciclo até 2027, a projeção é de uma fabricação de 100 mil maquininhas de pagamento ao ano.

Com a projeção, a Clover dobraria a quantidade de terminais de pagamento vendidos no Brasil desde 2024, quando chegou no País. A planta no interior de Minas Gerais é apenas a quarta da companhia no mundo e a única fora da Ásia.

A escolha por trazer parte da produção para o Brasil tem dois grandes motivos. O primeiro é a velocidade de entrega de equipamentos em um mercado onde a disputa por clientes inclui, em muitos casos, promessa de entrega veloz. De outro lado, já no primeiro momento a Clover reduz o custo das maquininhas em 30% contra as opções que precisam ser importadas das unidades asiáticas.

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“Mas nós vamos buscar cada vez mais competitividade utilizando matéria-prima e recursos locais para reduzir os custos”, afirma o vice-presidente sênior da Fiserv Brasil, Ricardo Daguani.

Embora não abra os números exatos, a Fiserv, fintech americana avaliada em US$ 61 bilhões de dólares, cresce dois dígitos ao ano no Brasil especialmente na adquirência para pequenos e médios negócios de varejo. A marca Clover, hoje, representa grande parte do crescimento no País.

Parte do investimento de US$ 100 milhões projetados pela Fiserv no Brasil no triênio 2025-2027 vai para a fabricação de hardware, mas uma parcela (não discriminada pela companhia) tem como foco o desenvolvimento de software. Além da maquininha em si, a Clover integra ferramentas nativas e um marketplace de outras aplicações nos terminais.

O terminal é a maior plataforma global de pagamentos baseada em SaaS (sigla em inglês para software como serviço) em volume total de pagamentos efetuados: são mais de 700 mil estabelecimentos comerciais atendidos em 10 países, com 1,2 mil parceiros diretos e 2 mil indiretos.

Demanda nacional e potencial de exportação

Na fábrica nacional, a empresa produzirá o modelo de terminais Clover Flex, com maior adesão no mercado brasileiro. Aqui, a companhia também atua com outras duas opções: a Clover Mini e a Clover Kiosk. No caso dessas últimas, no entanto, a demanda seguirá sendo atendida via importações.

De acordo com a Daguani, o Kiosk é uma tecnologia que tem potencial em mercados como o de alimentação por permitir opções de autoatendimento, mas ainda é preciso desenvolver a demanda pelos equipamentos para trazer a produção para cá.

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Por enquanto, a empresa mantém um ritmo de produção de cerca de 175 placas de maquininhas por hora na parceria de operação fabril estabelecida com a multinacional de soluções de manufatura Jabil. A empresa considera, no entanto, que seja possível triplicar o ritmo para perto de 400 em três turnos.

Ricardo Daguani, vice-presidente sênior da Fiserv Brasil. (Foto: Divulgação/Fiserv)

“Acreditamos muito no potencial de crescimento do mercado brasileiro, então, essa é nossa primeira estratégia. Obviamente, sendo bem-sucedidos nesse primeiro passo, vamos olhar para outros mercados”, conta Daguani. A ideia seria exportar a produção de Betim para a América Latina, onde a empresa tem operações consolidadas em México e Argentina.

O modelo de negócios da Fiserv — o que inclui a marca Clover — envolve a venda direta de maquininhas para o varejo ou a distribuição via parceiros. A empresa é, por exemplo, a responsável por desenvolver a Azulzinha, da Caixa.

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Para expandir a adquirência direta no Brasil, a Fiserv agora aposta também na abertuda de franquias, projeto iniciado com uma unidade no Espírito Santo e que deve ver uma nova abertura ainda em junho deste ano: “Estamos indo devagar porque queremos testar o modelo e ver se ele tem uma boa aderência nos locais que estamos escolhendo”, aponta Daguani.

Em outra frente, a Fiserv anunciou em abril de 2025 a aquisição da fintech de crédito Money Money para ampliar expandir a cesta de produtos além da adquirência e do software. A ideia é ter uma oferta adicional a pequenos e médios empreendedores com uma necessidade alta de capital de giro para os negócios.

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Iuri Santos

Repórter de inovação e negócios no IM Business, do InfoMoney. Graduado em Jornalismo pela Unesp, já passou também pelo E-Investidor, do Estadão.