Cimed descarta patrocinar Brasileirão e Morumbi, mas amplia ofensiva sobre clubes

CEO João Adibe afirma que foco da empresa está em parcerias com equipes e produtos licenciados para torcedores, e não em naming rights ou patrocínio de competições

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A Cimed quer fazer do futebol uma das principais plataformas de crescimento da Super, marca de higiene e cuidados pessoais lançada pela companhia neste ano. Depois de ganhar repercussão nas redes sociais ao afirmar que gostaria de patrocinar clubes de todo o país, João Adibe, presidente e CEO da farmacêutica, disse que a estratégia vai além da exposição nas camisas e envolve a criação de produtos licenciados e novas fontes de receita para as equipes. Ainda assim, negou que a Cimed estará nos naming rights do Morumbi, estádio do São Paulo.

Ao InfoMoney Entrevista, o empresário afirmou que a ambição da companhia é transformar a Super em uma marca presente em todo o ecossistema do futebol brasileiro, como o “produto oficial de bens de consumo do futebol brasileiro”.

Segundo Adibe, a empresa já possui relacionamento com clubes como Palmeiras, Cruzeiro e Botafogo e mantém conversas com outras equipes relevantes do país.

“Não tem nada melhor do que a gente estar com todos os clubes dentro desse ecossistema. Já temos Palmeiras, já temos Cruzeiro, já temos Botafogo. Há tratativas com times muito grandes.”

A proposta da Cimed é utilizar a paixão do torcedor como porta de entrada para produtos de consumo associados aos clubes. O plano inclui o desenvolvimento de linhas específicas para as torcidas, com compartilhamento de receitas entre a empresa e os times parceiros.

“Queremos criar produtos com os clubes e, por meio deles, os clubes serem remunerados pela torcida, que é tão apaixonada.”

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Na avaliação do executivo, o futebol oferece algo que poucas plataformas de marketing conseguem reproduzir: conexão emocional e fidelidade de longo prazo.

“Você nasce e não muda de clube. Acredito que [a fidelidade a um] clube no Brasil talvez seja maior até que à religião.”

Cimed não estará em estádios ou competições

Em uma segunda conversa com a reportagem, perguntado sobre boatos de que a Cimed assumiria o naming right do Morumbi, estádio do São Paulo Futebol Clube, Adibe negou categoricamente, afirmando que esse tipo de investimento está “totalmente fora do objetivo” e reforçando que pretende concentrar os esforços do futebol na Super e em clubes.

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O contrato atual do clube pelo naming right do “MorumBis” com a Mondelez, dona da marca Bis, foi assinado em dezembro de 2023 com validade de três anos.

O executivo também negou a possibilidade de patrocinar campeonatos.

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Movimento não surgiu com o fim das bets

O anúncio da estratégia de patrocínio a clubes de futebol ganhou força nas últimas semanas após o debate em torno do espaço que poderia ser deixado por empresas de apostas no futebol brasileiro. Adibe, porém, afirma que a iniciativa não surgiu como reação ao tema.

“Não foi um momento de oportunismo. A gente já estava falando sobre isso e já havia dado uma mega repercussão antes.”

Apesar disso, o executivo reconhece que as apostas esportivas tiveram efeitos relevantes sobre o consumo de diversos setores da economia, incluindo a própria Cimed.

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“Se você perguntar: ‘João, quanto disso foi afetado?’. É muito dinheiro. É muito dinheiro. Isso bateu no bolso da Cimed”, disse.

Segundo Adibe, a expansão das bets se soma a outros fatores que vêm pressionando o consumo, como os juros elevados e as mudanças de comportamento provocadas pelo avanço das canetas para emagrecimento. E, embora assuma não ser um entusiasta dos jogos de apostas, o empresário evita fazer críticas diretas ao setor e reconhece que a atividade é regulamentada.

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“Não sou um cara de jogo. Eu não gosto de jogo. Se você me convidar para jogar baralho, eu não jogo (…) Mas a partir do momento que está regulamentado e é direito de todos, eu não tenho controle.”

Por fim, defendeu que as empresas devem encontrar maneiras de disputar a atenção e o orçamento do consumidor fora desse universo.

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Maria Luiza Dourado
Minhas Finanças | Carreira | Consumo

Repórter de Finanças do InfoMoney. É formada pela Cásper Líbero e possui especialização em Economia pela Fipe - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas.