Cias. aéreas discutem no Rio desafios do setor e potencial de combustível sustentável

Serão debatidos temas como sustentabilidade, comércio e tarifas, psicologia e direitos dos passageiros e o avanço da IA no setor; potencial do SAF está entre os temas

Roberto de Lira

Pessoas aguardam na área de embarque da Latam Airlines dentro do Aeroporto Internacional de Santiago, Chile - 11/11/2025 (REUTERS/Rodrigo Garrido)
Pessoas aguardam na área de embarque da Latam Airlines dentro do Aeroporto Internacional de Santiago, Chile - 11/11/2025 (REUTERS/Rodrigo Garrido)

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Em meio a um momento desafiador, no qual as incertezas sobre um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã mantêm em alta os preços dos combustíveis, em especial o de aviação, e com companhias aéreas de todo o mundo em alerta, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) realiza sua 82ª assembleia anual no Rio de Janeiro entre hoje (6) e segunda-feira (8).

Durante os três dias, serão debatidos temas como sustentabilidade, comércio e tarifas, psicologia e direitos dos passageiros e o avanço da IA no setor. Num momento em que a dependência de uma única fonte de combustível tem sido rediscutida, um dos painéis vai debater como reduzir a lacuna entre o potencial de produção no Brasil do SAF – o combustível de aviação sustentável — e as necessidades da indústria aérea.

Leia também: Petrobras prevê atender 100% da demanda de SAF do Brasil até 2029

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A última assembleia geral anual realizada na América do Sul aconteceu em 1999, também no Rio de Janeiro. Isso marcou a introdução do formato da Cúpula Mundial de Transporte Aéreo, reconhecendo a Assembleia Geral Anual da IATA como a principal plataforma da indústria para debates de alto nível sobre questões críticas relacionadas à aviação.

Impactos da guerra

O impacto do conflito no Oriente Médio tem prejudicado o desempenho geral de transporte de passageiros e de carga nos últimos meses. Em abril, a demanda total, medida de quilômetros pagos por passageiro caiu 3,4% em comparação com o mesmo mês de 2025. A associação destacou que essa foi a primeira queda na demanda na comparação ano a ano desde a pandemia.

Para dimensionar o impacto da guerra, quando excluídos os dados do Oriente Médio, a demanda aumentou 1,2%.

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Já a capacidade total, medida em assentos‑quilômetro oferecidos (ASK), recuou 2,9% em relação ao ano anterior. O fator de ocupação foi de 83,1% (-0,4 ponto percentual em comparação com abril de 2025).

“A queda de 46,6% na demanda por companhias aéreas no Oriente Médio devido à guerra na região foi tão aguda que arrastou a demanda geral para baixo de -3,4%. A situação do transporte aéreo continua altamente volátil. O custo do combustível para aviões mais que dobrou em abril, o que está aumentando as tarifas aéreas”, comentou em nota”, comentou em nota Willie Walsh, Diretor-Geral da IATA.

Leia também: Guerra afeta demanda de passageiros e cargas das cias. aéreas em março, diz IATA

Enquanto isso, a demanda por carga aérea cresceu 4% em relação ao ano anterior em abril, impulsionada por fortes fluxos comerciais ligados à Ásia. Mas notícia positiva também esconde um ambiente operacional mais complexo: a severa interrupção nos principais centros do Golfo devido à guerra continuou a remodelar rotas comerciais e restringir a capacidade em corredores-chave.

Os cargueiros dedicados carregando grande parte do crescimento, o transporte aéreo de carga volta a manter as cadeias de suprimentos em movimento em meio a interrupções comerciais. Os próximos meses testarão quanto o setor consegue absorver a contínua incerteza geopolítica e os custos operacionais elevados”, comentou o diretor-geral da IATA.

Neste ano, a LATAM Airlines Group é a companhia aérea anfitriã do evento, no qual cerca de 1.500 líderes do setor, autoridades governamentais devem participar.

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Sobre o Brasil, Walsh destacou que o setor está em rápida modernização no país e já sustenta 2,1% do PIB do país. “Com ricos recursos turísticos, enorme potencial de produção de SAF e exportações crescentes, o potencial para fortalecer ainda mais a conectividade aérea do Brasil é uma proposta vencedora para pessoas, empregos, comércio e para a economia em geral. Destacaremos políticas e mudanças necessárias para transformar o potencial do Brasil em realidade como parte de um programa que aborda as questões globais mais urgentes da aviação”, informou.

O jornalista viajou a convite da IATA.