BMW promete ‘rever o intocável’ após lucro despencar, diz agência

Montadora alemã promete reestruturação ampla após trimestre fraco, com corte de 8 mil empregos e revisão de processos antes considerados sagrados

Mariana Amaro

Logo da BMW no modelo i3 (REUTERS/Maxim Shemetov/File Photo)
Logo da BMW no modelo i3 (REUTERS/Maxim Shemetov/File Photo)

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A BMW vai fazer algo que dificilmente se espera de uma montadora alemã centenária: revisar o que antes era considerado “intocável”. A informação é da agência Reuters.

O anúncio veio nesta quinta-feira (30), depois que o lucro antes de impostos do segundo trimestre caiu 35%, para € 1,7 bilhão (US$ 1,95 bilhão). A margem operacional do negócio principal de automóveis encolheu de 5,4% para 2,3% em um ano.

Em conversa com investidores, o novo CEO, Milan Nedeljkovic, afirmou que o resultado é “não satisfatório”. E completou: “Estamos olhando de forma crítica para como trabalhamos, incluindo a reavaliação de processos e estruturas centrais que antes eram considerados intocáveis”. O executivo, contudo, não deu exemplos específicos.

Tombo

A BMW atribuiu a queda a dois fatores: uma retração forte nas vendas na China, que despencaram 30% no trimestre, e o impacto de conflitos no Oriente Médio sobre a confiança do consumidor.

A empresa não foi a única impactada. Os resultados da BMW coroam uma semana de balanços fracos e anúncios de reestruturação entre as montadoras alemãs. Porsche e Volkswagen também estão cortando empregos e reformulando operações. A indústria automotiva alemã enfrenta ao mesmo tempo demanda enfraquecida e concorrência crescente de rivais chinesas.

Leia também: A crise da Volkswagen agora ameaça fábricas, empregos e o modelo alemão

“Concorrência global acirrada, exigências regulatórias regionais cada vez maiores e implicações de conflitos geopolíticos moldarão nosso modelo de negócios nos próximos anos”, disse Nedeljkovic, segundo reportagem da Reuters.

Para enfrentar os desafios, a BMW vai ‘enxugar’ seu quadro de funcionários com um programa de demissão voluntária. A meta, segundo uma fonte anônima, é eliminar 8.000 empregos. Questionado pela agência, Nedeljkovic não comentou o número.

A reestruturação, segundo ele, vai passar por simplificação em vendas, compras, produção e desenvolvimento. A empresa também vai reduzir seu portfólio de produtos, revisando variantes de modelos em mercados específicos.

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O desafio chinês

O volume global de vendas da BMW caiu cerca de 5% no segundo trimestre. O peso maior veio da China, onde observadores do setor alertam que sua nova linha de veículos elétricos pode chegar tarde demais para ganhar tração em um mercado acelerado e movido por tecnologia.

O período prolongado de retração no mercado automotivo chinês, o maior do mundo, aumentou a pressão sobre montadoras estrangeiras. Enquanto isso, fabricantes chineses excluídos do mercado americano miram cada vez mais a Europa para crescer.

Nedeljkovic disse que o impacto dos rivais chineses na Europa ainda não aparece nos números de vendas da BMW, mas afirmou que a empresa trabalhará para manter sua oferta atraente.

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Mariana Amaro

Jornalista com experiência na cobertura de negócios e empreendedorismo. Apresenta o podcast Do Zero ao Topo