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Assaí corta investimentos e desacelera expansão sob o custo pesado da dívida

CFO diz que geração de caixa vai pagar o capex e o custo da dívida só no fim de 2024

Lucas Sampaio

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Após um plano agressivo de crescimento nos últimos três anos, que incluiu a compra e conversão de 66 hipermercados do Extra e fez o número de lojas aumentar em 50%, o Assaí vai cortar investimentos e desacelerar a sua expansão.

O número de abertura novas lojas vai cair quase pela metade, de 27 neste ano para 15 no próximo, e o capex vai ser reduzido na mesma proporção, dos R$ 3,41 bilhões gastos nos últimos 12 meses para um patamar entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões em 2024.

Com isso, a empresa vai finalmente conseguir diminuir a sua pesada alavancagem – um processo que está demorando mais tempo do que o previsto para acontecer – e passar a pagar os investimentos e o custo da dívida apenas com a geração de caixa.

“A partir do segundo semestre a geração operacional vai pagar o custo da dívida e os investimentos”, afirmou a CFO Daniela Sabbag na segunda-feira (27), durante o Investor Day da empresa. “A dívida em si não cai em 2024 porque a gente continua investindo. Deve ficar estável, mas vamos gerar caixa para pagar os juros e os investimentos”.

A empresa teve uma geração de caixa operacional de R$ 4,86 bilhões nos últimos 12 meses e investiu R$ 4,73 bilhões (R$ 3,41 bilhões de capex e R$ 1,32 bilhão de aquisição de pontos comerciais). A geração de caixa livre até foi positiva em R$ 132 milhões, mas os dividendos (R$ 89 milhões) e sobretudo o custo da dívida (R$ 1,66 bilhão) levaram o Assaí a uma geração de caixa total negativa de quase R$ 1,63 bilhão no período.

Desde dezembro de 2020, só o custo da dívida foi de R$ 3,3 bilhões.

O CEO Belmiro Gomes diz que esse pesado plano de investimentos permitiu à empresa acelerar a expansão orgânica em 4 a 5 anos, principalmente com a conversão das lojas do Extra. “Já convertemos 60 das 66 lojas e vamos inaugurar a 61ª em Salvador. E a empresa passou a contar com um parque de lojas irreplicável e muito bem localizado”.

Gomes ressalta que o plano foi feito quando a Selic estava em 2% ao ano e a previsão era que a taxa subiria até 7%, mas foi a quase 14%. A CFO Daniela Sabbag afirma que só esse aumento adicional dos juros foi responsável por R$ 1 bilhão dos R$ 3,3 bilhões que a empresa gastou com o custo da dívida.

Redução da alavancagem

A alavancagem do Assaí está atualmente em 4,4x, uma leve queda de 0,2 ponto percentual na comparação com o terceiro trimestre de 2022, e o guidance da empresa agora é reduzi-la abaixo de 3,5x em 2024.

Para isso, a companhia conta também com um crescimento no Ebitda, com a “maturação” das lojas inauguradas nos últimos anos, e o fim dos pagamentos pela aquisição das lojas do Extra, além da forte redução nos investimentos e da queda da Selic, pois toda a sua dívida está atrelada ao CDI.

A dívida bruta do Assaí está em R$ 13,8 bilhões atualmente, e cerca de metade desse valor vence nos próximos dois anos. A empresa também precisa pagar mais R$ 2,1 bilhões pela compra das lojas do Extra (R$ 1,2 bilhão neste quarto trimestre e mais R$ 900 milhões no primeiro de 2024).

Apesar da grande quantidade de dívida a vencer no curto e médio prazos, Sabbag não vê dificuldades para refinanciá-la e diz que já está renegociando uma parte. A CFO também não acredita que o custo médio da dívida (atualmente em CDI+1,48%) vá aumentar.

“Não podemos dar muitos detalhes do processo de renegociação, mas sempre tivemos bastante acesso a capital, mesmo em momentos mais críticos do mercado de crédito”, afirmou a CFO citando o caso da Americanas, em janeiro. “Temos vencimentos neste ano que a gente já endereçou e em 2024 eles estão mais concentrados no segundo semestre. Nunca tivemos histórico de dificuldade de rolar a dívida”.

“Não vemos dificuldade na rolagem [da dívida] nem no custo”, resume o CEO.

Crescimento agressivo

O Assaí adotou um plano agressivo de crescimento nos últimos anos, que envolveu a compra e conversão de hipermercados do Extra em lojas de atacarejo e a abertura de novas unidades, o que fez o seu crescimento e a sua receita – e também o seu endividamento – dispararem.

Foram inauguradas mais de 100 novas lojas entre dezembro de 2020 e setembro de 2023, o que fez o número de unidades saltar de 184 para 281 em menos de três anos (incluindo os fechamentos). Já o faturamento saltou R$ 31 bilhões, dos R$ 39 bilhões de 2020 para os R$ 70 bilhões atuais (considerando o acumulado em 12 meses).

A empresa conseguiu uma geração de caixa operacional de R$ 9,4 bilhões nesse período, mas investiu ainda mais (R$ 10,3 bilhões), distribuiu R$ 400 milhões em dividendos e ainda arcou com R$ 3,3 bilhões de custo da dívida.

Mas, mesmo com a desaceleração na abertura de lojas, o CEO ainda vê possibilidade de continuar crescendo nos próximos anos. “Das 203 cidades com mais de 150 mil habitantes no Brasil, 91 ainda não têm uma loja do Assaí”.

Endividamento da população

Gomes espera uma retomada do poder de compra dos clientes e uma redução no endividamento da população, pois o cenário econômico adverso fez com que o Assaí registrasse uma queda nas vendas mesmas lojas (SSS) no terceiro trimestre, de 0,9% na comparação anual e de 2,0% na comparação trimestral. Já o lucro líquido da empresa caiu 34,2%, para R$ 185 milhões, apesar de o faturamento ter crescido 22%.

“Os clientes fizeram um downgrade de consumo e há uma busca mais intensa por preço e promoção. O brasileiro trocou a marca de refrigerante e teve maior consumo de suco em pó da história”, afirma o CEO do Assaí. “Que a população possa recompor o seu poder de compra. Na medida que isso aconteça, será um benefício para o Assaí e estamos prontos para esse novo período”.

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Lucas Sampaio

Jornalista com 12 anos de experiência nos principais grupos de comunicação do Brasil (TV Globo, Folha, Estadão e Grupo Abril), em diversas funções (editor, repórter, produtor e redator) e editorias (economia, internacional, tecnologia, política e cidades). Graduado pela UFSC com intercâmbio na Universidade Nova de Lisboa.