Americanas pediu tempo às agências de rating antes de ter nota rebaixada

Mensagens divulgadas por jornal indicam que executivos queriam mais prazo para não prejudicar as negociações com bancos

Equipe InfoMoney

Ativos mencionados na matéria

Publicidade

A Americanas (AMER3) tentou ganhar tempo e argumentar com as agências de classificação de risco antes de ter seu crédito rebaixado após a divulgação da fraude contábil de R$ 20 bilhões revelada pela varejista em 11 de janeiro de 2023. As informações são da Folha de S.Paulo.

O jornal teve acesso a mensagens de WhatsApp trocadas por executivos da empresa dias após o anúncio. Nas conversas, eles discutem reuniões com representantes das agências e avaliam como negociar um tempo antes do rebaixamento de crédito.

Em uma das conversas, a diretora de Relações com Investidores da Americanas menciona sua reunião com a S&P e afirma que a agência disse que não tinha a intenção de prejudicar a varejista, mas que “não há como segurar uma revisão de rating”.

Estude no exterior

Faça um upgrade na carreira!

Leia também: Americanas (AMER3) cai 58% após chegar a R$ 0,10 com prejuízo e previsões canceladas

Um ex-diretor financeiro da varejista deixou clara sua preocupação com o impacto que a mudança pelas agências poderia ter nas negociações com os credores.

“Preciso de visibilidade de como foi a conversa com o rating. Não podemos ser surpreendidos com um downgrade. Temos que ter tempo hábil, em isso acontecendo, de compor com os bancos as margens necessárias para os hedges [proteções] do bonds [títulos de dívida]”, diz a mensagem divulgada pela Folha.

Continua depois da publicidade

Os executivos receberam a orientação de serem “mais duros” no discurso com as agências de rating ao pedir mais tempo antes do rebaixamento, já cientes da possibilidade de downgrade para default (calote).

O pedido, entretanto, não foi atendido por nenhuma das agências e, dois dias após o anúncio da fraude contábil, em 13 de janeiro, começaram as revisões das empresas de classificação de risco.

Leia também: Bilionário sócio da Americanas diz que foi “quem mais perdeu” com a fraude

A primeira foi a S&P Global Ratings, que rebaixou a Americanas para B, mas depois intensificou o corte para D — equivalente a default –, sinalizando em seu relatório a possibilidade de uma recuperação judicial, que se concretizou dias depois.

A Fitch Ratings e a Moody’s também realizaram revisões graduais, com poucos dias de diferença. A Fitch começou com um rebaixamento para “CC” e depois atualizou para “C”. Já a Moody’s revisou primeiro para “Caa3” e depois cortou para “Ca”.