Amazon lança tablets com Android e Alexa+ para desafiar Apple e Samsung

Nova linha abandona limitações do Fire OS, incorpora recursos de IA generativa e marca a aposta da Amazon em dispositivos premium de até US$ 550

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Amazon apresentou nesta quinta-feira uma ⁠linha de tablets de ponta que, pela primeira vez, contam com a assistente ⁠de voz Alexa+ e funcionam com o sistema operacional Android do Google, uma aposta de que os consumidores ‌pagarão mais por dispositivos premium após anos de foco na faixa de preço mais acessível do mercado.

A Amazon, com sede em Seattle, vinha trabalhando nos tablets sob o codinome Kittyhawk, como a Reuters noticiou com exclusividade no ano passado, para ‌fazer a transição de seu sistema operacional Fire OS, que é mais limitado, após anos de reclamações de consumidores e desenvolvedores de aplicativos. O Fire OS é uma versão ‘derivada’ do Android, com modificações para funcionar como um sistema operacional único.

Conhecidos como Alexa Tablets, a linha apresenta diversas versões diferentes com preços iniciais de US$230 a US$500; todos são feitos com carcaças de alumínio, uma mudança em relação ao plástico dos tablets Fire.

Os novos tablets custarão até US$550, um aumento considerável em relação ao tablet ⁠Fire ‌HD 10, o modelo mais recente e topo de linha da Amazon, que custava mais de US$180, embora a empresa ⁠frequentemente oferecesse descontos.

O tablet Alexa mais avançado, com 128 gigabytes de memória, por US$550, se compara a um iPad da Apple por US$450 e a um tablet Galaxy da Samsung por US$550.

A reformulação dos produtos marca uma nova estratégia sob a liderança do chefe de dispositivos, Panos Panay, de posicionar a Amazon em um segmento mais sofisticado, afastando-se dos aparelhos baratos que a empresa vendia a preço de custo ou próximo a ele, com o objetivo de fidelizar ​os clientes para o uso do Prime Video, Kindle, aplicativos de música e o site principal de e-commerce. Esse foco na acessibilidade veio com algumas concessões, como qualidade de tela e duração da bateria inferiores, em comparação com ​as concorrentes Apple e Samsung e outros.

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Alexa+, uma versão avançada da assistente de voz Alexa com inteligência artificial, terá um papel de destaque nos dispositivos para ajudar a realizar ações ou responder a perguntas usando inteligência artificial generativa. O acesso ao Alexa+ nos tablets exigirá uma assinatura Prime ou uma assinatura do Alexa+, informou a Amazon.

A Amazon está apostando nos dispositivos mais caros, já que as vendas mundiais de tablets estão em queda, com uma redução de 12% no segundo trimestre em comparação ‌com o ano anterior, totalizando 33,6 milhões de unidades, segundo dados da IDC. ​O mercado norte-americano, particularmente afetado pela escassez de chips de memória, registrou uma queda de 32% nas vendas no segundo trimestre em relação ao ano anterior, conforme dados da IDC.

A empresa de Seattle detinha apenas 1,9% do mercado global de tablets no segundo trimestre deste ano, uma queda em ⁠relação aos 8% registrados um ano antes, segundo a ​IDC. A Apple lidera com ​34%, seguida pela Samsung com 17,5%.

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Os preços dos tablets não incluem uma taxa única que os clientes precisam pagar para desativar os anúncios exibidos na tela ⁠de bloqueio, embora o tablet Alexa mais caro não os exiba. ​Será necessário pagar uma taxa única de US$20 para eliminar os anúncios, um aumento em relação aos US$15 cobrados nos tablets com Fire OS, disse um porta-voz. Esses anúncios ajudam os usuários a ‘descobrir novos conteúdos relevantes aos seus interesses’ e a receita gerada contribui para financiar ​outras inovações, afirmou o porta-voz.

Atualização do Fire OS

Com o Android, os clientes do Alexa Tablet não ficarão limitados aos aplicativos oferecidos na loja de aplicativos Fire OS, desprezada pelos desenvolvedores que precisavam criar uma ​terceira versão dos aplicativos, além dos ⁠oferecidos nas lojas Google Play e Apple. Além disso, a assistente de voz com inteligência artificial Alexa+ integrada ajuda a diferenciar os tablets dos demais.

A Amazon investiu ⁠bilhões na reformulação da Alexa para equipá-la com inteligência artificial generativa e torná-la mais capaz para casas conectadas, compras e acesso a serviços de terceiros como Uber e Grubhub. O serviço, gratuito para membros Prime, não é lucrativo.

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Os tablets com Fire OS anteriores ainda funcionarão, disse a porta-voz, mas ela não informou se a Amazon continuará a dar suporte ao sistema operacional ou à loja de aplicativos. No início deste ano, a Amazon encerrou o suporte para modelos Kindle mais antigos, alegando custos de manutenção de software como ​motivo.