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Frutas

A fase amarga da Sweet Fruits 

Um dos maiores produtores e exportadores de manga do país entra em RJ; no pedido, dívidas somam R$ 282,7 milhões.

Por  Fernando Lopes -

Problemas de comercialização no mercado doméstico, aprofundados por reflexos negativos da pandemia sobre os negócios também no exterior, levaram o Grupo Sweet Fruits, um dos maiores produtores e exportadores de manga do Vale do São Francisco – e do país –, a entrar em recuperação judicial. O pedido, apresentado à Vara Cível da Comarca de Petrolina, em Pernambuco, em agosto passado, foi deferido na última quinta-feira. As dívidas incluídas na RJ somam R$ 282,7 milhões. O grupo tem até o fim de novembro para apresentar o plano de recuperação para posterior aprovação dos credores.

No pedido entregue à Justiça pelos advogados Carlos Roberto Deneszcuzk Antonio, Isabella da Costa Nunes e Daniel Machado Amaral, do escritório Dasa, com sede em São Paulo, consta que, por causa das dificuldades enfrentadas, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado do grupo caiu de R$ 53,1 milhões, em 2020, para R$ 19,1 milhões em 2021. Para 2022, a projeção era de R$ 11,7 milhões.

O IM Business apurou com fontes do mercado que o faturamento da empresa em 2022 alcançou cerca de R$ 150 milhões. As exportações costumam representar 90% da receita, e grande parte do escoamento da produção destinada a clientes na Europa, Oriente Médio e Ásia, entre outros, é realizada por aviões. O Sweet Fruits tem oito fazendas, três packing houses (onde as frutas são limpas, tratadas e embaladas) e cerca de mil funcionários. A área de plantio da empresa alcança 1,3 mil hectares. A produção, concentrada em quatro variedades de manga, com destaque para a palmer, chega a 60 milhões de unidades por ano.

Produção de manga em fazenda da Sweet Fruits, no Vale do São Francisco

O pedido de recuperação judicial que foi deferido inclui o sócio-controlador Silvio Caliani e as empresas Sweet Fruits Comércio Atacadista, Importação e Exportação de Frutas Ltda., Sweet Fruits Comércio Atacadista de Frutas Paraíso II Ltda., SF Casa Nova Ltda., SF Rancharia Ltda. E Double Way Transporte Rodoviário de Cargas Ltda. Das dívidas totais que fazem parte do processo, R$ 126 milhões são com grandes bancos. As dívidas trabalhistas são de R$ 101,3 mil. O IM Business teve acesso ao processo e procurou o Sweet Fruits e o Dasa, que preferiram não conceder entrevista.

Por meio de nota, o grupo informou que “a decisão de requerer recuperação judicial foi necessária devido à crise econômico-financeira vivenciada pelas empresas e produtor rural, motivada por fatores externos à sua gestão, como a pandemia, as altas taxas de juros e os desafios geopolíticos, como a guerra na Ucrânia. Essa medida foi tomada como forma de garantir, em última alternativa, a continuidade de nossas operações e preservar empregos, além de assegurar nossos compromissos com clientes e parceiros”

A história do grupo começou em 1996, com foco na comercialização de frutas de terceiros no mercado interno. A produção própria teve início nos anos seguintes e as exportações vieram em 2001. Os embarques cresceram rapidamente e, em 2010, houve a abertura de uma subsidiária em Portugal. Em 2011, foram feitos novos investimentos na ampliação das vendas domésticas, dada a demanda também aquecida no Brasil, e o Sweet Fruits reforçou sua presença no entreposto da estatal Ceagesp na capital de São Paulo.

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Segundo o pedido deferido, o princípio da crise que resultou na recuperação judicial foi em 2019, quando as redes de supermercados reduziram as compras de frutas nas Ceasas espalhadas pelo país e começaram a ampliar os negócios diretos com os produtores. Os problemas se aprofundaram no ano 2020, com a pandemia e a decorrente queda das exportações, e se tornaram agudos para o Grupo Sweet Fruits com o forte aumento dos preços dos insumos agrícolas em 2021 e 2022, em tempos de juros elevados na economia brasileira.

“Nada obstante, o grupo é viável do ponto de vista econômico, visto seu Ebitda positivo, sobretudo em face do importante papel que desenvolve para a fruticultura nacional, com atuação destacada na região do Vale do Rio São Francisco impactando diretamente na exportação de frutas para aproximadamente 20 países”, afirmam os advogados da Dasa no pedido de RJ.

Segundo dados da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), a manga liderou as exportações de frutas do setor em 2022. Os embarques da fruta alcançaram 231,4 mil toneladas, 15% menos que no ano anterior, e renderam US$ 205,7 milhões (queda de 17%). No total, a receita das exportações de frutas do Brasil somou US$ 970,5 milhões no ano passado, com retração de 9% ante 2021.

 

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