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Mensagens de WhatsApp e vídeos de drones foram usados como provas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) para embasar a denúncia que levou à Operação Contenção, deflagrada na última terça-feira (28) nos complexos da Penha e do Alemão. A informação foi revelada pela GloboNews nesta quinta-feira (30).
O documento, elaborado pelo Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) a partir de investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), acusa 69 pessoas de associação para o tráfico de drogas e descreve a estrutura hierárquica do Comando Vermelho (CV) na capital fluminense.
Segundo a denúncia, Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca ou Urso, é apontado como principal liderança do CV na Penha e em outras comunidades, como Gardênia Azul, Cesar Maia, Juramento, Quitungo e Alemão. Ele comandaria uma rede com ordens diretas, punições severas e vigilância armada permanente em torno de sua residência.
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Ao lado dele, no primeiro escalão, estão Pedro Paulo Guedes, o Pedro Bala, e Carlos Costa Neves, o Gardenal, descritos como gerentes-gerais do tráfico. Washington Cesar Braga da Silva, o Grandão, é citado como um dos homens de confiança de Doca.
Em mensagens interceptadas, Grandão orienta outros integrantes a não agir sem autorização: “Ninguém dá tiro sem ordem do Doca ou do Bala. Vamos pegar a visão”, diz um dos trechos reproduzidos na denúncia.
As conversas também mostram o uso de drones para ataques e vigilância. Em um diálogo, Gardenal e Grandão discutem a compra de drones com visão noturna. Durante a operação, criminosos usaram o equipamento para lançar explosivos contra policiais.
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O MPRJ afirma que os grupos de WhatsApp serviam para transmitir ordens sobre o comércio de drogas, plantões armados e monitoramento de viaturas. Nesses canais, os chefes também determinavam execuções e negociavam veículos roubados, segundo a apuração da GloboNews.
A denúncia aponta ainda que Juan Breno Malta Ramos, o BMW, liderava o grupo “Sombra”, responsável por expandir a facção na Grande Jacarepaguá. Ele controlava câmeras de vigilância em comunidades e, segundo os promotores, utilizava empresas de fachada para lavagem de dinheiro.
De acordo com o MPRJ, a análise das mensagens e registros eletrônicos foi essencial para mapear a estrutura da facção e subsidiar os pedidos de prisão que culminaram na operação, a mais letal da história do Rio de Janeiro, com 121 mortos confirmados até agora.