Vorcaro diz que se tivesse ‘ajuda de políticos não estaria de tornozeleira’

Gravações foram divulgadas nesta quinta-feira pelo Supremo Tribunal Federal

Agência O Globo

Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master (Foto: Divulgação)
Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master (Foto: Divulgação)

Publicidade

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro afirmou em depoimento à Polícia Federal que se tivesse recebido “ajuda de políticos” não “estaria ali de tornozeleira eletrônica”. A declaração foi dada em audiência ocorrida no fim do ano passado no âmbito do inquérito que investiga supostas fraudes financeiras praticadas pelo executivo. A gravação foi divulgada nesta quinta-feira após a retirada do sigilo judicial pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli.

Vorcaro havia sido questionado pela delegada da PF Janaina Pallazzo, que conduz o inquérito, sobre se alguns dos seus “amigos políticos” procurou viabilizar a venda do Master ao BRB, banco estatal de Brasília, que acabou não sendo concretizada.

Ele respondeu que, se tivesse tantas “relações políticas”, não teria sido preso e que o negócio foi “construído tecnicamente dentro do Banco Central”. Vorcaro, no entanto, confirmou que teve encontros com o governador de Brasília, Ibaneis Rocha (MDB), porque ele era um “controlador indireto”.

Oportunidade com segurança!

— Eu queria só dizer o seguinte, se eu tenho tantas relações políticas, como estão dizendo, e se eu tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, eu não estaria aqui de tornozeleira, eu não teria sido preso e estava com a minha família sofrendo o que a gente está sofrendo — diz ele, no vídeo.

De acordo com o banqueiro, no fim, o prejuízo ficou para todo o sistema financeiro nacional.

— Aí fica a frustração minha, porque não era para a gente estar aqui nessa sala e com essa exposição toda para o país, porque o prejuízo, no final, não foi só meu, foi do sistema financeiro — acrescentou Vorcaro.

Continua depois da publicidade

Em manifestações anteriores, Ibaneis confirmou que já se encontrou com Vorcaro, mas nunca tratou de assuntos relacionados ao Master.

Em novembro de 2025, o Banco Master foi liquidado por decisão do Banco Central em função de “grave crise de liquidez” e violações às normas do Sistema Financeiro. Na ocasião, Vorcaro chegou a ser preso preventivamente – medida que depois foi revogada e convertida domiciliar com o uso de tornozeleira eletrônica.