Tornozeleira eletrônica: como funciona o equipamento imposto a Bolsonaro por Moraes

Veja o que é o equipamento, como ele funciona, em que casos a Justiça pode determinar sua aplicação, e quais são as possíveis consequências caso a medida restritiva não seja cumprida

Paulo Barros

(Foto: Governo do Estado do Ceará)
(Foto: Governo do Estado do Ceará)

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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi obrigado, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a usar uma tornozeleira eletrônica como uma das medidas cautelares impostas nesta sexta-feira (18). A medida marca um novo patamar no cerco jurídico contra o ex-presidente.

Veja, a seguir, o que é o equipamento, como ele funciona, em que casos a Justiça pode determinar sua aplicação, e quais são as possíveis consequências caso a medida restritiva não seja cumprida.

O que é a tornozeleira eletrônica e como ela funciona?

A tornozeleira eletrônica é um dispositivo de vigilância pessoal utilizado para monitoramento de pessoas submetidas a decisões judiciais, seja durante o cumprimento de pena, como alternativa à prisão, ou em casos de medidas cautelares, como o de Bolsonaro.

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O equipamento, que pesa em média 200 gramas, é preso ao tornozelo e funciona com tecnologia de geolocalização por GPS integrada a sinais de celular. Isso permite o rastreamento da localização da pessoa monitorada em tempo real, 24 horas por dia, sete dias por semana. Os dados são transmitidos a uma central de monitoramento, que verifica se o usuário está dentro dos limites estabelecidos pela Justiça.

A tornozeleira é resistente à água — ou seja, pode ser usada durante o banho ou até mesmo em piscina ou mar — e conta com uma bateria que deve ser recarregada diariamente por cerca de duas horas. Se o dispositivo for desligado, removido ou tiver seu sinal obstruído, um alerta é disparado automaticamente, e a Justiça pode acionar as autoridades imediatamente.

Quando a Justiça determina o uso de tornozeleira eletrônica?

O uso da tornozeleira é previsto na legislação brasileira desde 2010 e pode ser determinado em diversas situações:

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No caso de Bolsonaro, a decisão de Moraes se baseou em suspeitas de crimes como obstrução de Justiça, coação no curso do processo e ataque à soberania nacional. A medida também visa evitar o risco de fuga do país.

Quais são as regras e consequências do descumprimento?

Além de não poder remover ou danificar a tornozeleira, a pessoa monitorada deve:

O descumprimento das regras pode levar à regressão do regime penal, perda de benefícios como saídas temporárias e até prisão preventiva.

No caso de Jair Bolsonaro, o STF impôs uma série de restrições adicionais: ele está proibido de utilizar redes sociais, manter contato com diplomatas e embaixadores, se aproximar de embaixadas e comunicar-se com outros réus — incluindo seu filho Eduardo Bolsonaro, envolvido em articulações nos Estados Unidos para pressionar o Judiciário brasileiro.

Por que Bolsonaro foi obrigado a usar tornozeleira eletrônica?

A imposição da tornozeleira a Jair Bolsonaro reflete a suspeita de investigadores de que o ex-presidente planejava fuga. Durante a operação da Polícia Federal, foram apreendidos US$ 14 mil, R$ 8 mil, um pen drive escondido no banheiro da residência e uma cópia impressa da petição da rede social Rumble contra Alexandre de Moraes.

Especialistas apontam que a tornozeleira, neste caso, serve como ferramenta de controle e prevenção, garantindo que Bolsonaro não burle as medidas judiciais, interfira nas investigações ou fuja do país.

Paulo Barros

Jornalista há mais de 15 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos