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O governo dos Estados Unidos anunciou a suspensão temporária da emissão de vistos de imigração para cidadãos de 75 países, entre eles o Brasil. A medida foi comunicada nesta quarta-feira (14) pelo Departamento de Estado e passa a valer a partir de 21 de janeiro, sem prazo definido para encerramento.
Segundo a pasta, a decisão faz parte de uma revisão ampla das regras migratórias, com foco em países cujos imigrantes, na avaliação do governo americano, acessam benefícios sociais em níveis considerados elevados.

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Quais países entram na lista
Além do Brasil, a lista inclui países da América Latina, África, Ásia, Oriente Médio e Europa Oriental, como Irã, Rússia, Afeganistão, Iraque, Somália, Tailândia, Colômbia, Nigéria e Cuba.
Ao todo, 75 países tiveram o processamento de vistos de imigração pausado, segundo o Departamento de Estado.
A justificativa oficial é que o congelamento seguirá em vigor até que os EUA tenham garantias de que novos imigrantes não representarão ônus fiscal ao Estado americano.
Segundo o texto, a medida visa evitar um “fardo financeiro para os americanos”.
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“O presidente Trump tem deixado claro que imigrantes devem ser financeiramente autossuficientes e não representar um fardo financeiro para os americanos”, escreveu a embaixada no comunicado.
Quais vistos são afetados
A suspensão atinge exclusivamente vistos classificados como de imigração, ou seja, aqueles que permitem residência permanente ou permanência prolongada no país.
Entram nesse grupo autorizações concedidas a familiares de cidadãos americanos, como cônjuges, e alguns vistos vinculados a trabalho com caráter migratório.
No caso brasileiro, esse tipo de visto representa uma parcela pequena do fluxo anual. Em 2024, foram emitidos cerca de 6 mil vistos de imigração para cidadãos do Brasil, número significativamente inferior ao volume de vistos temporários.
Turismo, negócios e estudos
O Departamento de Estado reforçou que vistos de não imigrantes não fazem parte da suspensão. Permanecem válidos os vistos de turismo e negócios, como o B-2 e o B-1/B-2, além dos vistos estudantis.
Para brasileiros que pretendem viajar aos Estados Unidos para férias, compromissos profissionais, eventos ou intercâmbios acadêmicos, o processo segue inalterado: preenchimento do formulário DS-160, pagamento da taxa consular e entrevista, com análise baseada em vínculos com o país de origem e intenção de retorno.
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Impacto para a Copa do Mundo
A proximidade da Copa do Mundo gerou apreensão inicial, já que os Estados Unidos sediarão 78 dos 104 jogos do torneio, incluindo as partidas da seleção brasileira na fase de grupos. Após os esclarecimentos oficiais, o governo americano confirmou que vistos de turismo seguem fora da restrição.
Isso significa que torcedores brasileiros poderão solicitar visto normalmente para acompanhar os jogos. Autoridades consulares, no entanto, ressaltam que a posse de ingresso não garante, por si só, a concessão do visto, que continua sujeita aos critérios tradicionais.
Casos específicos e exigências adicionais
Apesar de não suspender vistos temporários, o governo americano impôs novas exigências a algumas categorias. Um exemplo é o visto H-1B, destinado a profissionais estrangeiros em ocupações especializadas. A restrição vale para petições apresentadas após 21 de setembro de 2025.
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Outras categorias, como H-4, F, M e J, que incluem dependentes, estudantes e participantes de programas de intercâmbio, passaram a exigir que os solicitantes mantenham seus perfis em redes sociais públicos para análise das autoridades. Segundo o governo, a medida tem foco em segurança nacional.
Quando começa e por quanto tempo vale
O congelamento entra em vigor em 21 de janeiro e não tem prazo para acabar. A imprensa americana aponta que a pausa deve ser temporária, enquanto o governo revisa critérios e diretrizes para concessão de vistos de imigração.
Mesmo após entrevistas consulares já realizadas, cidadãos de países da lista podem ter a autorização de entrada negada ou limitada, dependendo da avaliação individual feita pelas autoridades americanas.
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Justificativa oficial da Casa Branca
Em comunicado, o Departamento de Estado afirmou que a prioridade é garantir que imigrantes sejam financeiramente autossuficientes e não dependam de programas de assistência social.
“A suspensão permanecerá até que os Estados Unidos possam assegurar que novos imigrantes não extrairão bem-estar do povo americano”, informou a pasta.
A medida está alinhada à estratégia de política migratória do governo do presidente Donald Trump, apresentada no fim de 2025, que já previa o endurecimento das regras de entrada de estrangeiros.
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Analistas avaliam que novas restrições podem ser anunciadas ao longo de 2026, inclusive com foco em critérios de saúde e idade dos solicitantes.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que aguarda notificação oficial do governo americano antes de se posicionar sobre a decisão.
Veja todos os países afetados:
- Afeganistão
- Albânia
- Argélia
- Antígua e Barbuda
- Armênia
- Azerbaijão
- Bahamas
- Bangladesh
- Barbados
- Belarus
- Belize
- Butão
- Bósnia
- Brasil
- Mianmar
- Camboja
- Camarões
- Cabo Verde
- Colômbia
- Costa do Marfim
- Cuba
- República Democrática do Congo
- Dominica
- Egito
- Eritreia
- Etiópia
- Fiji
- Gâmbia
- Geórgia
- Gana
- Granada
- Guatemala
- Guiné
- Haiti
- Irã
- Iraque
- Jamaica
- Jordânia
- Cazaquistão
- Kosovo
- Kuwait
- Quirguistão
- Laos
- Líbano
- Libéria
- Líbia
- Macedônia
- Moldávia
- Mongólia
- Montenegro
- Marrocos
- Nepal
- Nicarágua
- Nigéria
- Paquistão
- República do Congo
- Rússia
- Ruanda
- São Cristóvão e Névis
- Santa Lúcia
- São Vicente e Granadinas
- Senegal
- Serra Leoa
- Somália
- Sudão do Sul
- Sudão
- Síria
- Tanzânia
- Tailândia
- Togo
- Tunísia
- Uganda
- Uruguai
- Uzbequistão
- Iêmen