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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou seu discurso neste domingo na Feira de Hannover, na Alemanha, para voltar a enviar recados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio ao aumento das tensões globais e conflitos armados que envolvem a potência norte-americana.
Ao longo de sua fala, Lula citou o grande número de guerras em curso no mundo, questionou a disparidade de dinheiro usado para conflitos ao invés de investimentos para “acabar com a fome no mundo” e criticou decisões unilaterais de líderes globais.
Já na parte final de seu discuros, mesmo sem citar Trump, fez referência direta ao presidente dos EUA ao dizer que “nós não podemos permitir que o mundo se curve ao comportamento de um presidente que acha que por e-mail ou por Twitter pode taxar produtos, pode punir países, e pode fazer guerra”.
A declaração foi precedida por críticas ao cenário internacional. O presidente afirmou que o mundo vive hoje o maior número de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial e destacou a contradição entre avanços tecnológicos e crises humanitárias.
— Enquanto astronautas sobrevoam a Lua, bombardeios matam de forma indiscriminada civis, mulheres e crianças no Oriente Médio — disse.
Lula também questionou o papel das grandes potências ao citar diretamente líderes globais, incluindo Vladimir Putin (Rússia), Emmanuel Macron (França), Xi Jinping (China) e o próprio Trump (EUA).
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— É de se perguntar ao presidente Trump, ao presidente Putin, ao presidente Xi Jinping, ao presidente Macron e ao primeiro ministro do Reino Unido para que serve o Conselho de Segurança da ONU? Por que vocês não se reúnem e não param com essas guerras? Por que não defende destinar o dinheiro está fazendo guerra, matando e destruindo, para a gente poder cuidar dos milhões de flagelados que estão andando pelo mundo à procura de um país que os receba? — questionou.
Segundo ele, os cinco membros permanentes do órgão foram instituídos para garantir a paz, mas hoje o mundo enfrenta o oposto. — Não é possível que nós estejamos gastando 2 trilhões e 700 bilhões de dólares com guerra e nada para acabar com a fome no planeta — , declarou.
As críticas de Lula a Trump não são inéditas e vêm se intensificando nos últimos dias. No sábado (18), durante a 1ª Reunião da Mobilização Progressista Global, em Barcelona, na Espanha, o presidente brasileiro fez um ataque direto ao líder americano.
— Ninguém vai ganhar de mim com mentira, eu não tenho a riqueza que ele tem, eu não tenho a tecnologia que ele tem, eu não quero guerra. A única coisa que eu quero é dizer pra ele: mesmo sendo pobre, tem uma coisa que a gente tem que ter, que é caráter, honestidade e decência — afirmou ontem.
A declaração foi interpretada como uma resposta à decisão de Trump de impor uma taxação de 10% sobre produtos brasileiros, sob a justificativa de déficit comercial.
Além do embate político, o cenário internacional também tem efeitos diretos sobre o Brasil, especialmente sobre o preço do petróleo. Lula mencionou, também na Alemanha neste domingo, a “maluquice da guerra” com o Irã e seus impactos econômicos.
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A alta internacional do petróleo tem pressionado custos internos e se tornado um problema para o governo brasileiro, especialmente em ano eleitoral. Nesse sentido o Planalto já anunciou medidas recentes para tentar conter os impactos e evitar desgaste.
Apesar do tom crítico, Lula defendeu a cooperação internacional como alternativa às disputas e, ao longo do discurso, o presidente também falou sobre tecnologia e fez um alerta sobre os impactos da inteligência artificial, pedindo que aqueles envolvidos no desenvolvimento de novas tecnologias pensem também nos trabalhadores por trás dos avanços.
Na parte final, Lula reforçou que o Brasil está aberto ao diálogo internacional, mas condicionou parcerias ao respeito à democracia e à soberania dos países.
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— A única coisa que nós queremos é a certeza de que a nossa relação será pensando no fortalecimento da democracia […] e na soberania do povo de cada país — , disse.