Saiba por que bebidas em latas de alumínio são mais difíceis de serem adulteradas

Embalagem pode ser opção segura para aqueles que não abrem mão do consumo de bebidas alcoólicas mesmo em meio aos casos de intoxicação e mortes por metanol

Agência O Globo

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Em meio aos casos de intoxicação e mortes por metanol, as latinhas são a opção mais segura para aqueles que não abrem mão do consumo de bebidas alcoólicas, incluindo as destiladas. A lata de alumínio é considerada inviolável por diversos fatores — e o famoso barulhinho (“tsss”) que faz quando abre é o principal indício dessa segurança.

Esse barulho acontece devido a um processo chamado de double seaming, que cria uma junta metálica entre o corpo e a tampa da lata. Como a vedação é hermética e o lacre metálico está interligado à tampa, não é possível abrir a bebida sem que a embalagem fique danificada. Assim, uma vez aberta, não há possibilidade de que a lata seja lacrada novamente.

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— Primeiro, para produzir uma lata, você precisa de um equipamento bem robusto e complexo, e para envasar a lata também. — explica Daniela Tomatti, vice-presidente comercial e de sustentabilidade da Ball para a América do Sul. — Não teria como alguém pegar uma latinha do lixo, reenvasar um produto e não ficar perceptível que ela foi violada ou falsificada.

A especialista destaca que as latas produzidas pela Ball obedecem ao sistema “one-way” [único caminho, em tradução livre], ou seja, a embalagem é entregue diretamente da fábrica para a fábrica dos clientes. Após o consumo, ela é entregue diretamente para a reciclagem, não passando por um processo de devolução, lavagem e reenvase.

Outro ponto-chave é a impressão do rótulo diretamente na lata, o que não permite mudanças após a entrega.

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— Diria que todas essas variáveis realmente fazem com que essa falsificação seja infinitamente mais difícil, para não dizer impossível — observa Tomatti, acrescentando como o próprio custo da cadeia produtiva também seria um obstáculo para a adulteração. — Seria infinitamente mais caro você criar uma infraestrutura para falsificar esse líquido e levar até o mercado.

As latas apresentam uma variedade de produtos, como água, suco e refrigerantes, mas também bebidas alcoólicas, como as cervejas e os famosos drinks RTD (Ready to Drink ou Prontos para Beber, em tradução livre).

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A crise do metanol começou há cerca de duas semanas e, até esta sexta-feira, 246 notificações de intoxicação por metanol foram realizadas, informou o Ministério da Saúde. Destes, 29 foram confirmados, e 217 estão em investigação.

O metanol é um produto químico usado em produtos industriais e domésticos. Assim como o álcool consumido nas bebidas, é incolor e seu cheiro é muito similar ao álcool normalmente encontrado nessas bebidas. Porém, é muito mais fácil de produzir, o que faz com ele seja utilizado em bebidas adulteradas.